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Trungelliti afirma que Federer e Nadal ajudam pouco
12/08/2020 às 08h57

Zurique (Suíça) - O argentino Marco Trungelliti costuma ser bastante franco, tanto que já denunciou abordagens de apostadores que tinham o intuito de manipular resultados, mesmo se indispondo com compatriotas que se corromperam. Desta vez ele resolveu criticar a desigualdade no circuito em entrevista ao jornal suíço Le Temps.

Atual 231 do mundo, ele foi um daqueles jogadores que mais sofreram com a paralisação do tênis. “Recebi uma bolsa de US$ 4 mil da ATP e sou grato a eles, mas é normal que um jogador de 100 ou 130 do mundo não consiga sobreviver por três meses em um esporte no qual há tantos milionários?”, questionou o argentino de 30 anos.

“Eu acho que não, mas não sei mais por que a ATP é uma organização opaca, que se comunica  pouco e com pouquíssimos jogadores. No tênis, muitas pessoas tomam decisões com base em seus interesses particulares. O sistema é ruim. Eu comparo a uma cidade de 3 mil habitantes na qual apenas 70 vivem bem. Quem aceita isso?”, complementou Trungelliti.

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O argentino ainda destacou que essa desigualdade facilita a vida dos apostadores em sua busca por alvos dentro do circuito e não poupou nomes de peso como o do suíço Roger Federer e do espanhol Rafael Nadal, que segundo ele pouco ou nada fazem para ajudar os demais colegas de profissão.

“Eu não esperava nada deles (durante a paralisação), mas teriam levado uma mensagem completamente diferente se falassem algo em vez de calarem a boca. Por ficarem em silêncio enquanto dão entrevistas ou escrevem coisas nas redes sociais, esses jogadores encorajaram a corrupção, mesmo que de forma passiva”, disparou o argentino.

“O tênis aceita e oferece 200 dólares em prêmio após uma semana de trabalho quando os apostadores oferecem a você US$ 3 mil ou US$ 5 mil para armar um resultado de uma partida”, finalizou Trungelliti.

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