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Brasileiro cria método que alia Engenharia ao tênis
12/08/2020 às 20h01

Pimentel trabalha agora com Albert Ramos

Foto: Arquivo pessoal

Brasília (DF) - Gabriel Pimentel é um caso de improbabilidade que virou realidade. Quando o brasiliense começou a jogar tênis aos 14 anos de idade, muito tarde na opinião de todos da comunidade do esporte para se tornar competidor de alto rendimento, ninguém jamais imaginou que ele chegaria a marcar pontos no ranking da ATP. E ele foi além. Especializou-se em biomecânica, criou um método próprio e isso abriu portas. Hoje, pertinho dos 32, é consultor da Universidade da Califórnia em Berkeley, trabalha com academias de renome e tem contrato com tenistas profissionais de alto nível.

"Foram incontáveis as vezes que ouvi que era tarde demais para iniciar no tênis já com 14 anos, mas consegui ficar entre os 50 melhores jogadores do Brasil e ser ranqueado na ATP", destaca ele que, apesar do reduzido tempo até o fim da etapa juvenil, chegou a ser o quarto melhor do Brasil em simples e o primeiro de duplas. "Entrei para a carreira profissional tendo como treinador Larri Passos e Gustavo Kuerten como companheiro de treinos. Acho que foi o ambiente propício para o desenvolvimento de princípios e qualidades que fundamentam meu trabalho até hoje".

Uma lesão prévia à entrada no esporte impediu Pimentel de continuar no circuito por conta das dores que sentia e isso o levou a novo estágio da carreira: matricular-se no curso de Educação Física, simultaneamente ao curso de Engenharia Civil. "Utilizei as duas ciências para desenvolver os princípios necessários como treinador e, ainda mais importante, para elaborar minha própria metodologia, que se projetou internacionalmente", diz Gabriel.

A metodologia da GSET, empresa criada por ele e seu parceiro Paulo César, busca utilizar a Engenharia em diferentes áreas do tênis e com isso obter diagnósticos precisos dos atletas. "A partir da identificação dos problemas, implementamos soluções baseadas em técnicas criadas e fundamentadas em conceitos da Engenharia, como gestão e estruturação de projetos, criação e reestruturação de processos, além da aplicação de Matemática e Física na resolução de complexos modelos de biomecânica", explica.

Gabriel apresentou sua metodologia no workshop “Engenharia Aplicada ao Tênis” para uma academia de alto desempenho na Suiça, foi treinador na Europa e tempos depois partiu para a Califórnia. "Busquei instituições acadêmicas, centros de treinamento de alto rendimento e clubes, trazendo na bagagem o workshop que rendeu uma bela carta de recomendação, além dos resultados obtidos como treinador".

Ele teve a oportunidade de aplicar seus conceitos em academias de competição avançada e se tornou consultor de biomecânica na Universidade da Califórnia em Berkeley. Nesse cargo, levou sua equipe para o Australian Open deste ano. Depois de trabalhar com o duplista Andre Goransson, que durante o período teve boa ascensão no ranking e ganhou um ATP 250, o brasileiro atualmente acompanha o espanhol e ex-top 20 Albert Ramos.

"O objetivo agora é abrir meu próprio centro de treinamento para atletas de alto rendimento nos Estados Unidos, bem como criar uma escola de formação de profissionais certificados, capazes de replicar esses conhecimentos e revolucionar o esporte", desafia-se Pimentel.

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