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Árbitra Marija Cicak fez do hobby uma profissão
04/08/2020 às 13h45

Zagreb (Croácia) – Nascida e criada em Zagreb, Marija Cicak ostenta há oito anos o crachá dourado da arbitragem, nível máximo, e é bastante conhecida entre os fãs e os jogadores. Ela já dirigiu duas finais femininas de Grand Slam, em Wimbledon e no US Open, e a decisão da medalha de ouro do tênis feminino nas Olimpíadas do Rio, em 2016, entre Angelique Kerber e Monica Puig.

Antes de optar pela arbitragem, Marija praticou vários esportes. “Provavelmente, nasci para os esportes. Experimentei o caratê, tênis de mesa, handebol, natação e foi assim que comecei a jogar tênis. Tinha 6 anos quando meu tio sugeriu para minha mãe que eu tentasse e, aos 12, comecei a disputar torneios”, contou à reportagem do WTA.

Com a necessidade crescente de árbitros para os torneios-satélite em seu país, Cicak obteve seu primeiro certificado para trabalhar em eventos nacionais aos 15 anos. “Trabalhava na linha ou na cadeira e jogava torneios menores, por diversão, e realmente gostava disso”, contou.

“Aos 18, decidi parar de jogar tênis e ir para a universidade porque aqui não é fácil conciliar esportes e universidade ao mesmo tempo. Queria focar em outras coisas, apenas ir para a escola e curtir a arbitragem.” Enquanto cursava Cinesiologia, continuou arbitrando como hobby, não imaginando que faria da arbitragem o seu trabalho. “Realmente achava, naquela época, que faria algo ligado à minha graduação. Tudo me levou ao tênis e com uma pequena virada, terminei na arbitragem.

Por dois ou três anos, fui instrutora infantil. Ao mesmo tempo, arbitrava torneios Futures e era fiscal de linha em eventos do circuito e challengers da ATP. A certa altura, tive de decidir o que queria fazer. “Minha atenção estava dividida, então, eu tinha de escolher. Decidir continuar na arbitragem. Coloquei toda minha energia nisso e valeu à pena.”

Nos anos 1990, enquanto Iva Majoli, Mirjana Lucic e Goran Ivanesevic representavam bem a Croácia nas quadras, Cicak embarcava em sua carreira internacional, conseguindo o crachá branco no fim daquela década. Em 2002, obteve o crachá bronze em Viena, na Áustria, e em 2007, o crachá prata. A partir de 2009, ganhou mais experiência internacional, atuando como membro da equipe da ATP, ITF e WTA. “Nós íamos a todo lugar. Aquele era um programa legal, realmente. Nos deu um largo conhecimento em difentes áreas, jogadores diferentes estavam se acostumando a nós. Foi um tempo muito valioso na minha vida.” O crachá ouro veio em 2011 e no ano seguinte, ela se juntou à equipe de árbitros da WTA em tempo integral.

A croata Marija Cicak, de 42 anos, atualmente também coordena os árbitros de crachá prata, do programa de desenvolvimento da WTA e com frequência representa a entidade como instrutora de cursos ITF Nível 3 pelo mundo. Em 2015, ela e a grega Eva Asderaki-Moore fizeram história ao serem as primeiras mulheres a dirigirem as finais feminina e masculina do US Open, respectivamente.

“Uma grande parte do meu trabalho é viajar, pular de um avião para outro, mas tenho muita sorte porque é uma coisa que gosto de fazer”, afirmou. “A gente acaba indo aos mesmos lugares, mas esses lugares têm pessoas que os fazem especiais, gente que você acaba por conhecer com o tempo. Tudo isso enriquece a sua vida. Não tem preço, amplia seus horizontes.” E Cicak ama o que faz. “Nunca considerei isto como um trabalho. É uma coisa que amo fazer, amo estar lá na quadra. Tenho sorte de amar o que faço.”

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Suzana Silva