Notícias | Top Spin
Árbitro Kader Nouni conta sua história à WTA
29/07/2020 às 10h11

St. Petersburg (Flórida/EUA) - O árbitro de cadeira francês Kader Nouni mereceu um longo artigo no site da WTA, neste mês, escrito por Victoria Chiesa. Sua voz marcante, grave, é conhecida de quem acompanha de perto o tênis profissional. Ele seguiu os passos do irmão Miloud, quatro anos mais velho, que começou a jogar tênis inspirado na conquista de Yannick Noah em Roland Garros em 1983. Nessa ocasião, o filho de imigrantes argelinos, nascido e criado em Perpignan, no sudoeste da França, onde ainda reside, estava com 7 anos e costumava jogar basquete. “O tênis era um esporte caro na França, nós não podíamos arcar com ele, então fazíamos um monte de serviços no clube, como varrer as quadras, pintar as linhas, coisas desse tipo. A certa altura, eles estavam procurando por árbitros para um torneio local, meu irmão se ofereceu para ganhar um dinheiro e ajudar a pagar as aulas de tênis que queríamos ter. Esse foi meu início oficial.”

Nouni, que jogou basquete e tênis até os 16 anos, mostrou-se promissor quando foi introduzido na arbitragem. “A primeira vez que subi na cadeira, tinha talvez entre 10 e 12 anos, eram jogos locais de adultos”, explicou. “É engraçado dizer isso agora, um garoto de 12 anos dizendo a um adulto que está certo, mas as pessoas gostavam, na verdade. Quando os jogos terminavam, eu recebia um bom feedback, então, quis continuar. A federação francesa tem um bom programa, com tantos torneios, sempre há necessidade de árbitros. Eles investem nisso e a parte educacional é muito importante.”

No verão de 1991, ele e vários jovens e promissores árbitros, de cada região do país, foram convidados a participar de um trabalho durante o campeonato nacional juvenil, que naquela época era disputado em Roland Garros. Teve boas notas e estava pronto para ascender. Um ano depois, aos 16 anos, estreava em um Grand Slam, como fiscal de linha da edição de 1992 do Aberto da França. “Para mim, naquela idade, era algo inacreditável. Estar num local que havia visto na TV ... Eu estava feliz. Naquele ano, fui o caçula deles, mas ter estado lá no ano anterior, acho que me ajudou”, comentou Nouni. “Tinha estado no estádio, mas vê-lo lotado de gente, tenistas de ponta, foi um sonho. Era uma grande realização para alguém como eu, vindo de onde vim.”

Após terminar os estudos obrigatórios, Kader Nouni escolheu seguir a profissão de arbitragem em tempo integral. Depois de ter estudado brevemente Sociologia na universidade, ele completava seus ganhos com o tênis trabalhando em bares de sua cidade natal fora da temporada.

Obteve o crachá branco da ITF Nível 2 em Poitiers, França, em 1998. Passou ao Nível 3 no Cairo, Egito, ganhando seu crachá bronze em 2002. Depois vieram os crachás prata (2004) e dourado (2007) e integra a equipe de árbitros de cadeira da WTA desde 2008. Ao longo da carreira, Nouni já dirigiu quatro finais femininas de Roland Garros (2007, 2009, 2013 e 2014), a decisão feminina de Wimbledon de 2018 e atuou nas Olimpíadas de 2000, 2008 e 2016. Além disso, dirigiu quatro decisões do WTA Finals em três cidades e inúmeras finais da categoria WTA Premier.

 “Todas as primeiras vezes são lembranças memoráveis”, afirma, até quando se trata dos primeiros percalços internacionais. “A primeira vez que viajei para a América do Norte para trabalhar em Montreal e Boston, estava tão entusiasmado que reservei o voo para um dia antes do que deveria. Eu precisei de ajuda para descobrir meu transporte e hotel ... mas tive um dia extra para visitar Montreal. Foi a primeira vez que vi arranha-céus porque eles não existiam na minha cidade na França. Mais tarde, ao sair de Boston, perdi meu passaporte. Estava chovendo muito, muito forte, e alguém o encontrou debaixo de um banco e o devolveu. Minha primeira viagem poderia ter sido um pesadelo ... mas, felizmente, isso não aconteceu.”

Nouni, atualmente com 44 anos, é casado com Melanie Conesa, que conheceu em 2010, e o casal tem dois  filhos:  Oscar de 6 anos e Rosalie, nascida em dezembro passado, o que exigiu alguns ajustes em sua vida no circuito. “Embora minha esposa soubesse desde o início que eu viajava muito, tenho sorte de ela poder lidar com tudo isso”, disse.

Revendo os 12 anos com a WTA, ele se sente realizado. “Sou um cara que curte o momento e o tênis é mais do que um trabalho na minha vida. Sou feliz de ainda ser parte do grupo e desejo trabalhar por mais uma década. É uma boa equipe e temos um bom relacionamento. Depois de tantos anos, ainda gosto de aproveitar todas as oportunidades que este trabalho me dá. Quando comecei a viajar, realmente gostava de descobrir novos lugares e conhecer pessoas, adorava experimentar novos restaurantes. Agora, quando retorno a muitos torneios, tenho bons amigos e gosto de pensar que tenho bons endereços em cada cidade para onde viajo."




Comentários
Loja - livros
Suzana Silva