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Sharapova: 'Nunca escondi que tomava meldonium'
23/07/2020 às 14h11

Madri (Espanha) - Dona de cinco títulos de Grand Slam, a russa Maria Sharapova se envolveu no maior escândalo de sua carreira em 2016, quando testou positivo para meldonium e acabou suspensa pela ITF. Em um documentário divulgado pelo programa espanhol Vamos da Movistar, a ex-número 1 do mundo relembrou o momento mais duro de sua vida e falou sobre suas sensações na época.

“Recebi um e-mail da Federação Internacional de Tênis, que geralmente eram muito básicos, mas este dizia especificamente algo sobre doping e mencionava um medicamento chamado meldonium. Fui procurar o que era porque não conhecia a substância por esse nome, mas depois li 'mildronate', sabia perfeitamente o que era”, contou a russa.

A substância passou a ser proibida no começo de 2016 e logo no Australian Open veio o primeiro antidoping realizado por Sharapova, que foi pega com o meldonium. “Eles sempre me testaram muito, de 2006 a 2015, e nada aconteceu, mas em janeiro de 2016 tornou-se ilegal. Foi muito decepcionante saber que outras federações alertaram os atletas sobre o meldonium e eu não”, lamentou.

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Sharapova colocou na mesa o nome de Max Eisenbud, seu agente naqueles dias, que segundo ela foi culpado de continuar tomando a substância em 2016, quando já era ilegal. "Tomava três substâncias para melhorar minha saúde, mas não meu desempenho e disse ao meu agente para verificar essa lista no final do ano de 2015. Mas ele tinha problemas pessoais e não verificou. Seu erro foi o de não fazer isso", contou a ex-número 1 do mundo, que voltou a explicar o porquê de tomar meldonium.

“Quando jovem, notei que minha saúde estava sofrendo desde 2006, adoecendo muitas vezes. Então meu pai procurou um médico na Rússia, que fez uma lista de remédios que poderia tomar. Ele me disse que poderia usar 'mildronate', que na Rússia é tomado sem receita, como aspirina”, lembrou Sharapova, que mostrou guardar mágoas de como foi interpretada pela ITF.

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“Nunca escondi o que estava tomando, mas a ITF insistiu que eu escondia que estava usando meldonium. Não podia ser algo mais longe da verdade, porque era uma substância completamente legal por muitos anos. Foi doloroso e violento. Eu me senti muito vulnerável”, observa a bicampeã de Roland Garros, que se aposentou no começo de 2020.

A russa de 33 anos também rememorou o dia do anúncio do doping e os instantes seguintes. “Após a conferência de imprensa, apaguei todas as redes sociais do meu telefone, para me proteger, manter a sanidade e ficar longe de opiniões e julgamentos. Acho que nunca me preocupei com o que as pessoas pensam de mim, mas de repente isso acontece e você vê que se importa”.

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Suzana Silva