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Tenistas cadeirantes criticam organização do US Open
18/06/2020 às 14h09

Bicampeão do US Open, Dylan Alcott criticou a organização do Grand Slam norte-americano

Foto: Reprodução/Instagram

Nova York (EUA) - A determinação do US Open de reduzir o número de eventos na edição deste ano não atingiu apenas os tenistas que disputariam o quali e a chave de duplas, mas também os atletas do tênis em cadeira de rodas. Representantes da modalidade criticaram a organização do Grand Slam norte-americano, especialmente porque não teriam sido consultados sobre o assunto.

Quem liderou as queixas foi o australiano Dylan Alcott. Ele é bicampeão do US Open o líder do ranking mundial na divisão Quad, destinada aos atletas com deficiência em três ou mais membros. Nessa modalidade, homens e mulheres podem competir juntos.

"Acabaram de anunciar que o US Open vai acontecer sem o torneio de tênis de cadeira de rodas. Os jogadores não foram consultados. Pensei ter feito o suficiente para me qualificar. Sou duas vezes campeão e número 1 do mundo. Mas, infelizmente, não tenho a única coisa que importava: poder andar. Discriminação nojenta", escreveu Alcott no Twitter.

"E, por favor, não me diga que tenho um 'risco maior' porque tenho deficiência, porque isso não me deixa doente. Eu sou mais saudável e estou em melhor forma do que quase todo mundo que está lendo isso agora. Não há riscos adicionais", acrescentou o jogador de 29 anos.

"E com certeza há coisas muito mais importantes acontecendo no mundo, mas essa escolha deveria ter sido minha. É uma discriminação flagrante que outras pessoas decidam em meu nome o que eu faço com minha vida e com a minha carreira apenas porque sou deficiente", complementou o jogador australiano.

O britânico de 28 anos Gordon Reid, campeão paralímpico na Rio 2016 e quinto no ranking masculino do tênis em cadeira de rodas, logo deu apoio ao colega de profissão. "Fico muito decepcionado por descobrir pelo Twitter hoje de manhã que o US Open planeja retirar o tênis em cadeira de rodas do torneio deste ano. Os jogadores tiveram comunicação ou consulta zero da ITF ou do Grand Slam sobre essa decisão".

ITF terá conversa com o US Open
Após as queixas dos jogadores, a Federação Internacional de Tênis (ITF) prometeu conversar com a organização do US Open para viabilizar o torneio. "Continuamos discutindo com os organizadores sobre as possíveis abordagens que podem permitir que a competição do tênis em cadeira de rodas ocorra dentro ou fora do complexo", diz a nota oficial.

"A ITF entende e compartilha a decepção sentida por muitos por não ser possível para o US Open sediar um evento em cadeira de rodas este ano", seguiu o comunicado. "Apreciamos plenamente os enormes desafios logísticos enfrentados pelos organizadores em tempos sem precedentes. É certo que, em meio a uma pandemia global, a segurança de todos os concorrentes deve ser prioridade".

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