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US Open pode perder US$ 200 milhões sem público
13/06/2020 às 07h59

Mesmo com metade da receita tradicional, US Open ainda acredita que vale a pena realizar torneio

Foto: Arquivo

Nova York (EUA) - Com faturamento bruto anual na casa dos US$ 400 milhões, muito superior a qualquer outro dos eventos de nível Grand Slam, o US Open deverá perder cerca de US$ 200 milhões caso seja realizado sem público. O segundo mais tradicional torneio do tênis tenta acontecer na data normal, com início dia 31 de agosto. Decisão deverá ser tomada nos próximos dias.

Segundo estudo publicado nesta semana, 35% da receita global do Aberto norte-americano vêm da venda de ingressos e camarotes, enquanto outros 7% através da comercialização de comidas, bebidas e souvenirs. Sem os 800 mil visitantes esperados, esses itens seriam desconsiderados.

Mas não é só. Outros 25% do faturamento, ou seja US$ 100 milhões, são frutos de contratos de publicidade, que podem perder valor e serem renegociados em caso da ausência de público. A única receita intocável até aqui são os 33% oriundos dos direitos de transmissões locais e internacionais. A conta final imagina portanto que metade dos US$ 400 milhões estariam portanto perdidos.

Lew Sherr, um dos principais executivos da USTA (a Associação Norte-americana que detém os direitos do US Open), ainda assim é favorável a realizar o torneio: "Melhor assim do que cancelar", afirmou ele, que no começo era contrário à disputa sem público. "No aspecto financeiro, ainda faz sentido promover o US Open, manter a vibração do esporte e o engajamento dos fãs".

Estima-se que o lucro anual do US Open beire a casa dos US$ 250 milhões, ou seja o custo total é de US$ 150 mi e dessa forma ainda há margem favorável, mesmo com a grande queda da receita.

Sherr no entanto admite que essa realidade não vale para torneios de menor porte do circuito internacional, que dependem muito mais dos ingressos. O ex-top 5 e hoje diretor do Miami Open, James Blake, concorda e acha que o tênis corre risco de sobrevivência: "Se o futuro for um estádio de 15 mil lugares ocupado por apenas 5 mil pessoas, como forma de permitir o isolamento social, haverá um problema a médio prazo e muitos torneios ficarão insolventes, mesmo que se reduza a premiação. Acho que o circuito aguentará no máximo dois anos desse jeito".

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