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Engajado, Tiafoe se sente 'um forasteiro' na elite do tênis
04/06/2020 às 17h48

Boynton Beach (EUA) – O norte-americano de 22 anos Francis Tiafoe, que chegou a ser o segundo melhor juvenil do mundo e atualmente é o número 81 do ranking profissional, tem se mostrado engajado no movimento contra o racismo, diante da repercussão que teve a morte brutal do segurança negro George Floyd por um policial branco em Minneapolis, na semana passada.

Tiafoe participou com vários jogadores e técnicos, entre eles Serena Williams, Sloane Stephens, Gael Monfils e Coco Gauff, do vídeo chamado ‘Racquets down, hands up’, que compartilhou em suas redes sociais.

“Foi inacreditável! Estou feliz de ver que todos participaram. Acho que se mais pessoas que têm peso, que têm uma grande influência, falarem sobre isso, a mudança pode acontecer", disse Tiafoe, em entrevista à CNN. "Obviamente, com tudo o que está acontecendo na América agora, acho que é uma boa ideia nos reunirmos e tentar falar".

Campeão do ATP 250 de Delray Beach em 2018, Tiafoe chegou a ser 29º do ranking em fevereiro do ano passado, depois de alcançar as quartas de final do Australian Open. Ele é um dos poucos negros entre os 100 melhores do mundo e ressalta que a falta de diversidade no tênis às vezes o faz se sentir como um estranho no ninho. 

"Quanto mais sucesso, mais me sinto um forasteiro", avaliou o jovem jogador, que é filho de imigrantes de Serra Leoa. "É claro que eu recebo muito apoio e reconhecimento e as pessoas adoram a mudança, mas sinto que nem todo mundo quer me ver fazendo sucesso. Sinto como se estivesse tomando algo de alguém que gostaria de estar lá, e não eu. Com certeza, sinto isso porque no fundo eles não querem nos ver no topo".

Para o ex-top 30, ainda há muito a ser feito para promover a igualdade de oportunidades no tênis, incluindo recursos disponíveis para alcançar a elite do esporte. "O tênis não é como o basquete, que você só precisa de uma tabela e da bola, ou o futebol que você precisa de um gramado e da bola. Então, como podemos tornar isso acessível? Como conseguir uma grande quantidade de raquetes, cordas, redes, bolas e calçados? Essa é a parte mais difícil", avaliou.

"Vejam quantos atletas negros incríveis já temos, especialmente a Venus e a Serena, que fizeram coisas incríveis. Imagina se tivéssemos mais pessoas como elas mudando o mundo e mudando culturas", complementou o jovem jogador, que também falou sobre os protestos que estão ocorrendo por várias partes do país e do mundo e não acha que a violência seja a melhor solução.

"Adoro os protestos, acho ótimos, mas ao mesmo tempo me dói ver o que aconteceu com algumas cidades incríveis", disse o jogador, pedindo pelo fim dos saques a lojas. "Pessoalmente, acho que não é a resposta, mas ao mesmo tempo eu entendo as frustrações. É uma coisa de mão em mão".

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Suzana Silva