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Tendinite do cotovelo: saiba o que é e como tratar
27/05/2020 às 17h53

O uso de empunhadura errada é uma das causas mais frequentes para a epicondilite

Foto: Arquivo

São Paulo (SP) - Uma queixa comum aos jogadores de tênis amador que procuram o consultório médico é aquela dor chata e persistente na região lateral do cotovelo. Esse tipo de dor, que também é comum aos jogadores de golfe e aos trabalhadores manuais, traduz alterações crônicas nas origens do tendão e causam bastante incômodo ao paciente. Essas alterações levam ao quadro conhecido como tendinite do cotovelo – ou epicondilite, em termo médico.

Em uma pesquisa realizada pela Associação de Tênis dos Estados Unidos (United States Tennis Association – USTA) com 529 jogadores de tênis, o cotovelo foi a principal articulação acometida, representando 20% de todas as lesões. Ainda, o risco para o desenvolvimento da epicondilite aumenta com a idade. Isso foi demonstrado em dois estudos publicados na revista Journal of Sports Medicine, cujos resultados demonstraram 50% de aumento na incidência de lesão no cotovelo em jogadores acima dos 30 anos de idade, sendo os maiores índices naqueles acima dos 40.

Por que o cotovelo é lesionado?
As lesões no cotovelo que levam os tenistas a procurarem os médicos possuem explicações simples. O principal motivo que leva ao dano dos tendões são os movimentos repetitivos, particularmente aqueles realizados de forma rápida e com força. Esses movimentos tendem a acontecer mais pronunciadamente quando a técnica utilizada é incorreta e quando o equipamento utilizado não é adequado. Ademais, cada atleta possui suscetibilidades individuais em relação à força, estamina e mobilidade.

O jogador de tênis precisa estar atento para a qualidade do mecanismo dos golpes. Quando mais bem elaborado o golpe, menor o risco de tendinopatia no cotovelo. Estudo publicado pela Clinical Orthopaedics and Related Research em 1992 mostrou que, com modificações na técnica dos golpes, os sintomas de dor no cotovelo foram reduzidos em 90% dos jogadores que já reclamavam das dores por até seis meses. Ou seja, a não ser que o atleta esteja disposto ficar de repouso em casa sob cuidados da fisioterapia, jogando apenas jogos esportivos de roleta na área do tênis, é aconselhável maior cuidado na execução dos movimentos.

Tenho dores no cotovelo, e agora?
Na presença da história clínica favorável, o seu médico dará o diagnóstico de epicondilite na hora da consulta, sem necessidade de outros exames diagnósticos. Uma vez diagnosticada, o tratamento dessa condição consiste nas seguintes etapas:

- Modificação da atividade (redução ou afastamento do tênis);
- Uso de cotoveleiras de tração ou compressão;
- Analgésicos orais, como paracetamol, anti-inflamatórios (se não houver contraindicações);
- Fisioterapia, incluindo exercícios para o punho;
- Aplicação de gelo na área afetada após os jogos.

Se o paciente não apresentar melhorias ou resolução do quadro de dor com essas medidas citadas, é cabível solicitar exames de imagem para melhor investigar a lesão, como a ultrassonografia do tendão. Os casos mais graves que cursam com rupturas do tendão e dores muito fortes, refratárias ao tratamento inicial, são casos onde a cirurgia pode ser considerada.

Nos demais casos, o tratamento continuado com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) pode reduzir a dor e melhorar a função da articulação, mas é um tratamento limitado pelos potenciais efeitos adversos desses medicamentos. Há ainda a injeção de corticoides na cápsula articular, o que se mostrou benéfico para o alívio da dor a curto prazo, mas não traz benefícios a longo prazo (podendo até piorar a lesão, a depender do tempo de uso dessas injeções).

Portanto, a recomendação essencial é: ao sentir desconforto constante na região do cotovelo, consulte imediatamente um médico ortopedista.

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