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Bia e Medrado defendem mais mulheres no comando
27/05/2020 às 17h05

Patrícia Medrado lembrou que o tênis brasileiro tem apenas três mulheres como dirigentes

Foto: Arquivo

São Paulo (SP) - Representantes de diferentes gerações do tênis feminino brasileiro participaram de uma videoconferência na última terça-feira. O encontro organizado por Bia Haddad Maia e Patrícia Medrado teve quase duas horas de conversa sobre temas como representatividade da mulher no tênis, diferenças na premiação em relação aos homens, assédio, maternidade, entre outros tópicos.

"É a primeira vez que conseguimos reunir tantas tenistas, de diferentes gerações, para trocar experiências e compartilhar dificuldades, dores e histórias. Esse tipo de união é muito importante", disse a baiana Patrícia Medrado, que defende que mais mulheres ocupem posições de liderança nas entidades esportivas, especialmente no tênis.

"Das 26 federações estaduais de tênis que temos, ou mesmo na CBT, apenas três mulheres ocupam cargos importantes. Em Pernambuco, Tocantins e no Mato Grosso temos três vice-presidentes. E só. Por que nenhuma dessas federações tem sequer um departamento feminino?", questionou a ex-jogadora profissional, que chegou ao 48º lugar do ranking.

Apesar de os Grand Slam distribuírem prêmios iguais para homens e mulheres, e torneios importantes na elite do esporte oferecerem ganhos muito próximos para as estrelas da ATP e da WTA, Bia Haddad Maia ressalta que essa realidade não se aplica aos torneios menores, onde a disparidade de ganhos ainda é muito grande.

"No mundo todo, ainda existem alguns torneios 125k (equivalentes aos challengers, no masculino) ou futures em que as meninas chegam a receber até um terço do que ganham os homens. E o tênis ainda é um esporte no qual a mulher mais ganha dinheiro. Em outras modalidades há uma diferença muito maior, em que não somos nem um pouco valorizadas", comenta a jogadora de 23 anos e ex-top 60. Bia ocupa atualmente a 286ª colocação no ranking.

Capitã da Fed destaca evolução

Em outro momento do debate, a capitã da Fed Cup Roberta Burzagli diz que enxerga mudanças positivas em relação às mulheres no esporte brasileiro. "Colocar uma mulher como capitã da Fed Cup é um bom começo. Mostra que estão pensando um pouco mais na gente e dando espaço, valorizando o nosso trabalho. Há muito ainda a fazer e melhorar, mas é um começo".

Dos tempos de jogadora, Burzagli recordou uma situação ocorrida na campanha para o título do Banana Bowl de 1991 em Santos. "Disputei a final numa quadra lá nos fundos do Tênis Clube de Santos, enquanto na quadra principal havia um jogo masculino sem nenhum brasileiro. Lembro que a notícia da semifinal foi exatamente assim: 'Saliola perde, mas Burzagli ganha'", comenta Burzagli, que foi a última brasileira a conquistar o título na chave feminina do mais tradicional torneio infanto-juvenil do país.

Também participaram do evento nomes como Gabriela Cé, Teliana Pereira, Luisa Stefani, Dadá Vieira, Luciana Tella, Vera Cleto, Carol Meligeni Alves, Sabrina Giusto, Carla Tiene, Ingrid Martins e Letícia Sobral.

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