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Tênis sul-americano aguarda por seu novo herói
24/05/2020 às 20h45

Com seu título surpreendente em Santiago, Wild é uma das estrelas em ascensão no continente

Foto: Arquivo

Os jogadores sul-americanos geralmente são esquecidos quando se trata de favoritismo ou oportunidade de conquista nos grandes torneios de tênis, mas a verdade é que eles têm muito a oferecer ao mundo.

Juan Martin Del Potro trilhou um caminho de grande estrela por mais de uma década, especialmente depois de derrotar Roger Federer no US Open de 2009. No entanto, sua carreira sofreu intensos altos e baixos desde então, prejudicada por sucessivas lesões e colocando cada vez mais em dúvida se seus dias de glória podem ter acabado.

Isso levanta a pergunta: quem pode ser o candidato a sua glória no continente? Existem na verdade muitos talentos por aí e vale a pena avaliar quem pode ser o próximo astro latino-americano do tênis.

Cristian Garín
Especialista em quadra de saibro, o chileno conquistou todos seus quatro títulos de nível ATP sobre esse piso, culminando em um impressionante triunfo no Rio Open em fevereiro deste ano. A vitória marcou um período extraordinário para o jogador, que alcançou o 18º lugar no ranking e aparece como um grande especialista no piso.

Garín tem reputação, é claro. Ele é o mais jovem chileno a vencer uma partida de ATP de alto nível, quando tinha apenas 16 anos. Derrotou Dušan Lajović em 2013 e venceu o juvenil de Roland Garros no mesmo ano.

Ele é o sexto homem chileno a alcançar o top 20 do ranking. Se ele adaptar seu estilo de jogo ágil e seu forehand estrondoso a uma superfície também fora da terra, o céu será o limite para o jovem de 23 anos.

Diego Schwartzman
Considerado por muitos como o favorito para conquistar a coroa de Del Potro, Schwartzman é conhecido como El Peque devido a sua estatura. Apesar de medir certamente menos do que o 1,70m oficial da ATP, isso não o impede de subir no ranking e se mantenha na elite do tênis há várias temporadas.

Grande parte dos US$ 8 milhões recebidos por Schwartzman em sua carreira são de participações no Grand Slam: o US Open, por exemplo, paga a cada jogador US$ 54 mil dólares apenas para jogar no torneio. Assim como um cassino pode dar um bônus de boas-vindas a novos membros, isso se resume mais em fazer o jogador se sentir especial do que oferecer uma recompensa por sua capacidade de jogar, ajudando-o a acumular uma boa quantia em dinheiro.

Tido como um tenista perfeito para o saibro com as quartas de final de Roland Garros de dois anos atrás, causou surpresa duas vezes no US Open, tendo também atingido as quartas tanto em 2017 - quando barrou Marin Cilic, campeão em Flushing Meadows três temporadas antes - como em 2019. Após dar um show nas rodadas de abertura, Schwartzman eliminou Alexander Zverev antes de encarar Rafael Nadal.

Perto de completar 28 anos, o argentino certamente está no ápice da maturidade e é um dos que já possui a versatilidade necessária para ir mais longe nos Slam.

Thiago Wild
O paranaense de golpes muito firmes da base se destacou pelo brilhante título juvenil do US Open em 2018 e, desde então, sua chegada ao top 100 do ranking mundial parece uma questão de tempo. Afinal, ele recentemente completou 20 anos e já deu grandes saltos.

Enquanto Thiago Monteiro é um profissional mais estabelecido, com passagens entre os 100 melhores jogadores e experiência em Grand Slam, Wild mostra potencial para alcançar coisas notáveis dentro do jogo. Ele demonstrou isso com um inesperado troféu de nível ATP em Santiago, pouco antes da paralisação do circuito, impressionando público, analistas e adversários com seu estilo de jogo maduro e poderoso.

Certamente, a pandemia interrompeu seu embalo e o jovem astro ainda se tornou o primeiro profissional de tênis a contrair o coronavírus, mas logo se recuperou e promete que voltará mais forte do que nunca após a crise.

Nicolás Jarry
Natural de Santiago, Jarry é considerado uma das esperanças do tênis latino-americano há alguns anos e talvez já poderia ter chegado mais longe. Ele vem de uma linhagem profissional, com o avô e o tio-avô sendo ex-profissionais, e sua altura de 1,98 m muitas vezes o coloca em vantagem sobre os oponentes.

É outro que já chegou à conquista de seu ATP, obtido no saibro de Bastad, então sua terceira final depois dos vices em São Paulo e Genebra, e com isso subiu para o 38º lugar do ranking. Sempre chama a atenção pelo estilo agressivo e de alto risco.

Infelizmente, a curta carreira de Jarry foi atingida por controvérsias em abril de 2020, depois que ele recebeu suspensão de 11 meses por testar positivo para esteróides. De certa forma, a longa parada do circuito o ajudará a não perder pontos no ranking e nem a ficar tão distante dos concorrentes, já que a crise do Covid-19 obrigou a parada de todo o circuito.

María Camila Osorio
Colombiana de 18 anos, María Camila surpreendeu seu país natal com o título juvenil no US Open do ano passado, resultado que a colocou como número 1 da categoria. Há grandes esperanças de que ela possa transferir seu talento para o nível adulto, ainda mais com o acompanhamento técnico do experiente Alejandro Falla.

Osorio rodou pouco pelo circuito profissional, mas aproveitou bem as chances e chegou a ganhar dois jogos no WTA de Bogotá. Também tem títulos de nível ITF e já apareceu entre as top 200 do ranking mundial de profissionais. Firmeza nos golpes e cabeça firme se mostraram suas principais qualidades.

A expectativa aumenta quando se sabe que o tênis feminino sul-americano tem grande carência de estrelas desde da argentina Gabriela Sabatini, última a conquistar um título de Grand Slam em simples.

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