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Quem perde com redução da temporada de saibro
24/05/2020 às 09h14

Nadal tem 91,8% de aproveitamento no saibro, mas não depende tanto do piso quanto Fognini

Foto: Arquivo
por Mário Sérgio Cruz

A paralisação completa do circuito profissional por conta da pandemia da Covid-19 afetou diretamente a temporada de saibro na Europa. Em condições normais, Roland Garros começaria neste domingo, encerrando a tradicional sequência de eventos que passa anualmente por grandes centros como Monte Carlo, Barcelona, Madri e Roma.

Todas as competições oficiais seguem suspensas até 31 de julho, prazo que engloba até mesmo aquelas três semanas de torneios no saibro que acontecem logo depois de Wimbledon. Dessa forma, os únicos torneios da ATP no saibro em 2020 foram os eventos sul-americanos, em Córdoba, Buenos Aires, Rio de Janeiro e Santiago.

Roland Garros foi adiado para o segundo semestre e será disputado entre os dias 20 de setembro e 4 de outubro. Ao mesmo tempo, organizadores de outros torneios torneios no piso estão tentando viabilizar essas competições em novas datas para servir de preparação para o Grand Slam francês. Ainda assim, seria uma temporada mais curta, e alguns jogadores com bom histórico de resultados no saibro perdem a chance de aumentar seu histórico de conquistas.

Nomes como Rafael Nadal, Novak Djokovic acumulam muitas glórias no saibro, mas não são tão dependentes do piso para manter suas excelentes colocações no ranking. Por outro lado,  jogadores como Dominic Thiem Fabio Fognini teriam mais dificuldades. O austríaco venceu 10 de seus 16 títulos no saibro e tem aproveitamento bem mais baixo nas demais superfícies, apesar dos ótimos resultados recentes. O caso do italiano é ainda mais crítico, já que ele venceu oito de seus nove títulos no saibro.

Confira os índices de aproveitamento no saibro de alguns grandes nomes do circuito.

Rafael Nadal: 91,8% de vitórias no saibro, 59 títulos (em 85)

Doze vezes campeão de Roland Garros, Rafael Nadal tem números excepcionais no saibro. Seu aproveitamento no piso é de 91,8%, com 436 vitórias e apenas 39 derrotas no circuito da ATP. Em seu piso favorito, o espanhol venceu 59 dos 85 títulos que tem na carreira. Nadal tem 78% de aproveitamento tanto nas quadras duras (com 22 títulos), quanto na grama (vencendo 4 torneios).

Alguns palcos onde Nadal brilhou em anos anteriores não farão parte do calendário de 2020. São os casos de Barcelona e Monte Carlo, onde tem 11 títulos em cada um. Na cidade espanhola, aliás, ele dá nome à principal quadra do complexo. Já o Masters 1000 de Roma, onde Nadal é nove vezes campeão, ainda pode ser remarcado para setembro. Na mesma situação está o ATP 500 de Hamburgo, que ele ganhou em 2008 e 2015.

Novak Djokovic: 79,6% de vitórias no saibro, 14 títulos (em 79)



Novak Djokovic é outro jogador com ótimo desempenho e títulos expressivos no saibro. O atual número 1 do mundo tem 79,6% de aproveitamento no piso, com 214 vitórias e 55 derrotas. O sérvio tem números ainda melhores em outras superfícies, com mais de 84% de rendimento na grama e também nas quadras sintéticas. 

Ainda que o saibro tenha sido palco de apenas 14 das 79 conquistas de sua vitoriosa carreira, Djokovic venceu os principais torneios no piso. Ele foi campeão de Roland Garros em 2016, além de ter quatro troféus em Roma, três em Madri e dois em Monte Carlo.  

Roger Federer: 76,1% de vitórias no saibro, 11 títulos (em 103)

Embora tenha atuado pouco no saibro nos últimos anos, Roger Federer tem bom histórico no piso e poderia lutar por títulos importantes. Campeão de Roland Garros em 2009, Federer disputou outras quatro finais em Paris. Dono de 103 troféus de ATP, o veterano de 38 anos tem 11 títulos no saibro, mas não vence um torneio em quadras de terra batida desde 2015.

Federer venceu 223 jogos no saibro e perdeu apenas 70, obtendo um aproveitamento de 76,1%. Na grama, piso em que conquistou 19 torneios, o suíço venceu 87% dos jogos. Já nas quadras duras, com 71 títulos, ele saiu vencedor em 83,5% das partidas.

Dominic Thiem: 75% de vitórias no saibro, 10 títulos (em 16)


Finalista de Roland Garros nos dois últimos anos e terceiro colocado no ranking mundial, Dominic Thiem tem se especializado no saibro. O austríaco de 26 anos ganhou 10 de seus 16 títulos no piso, com destaque para as conquistas dos ATP 500 do Rio de Janeiro em 2017 e em Barcelona no ano passado. Curiosamente, seu título mais expressivo foi em quadras duras, no Masters 1000 de Indian Wells da última temporada.

No saibro, Thiem venceu 138 jogos e perdeu 36, com aproveitamento de 75%. Mas esses números não se repetem nas demais superfícies. Ele tem 58,9% no piso duro, com cinco títulos. Já na grama, o desempenho é de 50%, com apenas 14 vitórias e um troféu.

Kei Nishikori: 70,7% de vitórias no saibro, 2 títulos (em 12)

Bicampeão do ATP 500 de Barcelona, Kei Nishikori tem aproveitamento de 70,7% no saibro, com 94 vitórias e 39 derrotas. Seu rendimento no piso duro é parecido, com 67%. Os dois títulos na Catalunha foram os únicos do japonês de 30 anos no saibro. Em 2018, ele disputou também a final do Masters 1000 de Carlo, em condições bastante lentas ao nível do mar. Nishikori já chegou três vezes às quartas em Roland Garros, inclusive no ano passado. 

Andy Murray: 69,9% de vitórias no saibro, 3 títulos (em 46)

Apesar de as lesões no quadril terem reduzido drasticamente o calendário de competições de Andy Murray, o desempenho do britânico de 33 anos no saibro vinha melhorando muito antes desses problemas físicos. Dono de 46 títulos no circuito, ele tem três conquistas no piso, com destaque para os Masters 1000 de Madri em 2015 e de Roma em 2016. Naquele ano, ele também foi finalista de Roland Garros e alcançou a liderança do ranking.

O ex-número 1 do mundo tem 107 vitórias e 46 derrotas no saibro, com 69,9% de aproveitamento. Nas quadras duras, Murray venceu 78% dos jogos. Já na grama, seu aproveitamento chega a 83% com oito títulos e um bicampeonato de Wimbledon.

Alexander Zverev: 69,8% de vitórias no saibro, 5 títulos (em 11)

Dez anos mais jovem que Murray, o alemão Alexander Zverev tem aproveitamento parecido no saibro. Ele venceu 69,8% de seus jogos no piso, com 74 triunfos e 32 derrotas. Cinco de seus onze títulos foram conquistados nessa superfície, incluindo os Masters 1000 de Roma em 2017 e de Madri em 2018. Em Roland Garros, chegou às quartas de final nos dois últimos anos. 

Apesar de seu estilo de jogo ser mais indicado às quadras mais rápidas, seu rendimento no saibro é superior aos das demais superfícies. Zverev venceu 64% dos jogos que fez no piso duro, com seis títulos, e tem 63% de aproveitamento na grama sem vencer nenhum torneio.

Stefanos Tsitsipas: 68,3% de vitórias no saibro, 1 título (em 5)

Outro nome da nova geração que vinha se destacando no saibro nos últimos anos é Stefanos Tsitsipas, com 68,3% de aproveitamento. O jovem grego de 21 anos só tem um título no piso, em Estoril, mas já disputou finais em Barcelona e Madri. Por conta da pouca idade, acumula apenas 28 vitórias e 13 derrotas em torneios da ATP no saibro. Na temporada passada, ele chegou às oitavas em Roland Garros. 

Mesmo com quatro títulos em quadras sintéticas, Tsitsipas tem aproveitamento inferior, com 63,3%. Na grama, venceu oito dos 15 jogos de primeira linha que disputou e fica com 53,3%.

Stan Wawrinka: 66,7% de vitórias no saibro, 7 títulos (em 16)

Campeão de Roland Garros em 2015 e vice em 2017, Stan Wawrinka é sempre um nome forte no saibro. De seus 16 títulos no circuito, sete foram neste piso. Ele tem aproveitamento de 66,7%, com 182 vitórias e 91 derrotas. O suíço de 35 anos também já foi campeão em Monte Carlo e também disputou finais em Roma e Madri.

O rendimento de Wawrinka nas quadras de piso sintético é parecido. Ele venceu 64% dos jogos, com nove títulos. Já na grama, tem aproveitamento de apenas 50% com 31 vitórias.

Fabio Fognini: 59,4% de vitórias no saibro 8 títulos (em 9)

Vencedor do Masters 1000 de Monte Carlo no ano passado, Fabio Fognini conquistou oito de seus nove títulos de ATP em quadras de saibro. Entretanto, o aproveitamento do italiano no piso é de apenas 59,4%, com 209 vitórias e 143 derrotas. O veterano de 32 anos chegou às quartas de final de Roland Garros em 2011. Fognini tem 47% de aproveitamento no piso duro e 51% na grama. 

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