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'Meus pais me pressionavam demais', revela Svitolina
20/05/2020 às 16h33

Svitolina começou a ter melhores resultados depois que os pais se afastaram

Foto: Arquivo

Monte Carlo (Mônaco) - Consolidada entre as melhores jogadoras do mundo, Elina Svitolina revelou ter sofrido muita pressão quando estava começando no tênis. A atual número 5 do mundo contou, em entrevista ao podcast Behind The Racquet, que os seus pais eram muito exigentes no início de sua carreira e que isso causava à ela um desgaste mental muito grande.

Embora não trabalhem com tênis, os pais de Svitolina também foram atletas: Mikhaylo competia nas lutas, enquanto Olena foi remadora profissional. A ucraniana conclui que só começou a ter uma sequência de bons resultados quando passou a ser mais independente.

"Quando os pais ficam envolvidos com o tênis, colocam muita pressão extra. No início da minha carreira, não importa quando ou onde eu jogava, eles sempre me seguiam", disse Svitolina. "E foi muito difícil lidar com essa pressão da minha família, além das minhas próprias expectativas, especialmente quando eu ainda estava perdendo nas primeiras rodadas e lutando para melhorar meu ranking. Meus pais queriam que eu vencesse todas as partidas".

"Em algum momento, é importante que todos os pais se afastem. E os meus perceberam isso há cinco anos. Essa independência foi muito importante para mim. Quando meus pais pararam de viajar comigo, eu não contava mais com eles. Se eu perdesse uma partida, a culpa era só minha, e nesse processo eu encontrei meu próprio caminho", acrescentou a jogadora de 25 anos, que atualmente é treinada pelo britânico Andrew Bettles.

Comparação com outras jogadoras da mesma idade
Ainda a respeito da pressão que teve que conviver no início da carreira, Svitolina lembra que teve uma evolução muito gradual desde os torneios menores, enquanto outras jogadoras de mesma idade já vinham conseguindo bons resultados na elite do circuito.

"Quando eu estava na transição do juvenil para o profissional, tive muitas dúvidas. As pessoas esperam que você melhore rapidamente e você fica se comparando às outras jogadoras da mesma idade, mas com um ranking mais alto. Você fica com essa voz negativa em sua cabeça", relembra a vencedora de 14 torneios do circuito, com destaque para o WTA Finals de 2018.

"Comparada às outras jogadoras, minha jornada foi gradual. Eu estava sempre dando um passo de cada vez. Joguei os eventos de US$ 10 mil e de US$ 25 mil, e depois comecei lentamente a participar dos Grand Slam", acrescenta a ucraniana, que foi semifinalista de Wimbledon e do US Open do ano passado. 

"Não importa o seu ranking, você sempre quer mais. Quando eu era a número 30 do mundo, pensava: 'Se eu estiver no Top 10, ficarei feliz', mas quando cheguei lá, chorava quando perdia um jogo. Isso nunca acaba e nunca é suficiente", comenta a ainda jovem tenista. "Mas aprendi a aproveitar cada partida, mesmo as batalhas mais difíceis. Sou uma das dez melhores jogadoras há mais de três anos. É importante manter um estado de espírito consistente e eu também trouxe isso para o meu jogo".

"O tênis me deu tudo o que tenho hoje. Tenho muita sorte de tê-lo escolhido como minha profissão, porque isso me ensinou muito. O tênis me ensinou disciplina, me apresentou a grandes pessoas e me possibilitou conhecer lugares inacreditáveis. O tênis me deu a minha vida".

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Suzana Silva