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Francesa relata pressão psicológica de Mouratoglou
11/05/2020 às 18h10

Rezai conquistou o maior título da carreira no ano de 2010 em Madri, mas relatou a dura relação com o treinador

Foto: Arquivo

Madri (Espanha) - Dez anos depois de protagonizar uma enorme surpresa no circuito feminino, ao conquistar o Premier Mandatory de Madri, a francesa Aravane Rezai falou sobre a difícil relação profissional que ela tinha com o treinador Patrick Mouratoglou, hoje técnico de Serena Williams e dono de uma renomada academia. Em longa entrevista ao site espanhol Punto de Break, Rezai relatou episódios de pressão psicológica por parte do técnico e conta que isso a fez, inclusive, cortar relações com a própria família.

"Patrick é um apaixonado por tênis. Acho que isso é uma coisa que todos podem perceber. Eu não diria que ele é um grande treinador, mas sim é um ótimo homem de negócios: ele entende do jogo, sabe como analisar as coisas do ponto de vista tático. Mas se eu entrar em detalhes... Quando ganhei em Madri, você não pode imaginar o que ele fazia comigo. Ele me pressionou muito para vencer o torneio", disse Rezai, que foi campeã em Madri em 2010.

 
 
 
 
 
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"Eu nem comia, só tomava um copo de leite todos os dias. Eu não tomava café da manhã, não podia atender o telefone, e nem nada. Era como estar em uma prisão. Levantava às 6 da manhã para correr por uma ou duas horas e fazia treinos físicos pouco antes dos meu jogos. Era demais. Meu pai já colocava muita pressão em mim e ele pensou que colocar essa pressão extra também me faria melhor. E sim, funcionou. Mas depois de um tempo isso te desgasta", acrescenta a ex-número 15 do mundo, que está atualmente com 33 anos.

"Meu relacionamento com Patrick durou pouco mais de um ano. As pessoas que estavam com ele (médicos e nutricionistas), e que estavam na minha equipe, o avisaram. Eles disseram que se eu continuasse daquele jeito, acabaria quebrando. E ele respondeu que não se importava. Ele não se importava com a minha saúde mental", relatou a francesa de origem iraniana.

Rezai também explica que o treinador francês queria ter controle total sobre a equipe de treinamento. "Antes eu passava oito horas por dia em quadra com o meu pai. O que o Patrick trouxe para a minha equipe foi um plano de trabalho real e deu um toque de profissionalismo, como instalações e parceiros de qualidade para treinar", comentou. "Meu pai tinha uma personalidade muito forte. Às vezes ele era possessivo, ele queria me proteger, não importava o que fosse necessário".

"Percebi que Patrick queria contornar essa situação. O problema é que ele é do tipo de pessoa que não aceita suas responsabilidades", explicou a vencedora de quatro torneios da WTA. "Ele me pressionou a enfrentar meus pais. Ele me colocou na frente deles, cara a cara, para conseguir o que queria: controle total. Ele queria resultados e não se importava com como, não se importava com minha educação ou meu passado".

"Mouratoglou podia sair de férias enquanto me treinava, mas eu não podia tirar um dia de folga sequer. Nós conversamos sobre isso, discutimos e acabou. Meu pai ficou contente com essa decisão, mas eu não. Eu sabia que, embora Patrick fosse egoísta, era ele quem me fornecia estrutura de treinamento e muitas coisas que meu pai não poderia me dar. Foi aí que começaram as discussões com meu pai. Nós brigamos muito e eu terminei meu relacionamento com ele. E não estou me referindo apenas ao lado profissional. Eu parei de falar com minha família. A educação persa é totalmente diferente da francesa. Meu pai era muito duro comigo. Tive uma depressão e não conseguia me concentrar no tênis".

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Suzana Silva