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Ljubicic diz que Federer é o último que irá treinar
03/05/2020 às 15h31

Ljubicic desenvolve uma empresa para ajudar atletas e não se vê como treinador no futuro

Foto: Arquivo

Monte Carlo (Mônaco) - Sem ter ideia de quando o circuito profissional de tênis terá condições de retornar à atividade, o croata Ivan Ljubicic mantém isolamento com a família em Monte Carlo e só tem por enquanto uma certeza: não pretende seguir na carreira de treinador depois que se separar de Roger Federer.

"É 99% certo de que não treinarei ninguém mais quando encerrar minha etapa com Federer", afirmou o ex-top 10 croata ao periódico La Stampa. "No momento, estou desenvolvendo minha própria empresa de gestão esportiva, a LJ Sport Group, com a ideia de ajudar os atletas. Sinto que há muita confusão na elaboração de contratos e que os esportistas precisam de mais proteção. Poderia seguir como consultor de jovens como faço hoje com Borna Coric".

Ljubicic preferiu minimizar seu papel como técnico de Federer: "Quando trabalhamos com os melhores jogadores do circuito, raramente nos focamos na parte técnica. O mais habitual é concentrar em detalhes. Esses tenistas sabem como jogar seu 100% e uma mudança técnica não ajudaria muito. Um bom técnico deve saber escutar e separar o lado emocional do objetivo. Minha filosofia é amadurecer o jogador". Mas enfatiza: "Muitas vezes, o treinador não entende porque seu tenista faz uma determinada coisa dentro da quadra".

Segundo o ex-número 3 do ranking, a parte tática sempre o fascinou e isso tem a ver com sua paixão pelo xadrez que vem desde a infância. "Sempre me agradou pensar nas estratégias. Coisas rápidas não são comigo. Admiro muito Magnus Carlsen (norueguês campeão mundial de xadrez), digamos que ele seja o Federer do xadrez". Ljubicic revela que sugere a Federer jogar xadrez: "Jogamos algumas partidas quando temos tempo. Meu estilo é sempre ofensivo".

Enquanto Federer está em sua casa na Suíça, Ljubicic segue em Monte Carlo e mantém contato diário com o pupilo para saber da recuperação do joelho direito, que sofreu artroscopia em fevereiro. "Esta longa parada do tênis acabou não afetando tanto assim a ele. O objetivo é estar fisicamente pronto. Não pensamos ainda em 2021".

O croata não está muito otimista sobre um retorno rápido do circuito. "Como esporte social, o tênis será um dos primeiros a voltar, mas em nível profissional será um dos últimos, já que depende não apenas da ATP mas do governo de cada país. Difícil dizer quem terá mais vantagem após tudo isto, mas acredito que será aquele que manejar melhor as emoções. Os veteranos terão um ano a mais".

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