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Murray enaltece Billie Jean e apoia união com WTA
01/05/2020 às 19h06

Britânico concedeu entrevista ao lado de Billie Jean King para a jornalista Christiane Amanpour

Foto: Reprodução

Nova York (EUA) - A proposta de unificação entre a ATP e WTA, que vem sendo discutida nos bastidores e ganhou recentemente o apoio de Roger Federer, é também defendida por Andy Murray. O britânico participou nesta sexta-feira de uma entrevista ao lado da lendária Billie Jean King, ex-número 1 do mundo e notória ativista pela igualdade no esporte. Falando à jornalista Christiane Amanpour da CNN, ambos defendem a união de forças entre as entidades que dirigem o tênis profissional.

"Isso é algo que a Billie Jean defende há 40 ou 50 anos. Foi ela quem realmente teve a visão de tudo e precisamos lembrar disso. Acho ótimo que mais jogadores do circuito masculino vejam isso como um passo positivo para o esporte", disse Murray a Amanpour.

O britânico é historicamente a favor de dar oportunidades iguais para homens e mulheres no tênis, seja por meio da paridade nas premiações dos torneios ou possibilitando que elas tenham a chance de atuar como treinadoras ou em cargos de direção. Ele foi treinado pela francesa Amelie Mauresmo entre 2014 e 2016, e se recorda das duras críticas que ele e sua treinadora recebiam na época.

"Quando tive uma treinadora, percebi que toda vez que eu perdia uma partida ela era culpada. Isso nunca aconteceu com nenhum dos meus técnicos anteriores. Amelie foi número 1 do mundo, campeã de Grand Slam, uma jogadora fantástica e uma treinadora extremamente qualificada", comenta o vencedor de três Grand Slam.

"E foi aí que eu percebi que isso era um problema. Comecei a conversar com minha mãe um pouco mais sobre o assunto. Ela é alguém inspirada pelo trabalho de Billie Jean. Comecei a me interessar mais e vi que era um problema que precisava ser resolvido dentro do esporte", acrescenta o britânico de 32 anos.

"Quando se trata de tomadores de decisão importantes no tênis, praticamente todos eles são homens. Quando essas discussões acontecem, é muito importante não apenas ver essa fusão através dos olhos de um homem, mas também trazer as mulheres para as posições de tomada de decisão. Se isso acontecer, temos um enorme potencial como esporte", complementou o ex-líder do ranking.

Billie Jean King, que foi uma das fundadoras da WTA, costuma afirmar que a entidade surgiu como um plano B na década de 1970 por conta da falta de oportunidades que as mulheres tinham no tênis profissional, mas sempre defendeu uma união de forças. "A WTA não seria uma aquisição da ATP. Seríamos um parceiro completo nesse esforço para tornar nosso esporte melhor e mais valioso. Somos muito mais fortes, como Andy disse, se estivermos juntos. Não somos concorrentes como muitas pessoas pensam. Nosso trabalho é estar juntos para que possamos competir contra outros esportes e outras formas de entretenimento".

"Estou emocionada que o Roger tenha trazido isso à tona, porque quando os melhores jogadores do circuito masculino trazem algo à tona, mais pessoas ouvem", disse a vencedora de 12 títulos de Grand Slam, sendo oito na Era Aberta. "Eu tive a chance de conversar com Roger. Ele disse que o motivo pelo qual pensou nisso foi porque ele finalmente teve algum tempo para refletir sobre o esporte".

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