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Thiem é contrário às doações para ajudar tenistas
26/04/2020 às 12h27

Austríaco diz que não há tenista "morrendo de fome" e que prefere doar "para quem realmente precisa"

Foto: Arquivo

Lichtenworth (Áustria) - O número 3 do mundo Dominic Thiem é contrário à criação de um fundo para ajudar os tenistas de ranking mais baixo. Com todas as competições do tênis profissional paralisadas, entidades como a ATP e WTA articulam um plano de assistência financeira aos jogadores que são particularmente afetados pela suspensão do circuito.

Em entrevista por Skype ao jornal Kronen Zeitung, Thiem disse que não vê necessidade de os primeiros colocados do ranking contribuírem financeiramente na campanha. "Nenhum dos jogadores de nível mais baixo está necessariamente lutando pela vida. Não tem ninguém morrendo de fome. Joguei futures por dois anos e conheço jogadores do circuito da ITF que não se comprometem 100% com o esporte. Muitos deles são pouco profissionais. Não vejo por que deveria dar dinheiro a eles".

"Prefiro doar para pessoas e instituições que realmente precisam. Não há profissão no mundo onde você tenha sucesso garantido e alta renda logo no início de sua carreira. Nenhum dos principais jogadores recebeu nada de graça. Todos nós tivemos que lutar para subir no ranking", acrescentou o tenista de 26 anos, que acumula US$ 28,3 milhões em premiações de torneios na carreira, sendo US$ 1,7 milhão só neste início de temporada.

Mas tão logo as declarações do Thiem repercutiram, tenistas de ranking mais baixo começaram a se manifestar por meio das redes sociais, expondo suas dificuldades financeiras. Um dos relatos mais contundentes foi da britânica Tara Moore, 233ª colocada no ranking de duplas da WTA, e ex-top 150 em simples. A atleta de 27 anos é candidata ao recém-criado conselho de jogadores da ITF e expôs a situação.

"Infelizmente, é assim que alguns dos jogadores mais bem colocados pensam. Mas muitos jogadores de nível mais baixo são 'pessoas realmente necessitadas' agora. Alguns não têm condições de comprar comida ou obter ajuda médica. Eles também perderam seus empregos no esporte", escreveu a britânica no Twitter, lembrando que até mesmo outras fontes de renda acabaram sendo impossibilitadas.

"É possível que haja um futuro campeão do Grand Slam entre os 500 que não saia desta crise. Existem muitos jogadores cujos familiares estão doentes e sua única renda vem do tênis, dando aulas, treinando, ou jogando por clubes. A maioria dos jogadores também não se qualifica para receber benefícios do governo. Este período de tempo realmente testará a compaixão e empatia de certos jogadores e pessoas".

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