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Pais de Gauff negam diagnóstico de depressão
22/04/2020 às 16h16

Corey Gauff, pai da tenista, disse que a palavra "depressão" não foi adequada

Foto: Divulgação

Delray Beach (EUA) - Um trecho da recente entrevista de Coco Gauff para o projeto Behind the Racquet provocou uma repercussão negativa dentro de sua família. Isso porque os pais da jogadora de 16 anos negaram que ela tenha sido diagnosticada com depressão, como a publicação dava a entender.

Gauff havia dito que teve dúvidas se queria seguir jogando tênis. "Entre 2017 e 2018, eu estava tentando descobrir se era realmente isso que eu queria. Sempre tive bons resultados, então não era esse o problema. Eu simplesmente sentia que não estava mais gostando do esporte. Lembro de acordar e não querer treinar", relatou. "Por cerca de um ano fiquei realmente deprimida. Quando você está nessa situação, não vê o lado positivo das coisas com muita frequência. Mas eu saí disso mais forte e me conhecendo melhor do que nunca".

Em entrevista por telefone para o New York Times, o pai Corey Gauff disse que a palavra depressão não era a mais adequada para descrever o problemas emocionais de sua filha. "Eu sabia que essa seria a palavra escolhida, mas ela nunca esteve clinicamente deprimida, nunca foi diagnosticada com depressão, nunca ouviu alguém falar que ela tinha depressão e nem toma remédios para isso", afirmou. "Isso é apenas a pressão pessoal que uma criança exerce sobre si mesma conforme amadurece".

A mãe, Candi, explicou que o período de instabilidade emocional da filha começou quando ela tinha apenas 13 anos e perdeu a final do torneio juvenil do US Open de 2017. Na época, Gauff enfrentava adversárias até cinco anos mais velhas e se sentia isolada, porque as outras meninas não aceitavam perder para alguém tão nova. "Ela sentia muita solidão nos torneios, o que leva à tristeza, e por um período de tempo ela ficou infeliz. Não quero dizer a palavra 'ciúme', mas havia um espírito de 'Por que essa menina está ganhando?' Então ela ficava isolada".

Rubin pede desculpas à família

Quem entrevistou Gauff para o Behind the Racquet foi o também tenista Noah Rubin, 225º do ranking da ATP, que coordena o projeto e pediu desculpas pelo uso da palavra "depressão" no texto. "É completamente minha culpa que eu não tenha me aprofundado no que ela queria dizer com 'deprimida'. Sinto que ela estava definitivamente triste, perdida e questionando o tênis", disse Rubin ao New York Times.

"Conversamos por cerca de 30 minutos, e ela parecia muito honesta. Mas a palavra 'depressão' é um gatilho para muitas pessoas. Quando eu ouvi essa palavra, eu poderia ter perguntado: 'Você consultou um profissional para falar isso ou apenas sentiu uma tristeza profunda?'".

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