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Húngara que jogaria torneios no Brasil leva prejuízo
20/04/2020 às 16h48

Panna Udvardy estava jogando em Olímpia quando o circuito foi cancelado e ainda faria mais três torneios no país

Foto: Arquivo

Londres (Inglaterra) - A suspensão de todas as competições profissionais do circuito por conta da pandemia da Covid-19 afetou financeiramente os jogadores de ranking mais baixo, que disputam os torneios menores. A situação ficou ainda pior para aqueles que estavam em semana de competição ou com calendário já definido e tiveram que mudar de planos repentinamente.

O jornal britânico Guardian divulgou alguns casos de tenistas que foram surpreendidos pelo cancelamento no meio dos torneios que disputavam. Uma das atletas prejudicadas foi a húngara Panna Udvardy, jovem de 21 anos e 347ª colocada no ranking da WTA. Ela jogava um ITF na cidade paulista de Olímpia na semana em que o circuito foi suspenso. A húngara já havia se planejado para viajar com o treinador e disputar mais três torneios no Brasil, em São Paulo, Curitiba e Florianópolis. O investimento acabou sendo em vão.

Na tarde de 12 de março, quando a ITF fez o anúncio do cancelamento dos torneios em andamento, Udvardy estava em quadra e venceu a argentina Victoria Bosio pelas oitavas de final em Olímpia por 6/3, 2/6 e 6/3. "Durante o jogo, eu olhei para o meu técnico e ele estava conversando com o supervisor do torneio. Eu fiquei pensando: 'Vamos, por que você está falando com ele? Assista ao jogo!'. Venci um jogo de três horas, mas quando eu saí da quadra o meu treinador me disse que, quando estava 3/1, o supervisor veio conversar com ele que o torneio havia sido cancelado", disse a húngara.

Udvardy tem acumulado na carreira uma premiação de US$ 60.618 dólares, dos quais US$ 4.114 foram obtidos em torneios da atual temporada. Ela chegou a estar entre as melhores juvenis do mundo em 2016, ano em que foi campeã do Banana Bowl no Brasil. Para cobrir os gastos das viagens que faz com o treinador para os torneios menores do circuito a húngara dá aulas de tênis, que também foram interrompidas por conta das regras de distanciamento social e do risco de transmissão do novo coronavírus. Até mesmo seus patrocínios pontuais de pequenas empresas também ficam ameaçados devido à pandemia.

"Não tenho certeza do que vou fazer se essa situação demorar muito mais. Não há como eu fazer outra coisa", reconheceu a jovem jogadora. "Eu nem posso sair para dar aulas. É realmente muito difícil. Acho que todos os tenistas estão na mesma situação que eu e todos precisamos de ajuda da ITF e da WTA".

Ainda segundo o Guardian, Udvardy reconhece que sua situação ainda é melhor que a da maioria das colegas de circuito. Ela recebe ajuda financeira da Federação Húngara e por conta da pouca idade tem potencial para se recuperar no circuito futuramente. O cenário é diferente do enfrentado por muitos outros tenistas que podem ter que parar de jogar.

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