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Bencic: 'Foi duro lidar com a pressão desde cedo'
16/04/2020 às 16h17

Suíça acredita que as lesões e a volta aos torneios menores evitaram que desistisse do tênis

Foto: Arquivo

Flawil (Suíça) - Embora tenha apenas 23 anos, Belinda Bencic já lida há muito tempo com a pressão de ser uma jogadora de alto nível. Sua primeira chegada ao top 10 aconteceu ainda aos 18 anos, no início de 2016, e a suíça reconhece que ainda não estava preparada para o ônus físico e mental de suas façanhas. Até por isso, ela considera que as graves lesões nas costas e no punho, que a fizeram sair até do top 300, vieram na hora certa.

"Foi muito difícil lidar com a pressão de me tornar uma top 10 do mundo muito cedo", relatou Bencic ao projeto Behind the Racquet. "Quando cheguei ao topo, eu ainda me sentia jovem demais para tudo aquilo. A atenção da mídia é algo para o qual você não pode se preparar, especialmente se você não for uma pessoa naturalmente aberta. A qualquer falha, eu já estava no centro das atenções. Então, eu não gostava mais de jogar tênis".

"Eu realmente acredito que, uma vez que cheguei lá, meu corpo estava me forçando a tirar uma folga, que algo não estava certo, e é por isso que eu me machuquei. Acho que tudo aconteceu por uma razão", explica a atual oitava colocada no ranking mundial, e que chegou a ocupar a quarta posição no início deste ano.

"Entrei no top 10 pela primeira vez em São Petersburgo em 2016. Logo veio Miami, onde tive minha primeira lesão, o que levou a muitas outras. Tive um grave problema no punho e tentei evitar a cirurgia durante nove meses. Em abril de 2017, finalmente decidi operar. Fiquei seis meses fora e meu ranking caiu para 350. O tênis é super difícil, porque você nunca fica onde está, está subindo ou descendo", comentou a jovem jogadora suíça.

Bencic relembrou sua escalada nos torneios menores e voltou a ter grandes resultados no ano passado com dois títulos: uma semifinal do US Open e a classificação para o WTA Finals. "Eu aprendi muito sobre mim e esse esporte enquanto trabalhava no meu caminho de volta. Eu aprecio mais o tênis. Acredito plenamente que, se não me machucasse, ficaria completamente exausta em alguns anos. Seria apenas uma questão de tempo até que eu me sentisse esgotada. Tive a sorte de passar por essa experiência enquanto ainda era extremamente jovem e estava pronta para lutar".

"Eu nunca fui alguém que quisesse ser o centro das atenções fora da quadra. Foi um alívio depois de minha cirurgia que eu pudesse começar de novo. Fiz isso sem jogar na frente de ninguém, ninguém me julgando e descobri que adorava tudo de novo. Eu poderia ter pedido convites ou jogado com um ranking protegido, mas queria recuperar a confiança e o amor pelo esporte. Comecei a me lembrar como era apreciar cada vitória e cada minuto na quadra".

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Suzana Silva