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Gauff rejeita comparações com as irmãs Williams
15/04/2020 às 16h06

Gauff já tem duas vitórias contra Venus no circuito e ainda não enfrentou Serena

Foto: Arquivo

Delray Beach (EUA) - Convidada para participar do projeto Behind the Racquet, Coco Gauff fez um relato bastante sincero sobre sua relação com o tênis. A promissora norte-americana de 16 anos e já número 52 do mundo rejeitou qualquer comparação feita com as irmãs Venus e Serena Williams, seus principais ídolos no esporte, e também falou sobre ter aprendido a lidar com a pressão desde muito jovem e o fato já começar a inspirar gerações ainda mais novas.

"Não gosto de ser comparada à Serena ou à Venus. Primeiro, porque ainda não estou no nível delas. E também sinto que não é justo as irmãs Williams serem comparadas com alguém que está apenas começando a carreira. É claro que espero chegar onde elas estão, mas elas são as duas mulheres que abriram o caminho para mim", escreveu Gauff. "Sinto que nem teria a oportunidade de estar neste nível sem elas. Eu nunca teria pensado em jogar tênis sem elas, já que havia pouquíssimas negras no esporte. Por tudo o que fizeram, eu ainda não deveria ser comparado a elas".

"Muitas meninas de todas as raças, mas principalmente as negras, vêm falar comigo dizendo que estão pegando uma raquete pela primeira vez por minha causa. Isso me surpreende, pois foi assim que entrei no esporte. Um mês antes de Wimbledon, eu ia ao clube em que treino e via muito mais meninos jogando. Um mês depois, voltei e a maioria já era de meninas, e um dos treinadores disse que era por minha causa. Eu nunca poderia imaginar que um torneio pudesse ter esse tipo de efeito".

"Estou me acostumando com a ideia de que as pessoas me vêem como um modelo. Isso adiciona um pouco de pressão, pois sei que as pessoas estão assistindo a todos os meus movimentos. Na maioria das vezes, é fácil porque eu estou sempre sendo eu mesma", complementou a atleta que completou 16 anos em março.

 
 
 
 
 
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Gauff também revelou ter ficado muito deprimida pelo fato de não conseguir ter uma vida normal como a de outros adolescentes de sua idade e teve dúvidas se queria realmente seguir jogando tênis. "Entre 2017 e 2018, eu estava tentando descobrir se era realmente isso que eu queria. Eu sempre tive bons resultados, então não era esse o problema. Eu simplesmente sentia que não estava mais gostando do esporte", relatou. "Lembro de acordar e não querer treinar. Tive sorte de ter percebido isso desde o início e evitar o que poderia ter sido uma crise muito maior".

"Percebi que precisava começar a jogar para mim e não para outras pessoas. Por cerca de um ano fiquei realmente deprimida. Quando você está nessa situação, não vê o lado positivo das coisas com muita frequência. Mas eu saí disso mais forte e me conhecendo melhor do que nunca", avaliou a norte-americana.

"Eu sempre mantive pequeno o meu círculo de amigos e isso me ajudou a saber quem realmente se importava comigo ou quem estava ao meu redor por outras razões. Tenho muito cuidado com quem mantenho perto de mim", relatou a vencedora do WTA de Linz. "Essas são as pessoas que me ajudaram em todos esses momentos. Levei um tempo para me sentir confortável em expressar minhas emoções reais para elas, mas depois que aprendi, tudo ficou mais fácil".

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Suzana Silva