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Soares: 'Há chance de não ter mais tênis em 2020'
30/03/2020 às 16h30

Buenos Aires (Argentina) - Um dos nomes mais experientes do tênis brasileiro, Bruno Soares falou sobre o risco de não haver mais torneios de tênis em 2020, por conta da pandemia da Covid-19, causada pelo novo coronavírus. Em entrevista ao jornal argentino La Nación, o tenista de 38 anos e 25º colocado no ranking dos especialistas em duplas destacou o fato de que o reinício das competições no tênis pode acontecer bem mais tarde que o de outras modalidades, por conta do caráter global do esporte.

"Como tenistas, temos um grande problema: é um esporte totalmente globalizado. Em outras palavras, os campeonatos de futebol na Argentina, no Brasil, ou a NBA, por exemplo, podem retornar se esses países controlarem o vírus. Mas isso não acontece no tênis", disse Soares ao La Nación. "O mundo terá que controlar o vírus para que o tênis retorne. E é aí que mora o problema. O tênis será um dos últimos esportes a voltar à atividade normal. A situação daqueles que trabalham com o tênis é preocupante".

Soares, entretanto, acredita que ainda não é o momento de determinar um encerramento sumário da temporada, com volta das atividades apenas para o ano que vem. O mineiro considera que o melhor a se fazer é avaliar a situação periodicamente. "Por enquanto, não vejo necessidade [de cancelar a temporada]. A menos que as agências de saúde digam que esse vírus continuará matando pessoas por muitos meses ainda. Mas não há pressa para cancelar torneios muito além de quatro a oito semanas".

"Não precisamos cancelar agora um torneio que aconteceria em outubro, por exemplo. Por mais que eu pense que não jogar mais neste ano seja uma possibilidade, devido à situação em que vivemos, não há motivos para tomar essa decisão agora. Vai depender da saúde geral", avalia o experiente jogador de 38 anos. "Se o mundo estiver livre de vírus em setembro ou outubro, não há sentido que esses meses até o fim do ano não sejam aproveitados".

Integrante do Conselho dos Jogadores da ATP, Soares tem conversado com os demais atletas sobre as opções para o ajuste do calendário e sobre a situação financeira de seus colegas de circuito. "Tivemos uma vídeo-conferência recentemente. Há muito o que conversar, mas não há muito o que fazer. Apenas esperar".

"Com o tênis parado, temos problemas para definir como o ranking, o cronograma dos torneios, os recordes e tudo mais. Mas não sabemos o que acontecerá, porque uma coisa é que o tênis retorne em 8 de junho, como está estipulado até agora, mas será outra coisa se voltar em julho, agosto ou quem sabe quando. A maioria dos jogadores precisa de dinheiro mensalmente. Alguns podem passar seis meses sem jogar, mas a maioria não. É complicado. Estamos olhando o que podemos fazer. É um assunto nunca visto antes", explicou.

O adiamento de Roland Garros para setembro e o possível cancelamento de Wimbledon também foram assuntos da entrevista de Bruno Soares ao diário argentino. O mineiro criticou a postura unilateral do Grand Slam francês e diz entender os motivos sobre uma eventual não realização do tradicional torneio londrino, por conta das condições das quadras de grama. A competição está marcada para acontecer entre 29 de junho e 12 de julho.

"Todos nós descobrimos através das redes sociais; ninguém sabia de nada. Foi uma atitude bastante egoísta e, com a reação geral ruim, eles perceberam que estavam errados. Não faz sentido se todos os torneios começarem a fazer seus movimentos individuais. Os jogadores estão insatisfeitos com o que Roland Garros fez e a ATP não aprovará nada que não seja feito sem o consenso de todos", disse a respeito de Roland Garros, que será disputado entre 20 de setembro e 4 de outubro.

"Wimbledon está muito perto. A pergunta a se fazer seria: 'Ok, se não pudermos fazer o torneio em junho, vocês estariam interessados em jogar em outra data?' Se disserem que sim, será necessário verificar se o torneio pode ser adiado, por conta do piso e das condições. Em outubro, acho que seria quase impossível jogar em Wimbledon por causa do clima em Londres".

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