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Saiba tudo sobre a classificação olímpica no tênis
04/03/2020 às 13h00

Andy Murray foi medalhista de ouro nas duas últimas Olimpíadas, em Londres 2012 e no Rio 2016

Felipe Priante

Embora não valha pontos para os rankings da ATP e WTA, o torneio olímpico de tênis deverá reunir boa parte dos principais astros do circuito. Nomes como o sérvio Novak Djokovic, o espanhol Rafael Nadal e o suíço Roger Federer já colocaram o evento no calendário e têm o ouro nos Jogos de Tóquio como uma das metas para a temporada de 2020. Entre as mulheres, a norte-americana Serena Williams e a espanhola Garbiñe Muguruza também já manifestaram sua vontade de competir.

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Assim como em qualquer outro torneio, a competição olímpica também tem suas regras de classificação e o ranking é a principal ferramenta para definir quem poderá jogar ou não. Mas não é a única, já que os atletas precisam cumprir certas obrigações junto às respectivas federações. Além disso, há também o limite de atletas por país e a limitação para a classificação de duplas.

Para ajudar a elucidar todas essas equações, TenisBrasil esclarece as regras de classificação olímpica e conta tudo o que pode e o que não pode nessa corrida para os Jogos de Tóquio 2020. Veja um resumo de como funciona o sistema classificatório:

Quantos são os eventos?

Assim como nos Grand Slam, ao todo são cinco os eventos: simples e duplas no masculino, simples e duplas no feminino e duplas mistas. As chaves de simples são compostas por 64 jogadores e as de duplas por 32 times. Nas duplas mistas serão apenas 16 parcerias. Obviamente, não se pode misturar países numa mesma dupla.

Qual o limite de jogadores por país?

O torneio olímpico tem limite de no máximo 6 jogadores no masculino e mais 6 jogadoras no feminino. Deste número, o máximo em simples por país é de 4 tenistas, sendo possível colocar mais 2 duplistas. O evento de duplas mistas precisa ser necessariamente jogado por um desses já classificados.

Quem se classifica?

A classificação será feita com base no ranking de 8 de junho de 2020, logo após a disputa de Roland Garros. Os 56 mais bem colocados segundo os critérios acima (com limite por país) garantem a vaga em simples desde que tenham cumprido as regras de participação na Copa Davis ou Fed Cup.

Além desses, mais oito vagas ficam por conta da ITF, que inovou na forma da distribuição e pré-estabeleceu 6 vagas continentais: 2 para as Américas (campeão e vice dos Jogos Pan-americanos 2019), 1 para a Ásia (campeão dos Jogos Asiáticos 2018), 1 para a África (campeão dos Jogos Africanos 2019), 1 para a Europa e 1 para a Oceania (ambas para o jogador mais bem ranqueado do continente de um país que não tenha ainda representante). Todos esses 'convidados' pela ITF precisam também figurar no top 300 no ranking.

Por fim, duas vagas foram separadas para casos especiais. O primeiro vai para medalhistas olímpicos e/ou campeões de Grand Slam que não estejam com vaga pelos outros critérios (mas também precisam estar entre os 300 primeiros). Caso haja mais de um nessa situação, a vaga fica para quem tiver mais bem colocado. A outra vaga fica com o país anfitrião.

Como funciona a classificação de duplas?

Nas duplas, apenas os top 10 (ranking do mesmo dia 8 de junho) entram direto. E mesmo assim dependem do ranking do parceiro escolhido. Isso porque esses top 10 poderão indicar um parceiro qualquer de seu país para completar sua presença olímpica desde que ele esteja no top 300 e não ultrapasse o limite de jogadores por nação. Ao todo são 31 duplas pelo ranking e uma garantida ao país anfitrião.

O que acontece com as vagas continentais caso não cumpram os requisitos?

Se o país anfitrião tiver um ou mais classificados, o lugar irá para a qualificação normal, subindo para 57 os que entram no torneio. O mesmo acontece com a vaga dos medalhistas/campeões de Slam. A lista direta de entrada portanto pode subir então para 58. Se um ou mais jogadores que ficaram com alguma das vagas continentais não cumprir os requisitos, como ser top 300, a vaga tem destino pré-estabelecido. 

No caso dos que entram através de competições regionais, herdará a vaga o mais bem colocado no torneio. Nos Jogos Asiáticos, por exemplo, ficaria com o vice-campeão. Caso persista a falha nos requisitos, irá para o medalhista de bronze e assim sucessivamente. Se chegar a uma fase com mais de um eliminado, ficará com o atleta de melhor ranking.

Como fica a obrigatoriedade de disputar a Copa Davis ou Fed Cup?

O atleta precisa ter feito parte da equipe em pelo menos três confrontos durante o ciclo olímpico, desde que uma dessas ocasiões seja em 2019 ou 2020, mas esse número pode cair para duas ocasiões (uma delas em 2019 ou 2020) desde que tenha mais de 20 confrontos no histórico ou tenha competido no Zonal por três ou quatro anos.

Contudo, essa obrigação com a Davis/Fed pode ser relevada por um painel desde que o tenista se encaixe em uma dessas circunstâncias: 1) afastamento por lesão ou doença; 2) tenha despontado no ranking a tempo insuficiente para alcançar tais números; 3) faça parte de uma nação com muitos jogadores e simplesmente não tenha sido escolhido para defender sua equipe; 4) seja um atleta comprometido com a Copa Davis/Fed Cup ou com as Olimpíadas.

Quais as chances dos brasileiros?

No momento, os principais candidatos a Tóquio 2020 são todos mineiros. Atual número 5 do mundo, Marcelo Melo está na zona do top 10 e assim poderia levar Bruno Soares para mais uma tentativa. A outra vaga próxima é de João Menezes, que com o ouro no Pan de Lima em 2019 precisa apenas permanecer no top 300 para disputar sua primeira Olimpíada.

Basta cumprir todos os requisitos para se classificar?

Não, pois a vaga é dada pelas respectivas federações nacionais. Mesmo que o tenista cumpra todas as obrigações, se estiver em litígio com a entidade responsável pelo tênis em seu país, ainda assim pode ficar de fora dos Jogos, caso da francesa Marion Bartoli nos jogos de Londres de 2012.

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Suzana Silva