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Sharapova explica por que não quis jogo de despedida
26/02/2020 às 13h59

Último jogo da carreira de Sharapova foi contra Vekic no Australian Open

Foto: Arquivo

Nova York (EUA) - Diferente do que outros tenistas de destaque fizeram, Maria Sharapova preferiu não ter um jogo uma turnê de despedida do circuito. A ex-número 1 do mundo, que anunciou o fim de sua carreira profissional nesta quarta-feira, explicou que esse tipo de evento não fazia parte de seus planos.

"Não acho que preciso entrar em quadra com o mundo inteiro e todos os fãs sabendo que esta é minha última partida", disse Sharapova, em entrevista ao New York Times. "Mesmo quando eu era mais jovem, não era assim que eu queria que a minha carreira terminasse".

Recentemente, outra ex-líder do ranking teve uma postura diferente para encerrar a carreira. Caroline Wozniacki anunciou que disputaria seu último torneio no Australian Open e recebeu muitas homenagens em quadra, além de marcar uma exibição contra Serena Williams na Dinamarca. Curiosamente, o Grand Slam australiano também foi o último torneio disputado por Sharapova. Atualmente apenas no 373º lugar do ranking, ela jogou só duas partidas em 2020, perdendo para Jennifer Brady em Brisbane e para Donna Vekic em Melbourne.

Sharapova tem um longo histórico de lesões, especialmente no ombro direto, e fez duas cirurgias, uma em 2008 e a última no início do ano passado. "Nos últimos seis meses, eu passava 14h por dia cuidando do meu corpo. Antes de ir à quadra todos os dias, eu entrava numa máquina de ultrassom, ou em uma unidade de recuperação".

"Como acho que você viu ao longo da minha carreira, minha perseverança era a minha maior força", comenta a russa de 32 anos. "Mas comecei a sentir que isso estava se tornando uma fraqueza, porque a teimosia que me fazia continuar e me fazia seguir por razões erradas".

"Eu olho para fotos minhas jogando, em que estou prestes a bater na bola ou estou no ar, no momento em que estou fazendo contato com a bola e não consigo continuar vendo, porque isso me faz estremecer. Eu sinto muita dor", explica a vencedora de cinco títulos de Grand Slam.

Sharapova testou positivo para a substância proibida meldonium no início de 2016 e ficou sem jogar durante quinze meses, retornando ao circuito no meio do ano seguinte. Desde então, conquistou apenas mais um título e chegou no máximo ao 21º lugar do ranking. Ela afirma, entretanto, que parar de usar o medicamento não foi determinante para sua queda de rendimento.

"Zero", disse Sharapova, ao ser perguntada se a falta da substância afetou seus resultados. "Meu ombro, sim, é um problema desde os 21 anos. Basicamente, faço muitas repetições, tenho um inchaço no antebraço, e não consigo levantar as mãos. Isso começa com uma mão e depois na outra".

A russa não se arrepende por não ter feito ainda mais no tênis. "Eu adoraria ter um sexto, sétimo ou oitavo título de Grand Slam. Esses números parecem melhores. Mas quando eu comecei, eu também poderia ter ficado zerada, mas consegui me colocar nessa posição incrível".

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