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Alex Kenin, de taxista a técnico de campeã de Slam
07/02/2020 às 17h20

Melbourne (Austrália) – Sofia Kenin, campeã do Aberto da Austrália em sua primeira final de Grand Slam, revelou em entrevista a Courtney Nguyen do WTA Insider, depois da conquista do Aberto da Austrália, como o pai Alex, nascido na Rússia e que há não muito tempo dirigia táxis em Nova York, a conduziu como seu treinador a essa façanha. O casal voltou para Moscou, Rússia, em 1998, para o nascimento do bebê e retornou para a Flórida com a pequena Sofia. Alex percebeu cedo que sua filha evitava bonecas em favor de bolas e exibia uma grande coordenação olho-mão.

Alex Kenin pouco falava inglês e não tinha conhecimento algum de tênis. Mas ele fez da filha uma campeã de Grand Slam, simplesmente observando em volta dele. "Ele via como os outros técnicos orientavam suas jogadoras. Ele sabe realmente do que fala e apresenta os planos corretos, as estratégias certas", destaca Sofia sobre as qualidades do pai. Coco Gauff, a americana prodígio, e Ashleigh Barty, a nº 1 do mundo, e a bicampeã de Slam Garbine Muguruza foram superadas por Sofia Kenin em seu caminho para o inédito título.

Alex Kenin juntou-se à relação de pais que produziram campeãs, como Richard Williams, pai de Venus e Serena, Mike Agassi (pai de Andre) e Yuri Sharapov (pai de Maria). Mas ao contrário de algumas relações pai-filho que foram negativas, Alex e Sofia, de 21 anos, se dão bem. "Realmente só tenho de agradecê-lo. Nós sonhávamos com isso, é um sonho que se tornou realidade. Ele me disse um monte de coisas positivas. Ele sabe exatamente do que está falando. Apesar de algumas vezes eu não gostar de admitir que ele está certo, ele realmente trabalha duro. Sou agradecida a ele. Podemos compartilhar isto para sempre."

Alex Kenin chegou a Nova York em 1987 com a esposa Lena, vindo da então União Soviética, com apenas algumas centenas de dólares no bolso. Ele dirigia táxi à noite e durante o dia aprendia inglês e a lidar com computador, uma época que ele descreve como muito dura. "Eu tinha que trabalhar à noite e ir para a escola pela manhã. Dirigir em Nova York e não saber falar inglês no rádio do táxi era difícil. Não tinha ideia do que eles estavam falando", contou ele. "Mas é espantoso as coisas que a gente faz para sobreviver. Sofia sabe sobre isso e acho que isso a fez forte."

Sofia mostrou talento desde pequena, mas participar do circuito tenístico nunca foi fácil. "As pessoas me ignoravam. Eu não era a criança mais alta quando era pequena. As pessoas diziam: 'Do que você está falando? Ela é tão pequena. O que você está fazendo? Isso é uma piada'", lembrou Sofia. "Mas meu pai estava lá e acreditava em mim, não dava ouvidos a isso. Ele poderia facilmente ter dito OK e eu poderia ter feito outra coisa qualquer."

Sofia representou os Estados Unidos nas Olimpíadas da Juventude em 2014, estreou em um Grand Slam como convidada no US Open de 2015 e entrou no top 100 do ranking mundial em março de 2018. Sua carreira realmente decolou no ano passado quando ganhou três títulos de simples e subiu para o 12º lugar do ranking. Mas apesar disso, ninguém previu o que aconteceu em Melbourne. Ambos foram às nuvens com a façanha. “Ele estava tão feliz, eu estava tão feliz. Partilhamos isso juntos. Ele está tão orgulhoso de mim. Eu consegui.”

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Suzana Silva