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Stefani derruba marcas em Melbourne e sonha alto
25/01/2020 às 08h42

Stefani tenta ser a primeira brasileira nas quartas de um Slam desde 1982 e pode entrar no top 50

Foto: André Casado

André Casado, Especial para TenisBrasil

A primeira semana nem terminou e o Australian Open 2020 já trouxe um grande resultado para o tênis brasileiro. Classificada para as oitavas de final de duplas femininas, junto com a norte-americana Hayley Carter, Luisa Stefani falou com exclusividade ao TenisBrasil sobre sua expectativa para a sequência do torneio e sobre a evolução da parceria, que já rendeu um título e um vice de WTA em 2019.

As vitórias de Stefani garantiram algumas marcas expressivas. Foi a primeira vez que ela avançou de fase em um Grand Slam (antes, havia perdido na primeira rodada de Roland Garros no ano passado). Além disso, a atual número 66 entre as especialistas em duplas está a uma vitória de entrar no top 50 de um ranking - algo que apenas Maria Esther Bueno, em 1959, Teliana em Pereira, em 2014, e Patricia Medrado, em 1982, fizeram na história do esporte no país.

Stefani também pode se tornar a primeira brasileira nas quartas de final de um Grand Slam nas duplas desde 1982, quando Patrícia Medrado e Cláudia Monteiro atingiram essa fase em Wimbledon. Desde então, outras quatro atletas nacionais pararam nas oitavas: a própria Medrado no US Open de 1983, Niege Dias na grama de Wimbledon em 1987, Vanessa Menga no saibro de Roland Garros em 1999 e Beatriz Haddad Maia em Wimbledon de 2017 e no Australian Open de 2018.

"É muito especial, acho que fizemos uma preparação foi muito boa e acreditamos na parceria. Fizemos jogos bons no ano passado e ganhamos essa motivação que é poder entrar nos Grand Slam", disse Luisa Stefani após a vitória da segunda rodada sobre as chinesas Xinyun Han e Lin Zhu por 6/2 e 7/5.

"Começamos a temporada mais ou menos, mas seguimos com foco nos treinos, pensando em melhorar. As vitórias vieram porque jogamos para cima delas e realmente acreditamos que podíamos ganhar. Agora pertencemos a esse patamar e não queremos mais sair", acrescentou a paulistana, que vinha de eliminações na estreia em Auckland e Hobart nesse início de temporada.

A brasileira de 22 anos fez carreira no tênis universitário norte-americano até 2018 e, quando se dedicou inteiramente ao circuito profissional da WTA, conseguiu resultados expressivos no segundo semestre de 2019. Foi campeã do WTA de Tashkent, no Uzbequistão, e vice em Seul, na Coreia do Sul. Ambas as vezes com a parceira dos últimos quatro meses. Stefani e Carter se conheceram na faculdade.

"Jogamos algumas vezes contra, em simples e duplas, e ela sempre me incomodava com o estilo de jogo. No ano passado não tínhamos parceiras fixas no meio da temporada. E ela perguntou se eu queria jogar os torneios da Europa e Ásia (Coreia, Uzbequistão, Luxemburgo e Áustria). Eu queria o conforto de ter uma parceira, não estava com ninguém consistente. Encaixamos bem dentro e fora da quadra, temos uma química boa. Falei para ela: 'vamos testar', e deu certo".

Já ficaram pelo caminho duas duplas chinesas (a primeira, formada por Ying-Ying Duan e Sasai Zheng, era cabeça de chave número 9). E agora o desafio é contra a letã Jelena Ostapenko (ex-número 5 do mundo em simples) e a canadense Gabriela Dabrowski, neste domingo. Mesmo com o ótimo desempenho, a brasileira tem os pés no chão e ainda não sonha com o título do Australian Open.

"Desde o começo, quando entramos em um torneio, a vontade é a de ganhar o título, mas o foco tem que ser um jogo de cada vez. Não posso pensar nisso agora. O foco é nas próximas adversárias e no que a gente tem que fazer dentro de quadra. E seguir executando tudo bem e usando nossas melhores armas", avaliou a jovem jogadora.

Mesmo com a constante saudade da comida e da cultura brasileiras, Luisa Stefani não pensa em voltar para o Brasil. Ela já mora nos Estados Unidos, há oito anos, onde trabalha com o técnico indiano Sanjay Singh, que acompanhou por muito tempo a lenda das duplas Leander Paes.

"Ano passado consegui voltar algumas vezes para matar a saudade. Isso não é um problema. O meu desenvolvimento é o importante e tenho investido nisso".

Confira mais tópicos da entrevista exclusiva ao TenisBrasil.

O que mais melhorou no seu jogo desde o meio do ano passado?
- A experiência de estar nos torneios grandes fez a diferença, ver como elas jogam e perceber que o nível não é além do que eu jogo. É mais uma questão de acreditar, de confiar no meu jogo, ser mais agressiva, mas sabendo a hora de controlar também. Com isso, melhorei um pouco no saque, devolução, voleio. Acho que as palavras são agressividade e inteligência, pronto (risos).

Qual é a sua meta até o fim da temporada?
Quero chegar no top 25 esse ano e para isso preciso ir bem nos torneios grandes, obviamente não dá para ganhar sempre, mas é aproveitar as semanas boas para continuar com o ranking alto e entrar em qualquer chave. A evolução no ranking vem com perfomance e, se tivermos isso na cabeça, vamos bem mais longe.

Como está a busca por patrocinadores?
Espero que ir bem aqui e em outros torneios venha a me ajudar. Financeiramente nunca foi fácil, a gente sabe como são as coisas, principalmente no Brasil. Como qualquer atleta, preciso de apoio e sei que esse bom desempenho e a visibilidade nos grandes torneios vão me ajudar. É importante estar na mídia, falando sobre coisas boas. Ter mais uma duplista feminina no Brasil é muito positivo. O retorno vem com trabalho e resultados, e isso não está faltando. Espero receber propostas porque faz diferença viajar com técnico e equipe. Meu objetivo é fazer um calendário que eu queira e não me preocupar com os custos e viagem.

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