Notícias | Dia a dia | Australian Open
Mesmo com derrota, Dellien faz história para Bolívia
21/01/2020 às 14h18

Hugo Dellien desafiou o número 1 do mundo Rafael Nadal na Rod Laver Arena

Foto: Divulgação

André Casado, Especial para TenisBrasil

"Ele é um lutador, tem uma história muito bonita", foi a referência de Rafael Nadal ao oponente após vencer Hugo Dellien, pela primeira rodada do Australian Open. Apesar dos 3 sets a 0 e de apenas cinco games conquistados, o boliviano endureceu o jogo sobretudo no segundo set e fez história na Rod Laver Arena. A partida terminou com parciais de 6/3, 6/2 e 6/0.

"Tigre", como é chamado pelos compatriotas, foi criado em família humilde, em Trinidad, e batalhou muito mais do que a maioria dos tenistas para alcançar o sucesso. Hoje número 73 do mundo, já tem 4 títulos de nível challenger no currículo.

A garra em quadra e na vida, somada aos resultados cada vez mais destacados, o transformaram em herói nacional. Ajuda o fato de que a Bolívia, claro, tem pouquíssima expressão esportiva.

"É muito bonito ver a evolução dele no tênis. Gostamos de Hugo como se fosse da família. O apoio é como a um irmão" disse Carlos Garcez, um dos cerca de 20 bolivianos presentes entre os 15 mil torcedores no estádio.

O público também apoiou Dellien com gritos como "Come on, Iugow" (com sotaque australiano) e até "we are all on your side", seguido de um "We love Roger!" que arrancou gargalhadas, a despeito da maior rivalidade do tênis. Queriam um duelo mais longo para fazer valer o ingresso. E as duas horas ficaram de bom tamanho.

O segundo melhor tenista da história do país
A Bolívia havia tido apenas um jogador entre os 100 melhores do mundo, que foi Mario Martinez, em 1982. Ele parou na terceira rodada da chave principal de Roland Garros (Dellien já foi à segunda), chegou a ser número 35, mas nunca teve a chance de enfrentar um top 5, ainda mais o líder do ranking. A tarde de terça-feira em Melbourne marcou, portanto, um momento único para o país.

Competitivo, Hugo Dellien não estava satisfeito com perder de pouco. Ficou concentrado até onde pôde, vibrando com seus belos winners do fundo de quebra e reclamando dos erros. No terceiro set, diante da implacável intensidade de Rafael Nadal, não teve forças para reagir e levou um pneu.

Comentários