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WTA com seis top 10 fica em quadra secundária
06/01/2020 às 16h49

A líder do ranking Ashleigh Barty disse não se importar se tiver que atuar em uma quadra menor

Foto: Arquivo

por Mário Sérgio Cruz  

Primeiro grande evento na temporada do circuito feminino, o WTA Premier de Brisbane atraiu seis jogadoras do top 10. Uma delas, a anfitriã e atual número 1 do mundo Ashleigh Barty. Também estão inscritas Karolina Pliskova, Naomi Osaka, Elina Svitolina, Petra Kvitova e Kiki Bertens. Ainda assim, as primeiras rodadas da competição serão disputadas apenas em quadras secundárias.

Isso porque Brisbane também é uma das sedes da ATP Cup, competição estreante no calendário do circuito masculino e receberá partidas do torneio entre países até quarta-feira, antes de ter sua fase final realizada em Sydney. Com isso, as mulheres só poderão jogar na Pat Rafter Arena, maior estádio do complexo, a partir da próxima quinta-feira. A situação divide opiniões entre os principais nomes do torneio.

Leia mais: Barty doará premiação para vítimas de incêndios

Barty só deve entrar em quadra na quinta, para que sua partida de estreia seja no estádio principal, mas já se colocou à disposição para o caso de precisar atuar em um estádio menor pelas oitavas de final. Há chance de esse duelo ser contra a ex-líder do ranking Maria Sharapova, que joga na madrugada desta terça-feira contra a norte-americana Jennifer Brady.

"Não pedi para jogar em um determinado dia. Vou jogar onde estiver programado, não importa em que quadra seja", disse a australiana de 23 anos. "Sim, ela tem uma configuração um pouco diferente, mas o tamanho da quadra é o mesmo. Sei também que eles adicionaram mais lugares na quadra 1 para poder acomodar mais pessoas. Acho isso muito bom, do ponto de vista do público", acrescenta a líder do ranking, que irá doar toda sua premiação no torneio para as vítimas dos incêndios que já devastam a Austrália nos últimos meses.

"Obviamente, os dois eventos coincidem. Mas, no momento, o torneio feminino ainda não começou a ter jogos da chave principal. O quali geralmente é jogado nas quadras externas e, de qualquer maneira, também estamos treinando nas quadras externas. Então, na verdade, não acho que isso realmente importe", explicou a atleta da casa, em entrevista coletiva realizada no último domingo.

A ucraniana Elina Svitolina, número 5 do mundo, acabou sendo eliminada ainda nesta segunda-feira pela norte-americana Danielle Collins, com placar de duplo 6/1. Mas antes de atuar pela competição, também afirmou que não se importava em atuar num estádio menor. "Com certeza, nós notamos isso, mas também notamos que a quadra 1 ficou maior e muito mais agradável. Eu realmente não me importo de onde jogar. Gosto de jogar aqui em Brisbane, talvez seja porque já venci o torneio uma vez. Mas também pela atmosfera daqui. As pessoas realmente amam o esporte e por isso é um lugar muito agradável para começar a temporada, independente da quadra", comenta a campeã de 2018.

A número 4 do ranking Naomi Osaka estreia na madrugada desta terça-feira contra a grega Maria Sakkari e também é indiferente quanto ao tamanho do estádio. "Eu não penso muito nisso. Acho que vou jogar minha primeira partida numa quadra externa, mas não sei. Como eu sempre disse, posso jogar até na quadra 26. Não ligo para onde jogo. Eu só quero que as pessoas possam me assistir jogar. Não sei se vai estar lotado, mas tudo bem. É uma questão de atmosfera, mas eu meio que entendo", comenta a japonesa, que no ano passado chegou a atuar em uma quadra acanhada em Cincinnati, mesmo quando era número 1 do mundo.

Pliskova e Stosur pedem mudanças
A mudança na dinâmica do torneio foi criticada por algumas jogadoras, como a número 2 do mundo Karolina Pliskova. Bicampeã do evento em 2017 e 2019, a tcheca de 27 anos conta que está sendo muito difícil encontrar tempo para treinar no estádio principal e que espera poder jogar apenas na quinta-feira, mesmo que isso signifique ter que atuar em quatro dias seguidos até uma possível final no domingo.

"Eu adoraria estrear na quarta-feira. Mas é claro que prefiro jogar na quadra central, então espero jogar só na quinta. Eu não sinto muita diferença, porque eu já estou aqui há uma semana, então pude treinar na quadra central, o que foi bom. Mas agora ela fica ocupada durante o dia todo. E para algumas jogadoras, é difícil treinar. Você realmente não consegue um horário, a menos que vá às 7 da manhã. Mas é assim que as coisas são".

A veterana de 35 anos Samantha Stosur, ex-top 5 e campeã do US Open de 2011, é natural de Brisbane e estreou na quadra secundária. Ela conseguiu uma grande vitória sobre a ex-líder do ranking Angelique Kerber, por 7/6 (7-5) e 7/6 (7-4), e lamenta que as mulheres não possam atuar no estádio principal. "Devo dizer que é um pouco duro que não haja partidas femininas na quadra central até quinta-feira, mas o evento da WTA em Brisbane ainda será bom. Conversei com alguns fãs, que me procuraram e estão um pouco confusos sobre o que realmente está acontecendo. Sempre foi um evento combinado aqui, porque tinha um ATP e um WTA no mesmo local, mas agora são dois torneios muito diferentes".

Stosur participou durante muito tempo do Conselho das Jogadoras na WTA e espera que a dinâmica seja mudada nos próximos anos. Ela também torce para que a Copa Hopman, competição mista que durou três décadas e teve sua última edição no ano passado, volte ao calendário em breve.

"Estamos tentando tentar trabalhar com a Tennis Australia e também com a WTA para melhorar sempre os torneios. Então vamos ver o que acontece", comenta a australiana. "Quero dizer, a Copa Hopman sempre teve muito sucesso com homens e mulheres. Acho que seria muito legal ter um evento combinado, porque este seria o único evento no mundo em que homens e mulheres estariam no mesmo time. Então, eu acho que seria realmente emocionante se todas as partes pudessem se reunir e fazer isso acontecer".

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