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Stephens lidera Conselho e pensa na nova geração
01/01/2020 às 08h13

A norte-americana assumiu cargo em setembro e se preocupa com os ganhos das jogadoras mais jovens

Foto: Reprodução/Twitter

Miami (EUA) - A configuração do Conselho de Jogadoras da WTA passou por grandes mudanças em 2019. A eleição realizada em agosto promoveu cinco novos nomes para o grupo de oito atletas que discutem melhorias no circuito em conjunto com realizadores de torneios e dirigentes da própria entidade.

Entre as novas integrantes do grupo, a norte-americana Sloane Stephens já começa a se destacar por seu papel de liderança. Campeã do US Open em 2017 e atual 25ª do ranking, a jogadora de 26 anos falou à revista norte-americana Tennis sobre a necessidade de tornar o circuito financeiramente viável para as atletas da nova geração. 

"Eu sinto que as meninas que estão abaixo de nós no ranking têm mais dificuldades e merecem ganhar um pouco mais, porque elas também fazem parte do mesmo circuito que nós", explica Stephens. "Tive boas condições e experiências desde os meus 17 e 18 anos, que realmente moldaram a minha mentalidade de como estou agora. Mas acho que o circuito está ficando um pouco mais jovem. Eu só acho que elas precisam de um pouco de apoio. Minha maior meta será garantir que eles recebam isso".

Stephens começou a se destacar no apoio às colegas de circuito durante o último Australian Open. Na ocasião, ela amparou a croata Petra Martic, que estava muito abalada depois de uma derrota sem que ninguém do torneio viesse atendê-la. "Eu precisava defender as minhas colegas. Não tenho medo de dizer o que sinto ou como precisa ser dito. Se ninguém ia falar por ela, eu resolvi falar". Já a ex-número 1 Naomi Osaka relembra uma passagem curiosa: "Eu sabia que a Sloane seria eleita. Ela me pedia para votar nela sempre que a gente se encontrava".

Norte-americana dialoga com conselho da ATP
O canadense Vasek Pospisil, que faz parte do conselho de jogadores da ATP, comentou que já conversou com Stephens a respeito da premiação nos Grand Slam. Isso porque os quatro maiores torneios do circuito oferecem prêmios iguais para homens e mulheres em todas as fases de competição, desde o qualificatório até a final.

"Quando você discute os Grand Slam, precisa falar com homens e mulheres. Eu sinto que é contraproducente não se comunicar com elas", disse Pospisil durante o US Open. "Estou realmente impressionado com a Sloane, para ser sincero. Tive boas conversas com ela", comenta o canadense de 29 anos.

Jogadoras de ranking mais baixo também se posicionam

Além de Stephens, assumiram em setembro a norte-americana Madison Keys (representante do top 20), a croata Donna Vekic e a sérvia Aleksandra Krunic (top 50) e a duplista canadense Gabriela Dabrowski. O grupo ainda conta com mais duas representantes do top 20, a britâninca Johanna Konta e a russa Anastasia Pavlyuchenkova, além da norte-americana Kristie Ahn (indicada por atletas de fora do top 100). As novas integrantes do grupo substituíram Venus Williams, Victoria Azarenka, Lucie Safarova, Bethanie Mattek-Sands and Julia Goerges.

Krunic, que já foi número 39 do mundo em 2018, aparece atualmente apenas no 136º lugar. A jogadora de 26 anos falou sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pelas atletas de ranking mais baixo, mesmo em torneios de elite do circuito. "Joguei em Nanchang e cheguei nas quartas. Gastei US$ 1 mil com o meu voo, mais US$ 2 mil com meu treinador e o hotel dele, e ainda tive um desconto de 25% de imposto na premiação. Então, fiquei no zero. Na maioria das semanas, não dá para ganhar dinheiro. Você só começa a ter lucro se chegar à semifinal. Assim, de 32 jogadoras, só 15% ganham. É duro, você fica frustrada e menos motivada. Não podemos pensar apenas nas top 10, porque o tênis feminino é muito maior que isso". 

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