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Ex-top 50, Mello prioriza trabalho com a base
25/12/2019 às 08h00
Felipe Priante

Aposentado do circuito desde 2013, encerrando sua carreira no Brasil Open, o campineiro Ricardo Mello segue ligado ao tênis, mas agora foca seus esforços na base. Ele abriu uma escolinha de tênis em Campinas e tenta ajudar a criar o futuro da nação na modalidade, aproveitando também para passar mais tempo em casa e curtir a família e os filhos.

Embora esteja focado nas jovens gerações, o ex-top 50 não descarta retornar ao circuito como treinador no futuro. “Não descarto isso para o futuro. Não voltaria com a mesma intensidade de quando eu jogava e viajaria menos”, falou Mello em entrevista para TenisBrasil.

Dono de um título de ATP, levantando a taça de Delray Beach em 2004, Mello não vê grande diferença entre sua época e a atual, apesar do momento não ser o mais favorável para o Brasil no circuito. Ele destaca ainda a importância da estrutura para os juvenis, algo que vê como facilitador no momento em que se chega ao profissional.

Veja a entrevista completa com Ricardo Mello:

O que você tem feito desde a aposentadoria? Como está sua vida após largar o circuito?

Depois de ter parado, em 2013, comecei a trabalhar com treinamento competitivo no ano seguinte e aos poucos fui abrindo também para o social. Tenho uma escolinha, a Mello Tennis Team, dentro de um clube lá em Campinas. Também tive filhos e a vida mudou bastante de quando eu jogava para agora, estou em um capítulo novo da vida.

É difícil largar o tênis para quem praticamente só fez isso doa vida, ou era uma coisa que você queria mesmo fazer?

Por ter jogado por tantos anos, foi uma coisa que eu gostaria de fazer: passar um pouco da experiência que eu vivi, principalmente para os mais novos. E até mesmo para os mais velhos, passar minha vivência para os adultos que querem jogar tênis. Viajei durante 16 ou 17 anos e de repente parei de viajar totalmente, mas aos poucos você vai mudando suas prioridades e ficar mais em casa tem sido muito bom. Ter a possibilidade de trabalhar com tênis, que é uma coisa que eu gosto, e estar em casa, é algo muito bom.

Na sua reta final de circuito, o Brasil tinha você, Thomaz Bellucci e Marcos Daniel frequentando o top 100, mas hoje em dia estamos com uma dificuldade maior nesse aspecto, apenas com Thiago Monteiro entre os 100. O que você acha que mudou no tênis brasileiro nesse período?

Acredito que o potencial de criar jogadores bons a gente sempre teve, continua tendo e vai ter. Há alguns nomes novos surgindo. É importante que a estrutura esteja bem ajustada para que quando eles cheguem do juvenil para o profissional já estejam prontos. É importante ter uma estrutura profissional já quando se é juvenil, isso faz uma diferença enorme. É o que acontece lá fora com os norte-americanos e os europeus, eles entram preparados para jogar o circuito e saem com anos de diferença na nossa frente.

Poderemos ver Ricardo Mello como treinador de alguém no circuito daqui alguns anos?

Pelo meu momento de vida estou muito focado na base e em estar próximo da minha família, mas não descarto isso para o futuro. Não voltaria com a mesma intensidade de quando eu jogava, viajando menos, mas não descarto essa possibilidade.

O que você mais sente falta da época que jogava e o que não sente falta alguma?

O que eu não sinto falta é o ritmo de viagens, passar noite em avião e aeroporto, longas horas de espera. Isso não deixa saudade alguma. Agora dá saudade de disputar os grandes torneios, são lugares que às vezes acompanho pela TV e fica uma vontade de estar lá novamente.

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