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Bruno quer medalha olímpica e sonha com nº 1
24/12/2019 às 08h00
Felipe Priante

Principal nome do Brasil dos últimos anos ao lado do conterrâneo Marcelo Melo, o mineiro Bruno Soares encarou uma temporada movimentada, que começou e terminou com títulos, mas teve um meio sem tanto brilho e ainda com uma importante mudança, a troca do britânico Jamie Murray pelo croata Mate Pavic. Apesar das três conquistas em 2019, o duplista não conseguiu seus melhores resultados e, depois de iniciar o ano no sétimo lugar, vai terminar apenas no 21º.

Apesar de tudo, Bruno sai positivo da temporada, cheio de lições e ainda bastante motivado para buscar novas conquistas. Em entrevista exclusiva para TenisBrasil, o mineiro de 37 anos garantiu ter ainda lenha para queimar e que um de seus principais objetivos para 2020 é conquistar uma medalha olímpica. Ele também disse que continua a sonhar com o número 1, algo que já esteve bem perto, mas alcançou no máximo a segunda colocação.

“Quero uma medalha olímpica. Já batemos na trave duas vezes e é mais um grande sonho. Seria muito especial para o tênis, que ainda não tem nenhuma”, contou o duplista mineiro, que ainda almeja a liderança do ranking. “Acho que pensar nisso quando está em 21º é muito distante, mas é uma coisa que eu ainda acredito poder alcançar. Estou jogando ainda em um nível bom o suficiente para brigar”, observou Soares.

O mineiro ainda fez um balanço da temporada que passou, falou sobre o rompimento com Murray e explicou os motivos por ter se juntado a Pavic, que tem um estilo bem diferente de seu antigo parceiro. “Vinha jogando com Jamie que é um completo oposto dele, muito firme na rede, que está sempre lá, mas pensava muito na parceria que tinha com o Alex (Peya), que era um cara muito forte do fundo”.

Veja a entrevista completa com Bruno Soares:

Nessa temporada que passou você começou em sétimo no ranking e terminou em 21º. Que avaliação você faz desse 2019?

Meu 2019 foi um ano de mudanças, pela troca da parceria. Também foi um pouco frustrante em um período por causa dos resultados. Com o Jamie tivemos um bom início de temporada, não fizemos nada de espetacular, mas estávamos sólidos e em quinto na corrida quando ele quis separar. Depois que comecei a jogar com o Mate, demoramos muito a engrenar. Senti que estávamos bem e as coisas estavam redondas, mas não conseguíamos vitórias e isso foi frustrando um pouco a gente. O mais importante foi conseguir jogar bem no fim do ano e o título que conquistamos em Xangai foi muito importante, não apenas por ganhar um Masters 1000, mas por mostrar para gente que tudo que acreditávamos realmente se confirmou, que podíamos jogar naquele nível e ganhar de qualquer um. O ano não foi como os outros que vinha tendo, mas agora é focar em 2020, que vai ser minha primeira temporada inteira com o Mate.

Apesar de tudo isso, os números não foram ruins. Você venceu apenas três jogos a menos do que no ano anterior e teve duas derrotas a mais. Faltou ir melhor nos torneios maiores, principalmente nos Grand Slam?

Como eu ja falei, tive um início de ano sólido com o Jamie e ganhamos muitos jogos, mas batemos em muitas quartas e semis. Apesar de termos conquistado Sydney, não fizemos muita coisa nos torneios maiores e isso é que faz a diferença. Nos Grand Slam, tirando as quartas na Austrália, os outros foram bem ruins, levei primeira rodada em Roland Garros e segunda em Wimbledon e no US Open. E nos Masters 1000 teve um buraco ali em que não joguei muito bem. Para estar bem no ranking você tem que jogar bem nos torneios grandes, é isso que faz você ser 7 do mundo e não 21. Foi o que a gente fez em Xangai e sabemos que podemos estar nesse nível.

Os três títulos conquistados são as melhores coisas que dá para tirar da temporada ou tem alguma coisa a mais?

Acho que Xangai foi sem dúvida nenhuma o ponto alto da temporada. Claro que os títulos em Sydney e Stuttgart são importantes e fico muito feliz, mas a conquista de um Masters 1000 é muito expressiva e principalmente da forma que ganhamos lá. Foram cinco vitórias em dois sets, perdemos o saque apenas na semifinal, jogamos muito firme e ganhamos de três duplas muito fortes nas três últimas rodadas: os colombianos nas quartas, Jamie e Skupski na semi e do Marcelo na final. Vencemos de uma maneira muito convincente, foi a semana que tudo encaixou e pegamos o caneco.

Nessa troca de parceria, quanto tempo levou para vocês dois decidirem que não iam jogar mais juntos? E como foi o processo de buscar um novo parceiro?

Até que foi bem rápido para ser sincero. Quando perdemos em Roma, o Jamie foi para casa dar uma descansada e eu para a minha, então ele me ligou e me pegou de surpresa. Não tínhamos falando em momento algum disso. Batemos um papo e ele explicou os motivos dele. Sou um cara muito tranquilo quanto a isso, apesar de a gente ser amigo é algo que faz parte, isso aqui é um negócio e o cara tem sempre que olhar o que é acha ser melhor. Perguntei para ele o que estava querendo, ele disse que não sabia e que queria minha opinião também. Disse que deveríamos jogar Roland Garros juntos porque estava muito em cima e depois para a temporada de grama cada um tinha tempo para correr atrás de alguém para jogar até o fim do ano. Obviamente já sabia que ele tinha um parceiro, ninguém faz isso para ficar sozinho. Então sentei com o Hugo (Daibert), meu treinador, para termos uma ideia, pois nunca havíamos pensado sobre isso antes e foi uma surpresa. Fizemos uma listinha de jogadores com os quais achávamos que eu podia jogar bem e entrosar. Por sorte, o Mate foi o primeiro cara que eu tentei. Peguei ele de surpresa totalmente, me pediu então uns dias para pensar e ver as coisas para depois me responder. Deu uns três ou quatro dias e ele me ligou de volta para falar que estava dentro.

Ele estava procurando alguém? Você já sabia que poderia rolar a parceria?

Não, na verdade isso é meio que uma reação em cadeia, está todo mundo jogando ali no circuito e de repente alguém se separa, chama um outro. Às vezes esse outro está meio balançado, que era o caso dele, que estava assim com o Marach, e aí o cara acaba animando. Então o Marach chama outro que também estava balançado... Na dupla acontece muito disso, você vê que de repente quatro acabaram trocando.

O que levou você e o Hugo a colocarem o Mate em primeiro dessa sua lista?

Acho que ele tem algumas coisas que eu gosto. Ele é novo, alto e canhoto. Saca muito bem, eu queria um cara assim, e queria também um cara firme do fundo da quadra. Vinha jogando com Jamie que é um completo oposto dele, muito firme na rede, que está sempre lá, mas pensava muito na parceria que tinha com o Alex (Peya), que era um cara muito forte do fundo. Nós dois devolvíamos muito bem e colocávamos bastante pressão nos adversários do fundo, o Mate é um cara parecido e até mais agressivo do que o Alex. Foi muito nessa linha. Mas nessa hora de mudança também não tem tantas opções, você imagina alguém e corre atrás. Kontinen e Peers não vinham num grande momento, dava para falar com um dos dois e de repente ele pode animar. Você não tem tanta opção. Eu me dou bem com o Mate, isso também já facilitava muito.

 
 
 
 
 
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That look when @robertfarah makes the hook. No, he didn’t hook me #insidejoke. Great week in Cinci. Let’s go NYC #usopennext #sugarfish #sushilovers #sushiandgt

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O começo da parceria não foi bom em questão de resultados. A adaptação em relação à mudança no estilo do parceiro foi um fator que pesou nessa hora?

Com certeza, o estilo de jogo dos dois é muito diferente, então demora um pouco para entender os padrões e posicionamento. Já falei em outras entrevistas que eu dei, senti que mesmo assim estávamos jogando bem, mas deixávamos o jogo escapar sempre, perdíamos mais break-points e acabávamos perdendo no tiebreak. Ficamos nessa linha por um bom tempo. Cincinnati foi um torneio que conseguimos uma melhor sequência e depois veio Xangai, mas demorou um pouquinho para essa combinação do entrosar e das expectativas dos resultados entrarem na linha.

Contando tudo isso que passou em 2019, como você termina o ano?

Não foi a temporada mais positiva de todas, mas continuei bem e terminei o ano em 21º, vou conseguir jogar todos os torneios em 2020, vou sair de cabeça de chave nos Grand Slam e isso é importante. Ano que vem vai ser correr atrás do prejuízo. Foi também uma temporada de mudanças e aprendizados, sou um cara positivo em relação a isso. Acho que tenho que pegar essas lições e usar em prol dos resultados, é sacudir a poeira e tocar a bola para frente.

Quais seus objetivos para a temporada que vem?

Acho que é voltar para o top 10 e classificar para o ATP Finals, essas são as metas principais. Se você está no Finals é porque teve um grande ano. Obviamente também é tentar ganhar Grand Slam, Masters 1000 e brigar pelo número 1. Temos totais condições disso, provamos para nós mesmos que podemos fazer isso.

O número 1 é uma coisa que ficou faltando?

Sem dúvida, estive muito perto algumas vezes e realmente é um sonho conquistar isso aí. Acho que pensar nisso quando está em 21º é muito distante, você precisa ir no passo a passo, mas é uma coisa que eu ainda acredito poder alcançar. Estou jogando ainda em um nível bom o suficiente para brigar.

 
 
 
 
 
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🖤🖤🖤 #Eterno #AMunhequeira #VaiBrasil

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No próximo ano temos os Jogos Olímpicos de Tóquio. Você e o Marcelo planejam alguma coisa para não chegar lá um pouco mais entrosados? E qual sua expectativa para as Olimpíadas?

É um dos meus focos principais no ano que vem, quero uma medalha olímpica. Já batemos na trave duas vezes e é mais um grande sonho. Seria muito especial para o tênis, que ainda não tem nenhuma medalha. A gente ainda vai sentar para programar e ver se jogamos alguma coisa juntos e chegar bem preparados para as Olimpíadas, mas já demos uma conversada e vamos fazer o mesmo esquema da última vez, passando mais semanas juntos nos torneios. Fizemos isso no último ciclo, ao invés de treinarmos o tempo todo com nossos parceiros, às vezes eu e o Marcelo treinávamos juntos e fazíamos alguns sets com as outras duplas. Querendo ou não ajuda, mesmo não sendo a disputa de um torneio.

Que duplas você vê com boas perspectivas em Tóquio?

Os Bryans são caras que não dá para tirar nunca. As outras é assim: a Romênia sempre vai ter uma dupla forte, com Tecau e mais um, a Holanda vai vir forte com Haase, Koolhof, Rojer e Middelkoop, a Espanha com certeza terá duas duplas muito fortes, tem também a Argentina com Zeballos e Gonzalez. Vai ter muita gente boa, tem também Sock com mais alguém nos Estados Unidos, os franceses com Herbert Mahut e os colombianos. O interessante das Olimpíadas é que como muita gente joga com alguém de outro país no circuito, você acaba vendo umas parcerias sem muito banco de dados. Além disso junta a galera de simples e vira aquela bagunça muito forte.

Esses jogadores de simples acabam dificultando ainda mais para os duplistas? É mais positivo ou negativo quando eles jogam?

Depende muito, pois tem muito dos tops que jogam muito bem dupla e outros que são bem abaixo. Se você pega caras como Federer, Nadal e Murray, são ótimos nas duplas, mas têm outros que não vou citar nomes, que não têm o mesmo desempenho.

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