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Bellucci confia em retorno ao top 100 e aos ATP
12/12/2019 às 08h00

Bellucci teve uma temporada com mais derrotas do que vitórias e terminou 2019 fora do top 300

Foto: João Pires/Fotojump
Felipe Priante

O paulista Thomaz Bellucci teve um ano para se esquecer em 2019. Em sua primeira temporada completa desde o problema com o antidoping, o canhoto de Tietê acumulou lesões e resultados bem abaixo do esperado, terminando na 324ª colocação no ranking. Ele não disputou um torneio ATP sequer e mesmo nos challengers não foi muito bem, somando 18 vitórias em 37 partidas.

“Foi um ano bem ruim, um pouco pelas lesões que eu tive, que me deixaram afastado por quase quatro meses. Ficou muito aquém do que esperava, mas tenho que olhar para frente”, reconheceu o ex-número 21 do mundo em entrevista exclusiva para o TenisBrasil. Apesar de tudo, Bellucci não perde a motivação e nem o otimismo, confiando que possa reencontrar seu melhor tênis e dar a volta por cima em 2020.

Perto de completar 32 anos, o paulista acredita em resultados melhores na próxima temporada. “Acho que ainda posso jogar bem e se não achasse que pudesse voltar ao top 100 não continuaria. Não estou jogando para ficar nos challengers, quero voltar aos ATPs e sei que posso fazer isso”, afirmou Bellucci, que não figura entre os 100 do ranking desde outubro de 2017.

Veja a entrevista completa com o atual número 7 do Brasil na ATP:

 
 
 
 
 
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Feliz de estar de volta as quadras. Acho que o resultado dessa semana é um mero detalhe, ainda tenho muito a melhorar e voltar a estar 100% fisicamente. Foram quase 3 meses sem competir e tenho certeza que cada dia me recuperando me fizeram mais forte e motivado em alcançar os meus objetivos. A vida é cheia de altos e baixos, o importante é seguir em frente e dar o seu melhor independente das circunstâncias. #angaassetmanagement #elemidia #wilsontennis_br #uomosport

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A temporada que passou foi a primeira completa que você teve desde a problema com o antidoping. O que ficou faltando para encontrar seu melhor tênis?

Faltou tudo, foi um ano bem ruim, um pouco pelas lesões que eu tive, que me deixaram afastado por quase quatro meses. Depois para voltar é sempre ruim, você leva um tempo para retomar o ritmo. E mesmo quando eu estava bem, não consegui ter uma sequência de resultados bons. Acho que no momento que estava melhor foi agora no fim do ano, mas perdi muitas chances em alguns jogos. Foi um ano difícil, muito aquém do que esperava, mas tenho que olhar para frente. Acabei mais cedo justamente para me preparar bem para o próximo, que com certeza vai ser bem melhor do que esse.

Você lembra de todas as lesões que teve e qual delas foi a que mais te custou para recuperar?

A do tornozelo ainda me dói. Machuquei em março, fiquei quase três meses sem jogar e quando voltei, no segundo torneio, machuquei as costas. Aí fiquei mais um tempo sem jogar, destreinei completamente e já era junho/julho. Ficar quase quatro meses sem jogar é difícil, porque os caras estão com ritmo, jogando toda semana. Além disso meu ranking foi caindo e ficou mais difícil de entrar nos torneios. Nunca tive muitas lesões e por isso foi difícil para mim.

Mesmo assim você conseguiu alguns resultados razoáveis. Deu para sentir pelo menos que quando esteve saudável deu para jogar bem ou a falta de ritmo atrapalhou bastante?

A parte técnica ficou aquém. Estou fazendo alguns ajustes no meu saque e na minha direita, que estiveram um pouco abaixo do que havia mostrado em toda minha carreira. Joguei uns 20 torneios esse ano e fiz cinco ou seis resultados bons, mas em metade deles eu mal estava preparado para jogar. Ano que vem quero tentar passar saudável a temporada inteira.

Neste ano você jogou apenas challengers e nenhum ATP. Você sente essa mudança de nível nos torneios que disputa ou não faz tanta diferença?

No começo você sente sim, porque a estrutura dos torneios é bem inferior. Tem hotel que é pequeno e longe do clube, mas é o caminho que preciso percorrer. Foi uma transição dura, além do mais a maioria desses torneios eu nunca tinha jogado e precisei me adaptar.

 
 
 
 
 
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Começando a 3a semana de fisioterapia. Infelizmente não vou conseguir jogar Roland Garros esse ano, mas espero estar de volta às quadras em algumas semanas. Obrigado a minha equipe pelo esforço diário na minha recuperação! #elemidia #uomosport #timeguga #wilson #angáasset

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Você vai fazer 32 no fim deste ano. Como está a motivação para continuar jogando?

Por incrível que pareça, quando jogava os torneios grandes, o último do ano era Paris-Bercy e eu chegava lá muito cansado. Às vezes perdia na primeira rodada lá e ficava até feliz, porque estava tão desgastado que queria tirar férias o mais rápido possível. Por mais que essa temporada tenha sido ruim, com pouquíssimas vitórias, terminei motivado e não tão desgastado quanto antes. Agora também sei lidar bem melhor com as derrotas, os momentos negativos, os altos e baixos. Estou motivado, acho que ainda posso jogar bem e se não achasse que pudesse voltar ao top 100 não continuaria. Não estou jogando para ficar nos challengers, quero voltar aos ATPs e sei que posso fazer isso.

Olhando para o momento: o que falta para você conseguir jogar seu melhor ou pelo menos perto do seu melhor tênis?

Acho que alguns aspectos técnicos do meu jogo eu preciso melhorar, principalmente o saque e a direita. Já falei que venho trabalhando nisso. Meu saque e minha direita estão aquém do que nos anos em que estava jogando bem. Acho que tenho que ser mais agressivo com esses golpes, acabei meio que saindo um pouco do que é minha essência, que é ficar mais dentro de quadra e decidir os pontos cedo, sem trocar tanta bola com os caras. Fugi um pouco disso nos últimos anos e não foi bom para mim. Sempre fui o cara que toma mais a iniciativa dentro de quadra, que corre os riscos e erra mais, mas que também ganha mais pontos.

Essa questão do saque e do forehand, você consegue enxergar por que acabou perdendo isso?

Foi uma mistura de coisas. Quando estava lá em cima, entre 30 e 40 do mundo, tentei fazer umas mudanças na técnica do meu saque que foram ruins. Ao invés de melhorar, piorou. São decisões que você toma tentando jogar melhor, mas que não foram satisfatórias para mim. Com o tempo você acaba perdendo um pouco de confiança e duvidando do que precisa fazer, mas não vejo um culpado nisso. O maior culpado sou eu, que não consegui manter o nível nesses últimos dois anos.

 
 
 
 
 
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So tenho a agradecer pela semana que tivemos no Rio Open, foi uma semana incrível, è muito bom poder fazer o que amo para um estádio lotado, a torcida foi demais. A vitória não veio, um dia se ganha, um dia se perde, o mais importante è seguir em frente. Tem derrotas que doem muito, mas nos fazem aprender, crescer e tentar novamente. Obrigado ao Rogério pela semana, obrigado a torcida, minha equipe, meus patrocinadores, minha família, e a todos que seguem acreditando em mim! #uomosport #angaassetmanagement #timeguga #rioopen

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Até onde você acredita que consiga estar de volta?

Não sei, essa é uma pergunta difícil de se responder. Nunca achei que poderia ter chegado a 21 do mundo, agora não sei qual o meu limite. Com certeza entre os 100 eu posso estar de volta. Não acho que estou abaixo do nível dos caras que estão jogando os ATPs. Se eu tiver que continuar jogando os challenger por muito tempo vou parar de jogar, meu objetivo é voltar para os ATP.

Você estava treinando em Alphaville nessas últimas semanas. Voltou de vez ao Brasil?

Nos últimos dois anos fiquei bastante tempo nos Estados Unidos, mas nesse último eu passei bem menos e voltava para o Brasil entre os torneios. Acho que na próxima temporada vai ser igual, vou fazer a pré-temporada lá, mas entre os torneio voltarei para São Paulo.

Já há algum planejamento para o pós-carreira?

Ainda não tenho nada planejado, mas sei que quero continuar ligado ao tênis para passar minha experiência adiante. Acho que o Brasil está carente de jogadores que passem isso para os mais novos, ajudando a galera a se desenvolver. Mas estou 100% focado na carreira de jogador e se ficar pensando nisso vai ser negativo, o circuito já demanda muito empenho e energia para ter tempo para fazer esse tipo de plano.

Quais as suas metas para 2020?

Estou motivado e se fizer o que tenho que fazer, os resultados virão naturalmente. Por mais que eu já tenha quase 32 anos, você vê que tem vários caras jogando cada vez melhor apesar da idade. A longevidade no tênis avançou e por isso me vejo jogando muitos anos se conseguir.

O que você diria para quem não acredita que Thomaz Bellucci não pode voltar ao top 100?

Nunca ninguém acreditou que iria chegar a 21 do mundo. Hoje em dia, com certeza ninguém acredita que vou voltar para o top 100, mas isso não muda minha convicção de seguir trabalhando e acreditando que posso voltar a jogar bem. Se fosse jogar porque as pessoas acreditam em mim ou não, talvez eu nem tivesse começado.

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