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O ano do tênis internacional em 12 capítulos
11/12/2019 às 08h47

Ashleigh Barty conquistou seu primeiro Grand Slam em Roland Garros e terminou o ano na liderança do ranking

Foto: Arquivo
por Mário Sérgio Cruz

Enquanto o tênis masculino teve mais uma temporada com domínio dos primeiros colocados no ranking em grandes torneios, o ano de 2019 também marcou a consolidação de uma nova geração do circuito feminino. Jovens jogadoras conquistaram títulos importantes e assumiram o protagonismo no ranking, enquanto algumas ex-líderes perderam espaço.

Este também foi um ano agitado nos bastidores do circuito, com troca de comando na ATP e em seu conselho de jogadores. A temporada também fica marcada pela história de superação de Andy Murray, pelas novas tentativas de Serena Williams atingir um sonhado recorde, e também pelas despedidas de nomes que marcaram época na modalidade. Em paralelo, fatos importantes marcaram o tênis brasileiro em 2019.

Acompanhe o resumo do TenisBrasil sobre as histórias mais marcantes na temporada do tênis internacional.

Nadal volta ao número 1 e fica mais perto do recorde
De volta à liderança do ranking mundial, Rafael Nadal ficou mais perto de igualar o recorde de títulos de Grand Slam de Roger Federer. Em 2019, o espanhol foi campeão de Roland Garros e do US Open e tem agora 19 troféus em torneios deste porte, apenas um a menos que o rival, que passou 2019 em branco.

Desde que conquistou seu primeiro Slam, no saibro de Paris em 2005, Nadal nunca esteve tão próximo de igualar os números de Federer. Naquela época, o suíço já tinha quatro troféus. Até mesmo quando Federer amargou um jejum de quase cinco anos sem conquistas em Grand Slam, entre 2012 e 2017, a diferença nunca havia sido menor que três títulos.

Outro forte candidato ao recorde de títulos é Novak Djokovic. Dono de 16 títulos de Grand Slam, o sérvio está com 32 anos, contra 33 de Nadal e 38 de Federer. Ele pode até ultrapassar o espanhol e se igualar ao suíço já em 2020 se conseguir a difícil façanha de ganhar os quatro Grand Slam no mesmo ano. Ele já venceu os quatro eventos de forma consecutiva, mas não dentro de uma mesma temporada. O feito foi entre Wimbledon/2015 e Roland Garros/2016.

Renovação no topo e novas rivalidades do circuito feminino
A temporada de 2019 marcou uma renovação na elite do circuito feminino. Naomi Osaka venceu o Australian Open aos 21 anos, enquanto Ashleigh Barty triunfou em Roland Garros aos 23. A japonesa e australiana disputaram a liderança do ranking ao longo da temporada, com Barty encerrando o ano como número 1 do mundo.

Quem também vem subindo muito rápido no ranking é Bianca Andreescu. A canadense de apenas 19 anos começou a temporada na 152ª posição do ranking, mas já está no top 5. Ela foi campeã em Indian Wells, Toronto e no US Open. Na reta final da temporada, Osaka protagonizou bons duelos contra Barty e Andreescu em Pequim, dando indícios do surgimento de interessantes rivalidades no futuro.

Por falar em renovação, outra jogadora com muito a evoluir é Coco Gauff. A norte-americana de apenas 15 anos chegou às oitavas de final em Wimbledon e a terceira rodada do US Open, além de conquistar seu primeiro WTA em Linz. Ela aparecia apenas no 879º lugar do ranking no fim do ano passado e já ocupa a 68ª colocação. Destaque ainda para Amanda Anisimova, semifinalista de Roland Garros aos 17 anos, e Marketa Vondrousova, vice em Paris aos 19. 

Federer conquista seu 100º título
A vitoriosa carreira de Roger Federer ganhou mais uma marca expressiva em 2019. O suíço conquistou em Dubai seu centésimo título em torneios da ATP. Campeão também no Masters 1000 de Miami, na grama de Halle e nas quadras cobertas da Basileia, o veterano de 38 anos acumula 103 conquistas e está mais perto de igualar o recorde do tênis masculino, que pertence a Jimmy Connors com 109 troféus.

De quebra, Federer também ficou mais perto de outra marca de Connors. O norte-americano é o recordista em número de vitórias, com 1.274 no total, enquanto o suíço venceu 1.237 jogos na carreira. Na última temporada, o atual número 3 do mundo conseguiu 53 vitórias e sofreu apenas dez derrotas.

Serena bate na trave mais duas vezes
Assim como havia acontecido em 2018, Serena Williams teve duas novas chances de conquistar o sonhado 24º título de Grand Slam e igualar a marca de Margaret Court como a maior vencedora de Slam em todos os tempos. A norte-americana perdeu a final de Wimbledon para Simona Halep e a do US Open para Bianca Andreescu.

Serena já está com 38 anos e não conquistou títulos desde o nascimento da filha, Alexis Olympia, em setembro de 2017. Mesmo disputando apenas oito torneios na temporada, ela conseguiu se manter bem colocada no ranking e aparece atualmente na 10ª posição. Outras boas campanhas foram as quartas de final na Austrália e o vice-campeonato em Toronto.

Djokovic salva dois match points e conquista Wimbledon
O número 2 do mundo Novak Djokovic ganhou mais dois títulos de Grand Slam em 2019. Depois de começar a temporada sendo campeão na Austrália, o sérvio conseguiu uma vitória dramática para vencer Wimbledon.

Djokovic precisou salvar dois match points para vencer Roger Federer por 7/6 (7-5), 1/6, 7/6 (7-4), 4/6 e 13/12 (7-3) em 4h57 de disputa. Com isso, o jogador de 32 anos conquistou seu quinto título em Londres e o 16º Grand Slam de sua carreira. De quebra, impediu que o suíço ampliasse sua vantagem no recorde de conquistas em torneios deste porte.

A partida foi também a primeira no Grand Slam londrino após a mudança de regra que estabeleceu um tiebreak no último set se a parcial chegar empatada por 12/12. Esta também foi a final mais longa na história do torneio, disputado desde 1877.

Murray volta a ser campeão depois de cogitar aposentadoria
A ano de Andy Murray foi de fortes emoções dentro e fora de quadra. Ainda em janeiro, às vésperas de estrear no Australian Open, o britânico anunciou que iria se aposentar em Wimbledon. Quase um ano depois de passar por sua primeira cirurgia no quadril, o ex-número 1 do mundo ainda convivia com dores.

Murray recebeu homenagens em quadra após a derrota para Roberto Bautista Agut em batalha de cinco sets na primeira rodada em Melbourne. Semanas depois, passou por uma segunda operação e colocou uma prótese metálica no quadril. O britânico voltou às quadras jogando duplas no ATP 500 de Queen's, em Londres, e venceu o torneio ao lado de Feliciano López. Ele voltaria às competições de simples dois meses depois e foi campeão do ATP 250 da Antuérpia, em quadras duras e cobertas.

Medvedev disputa seis finais seguidas
O russo Daniil Medvedev deu um salto de qualidade em 2019. Ele havia começado o ano no 16º lugar do ranking e termina na quinta posição. O melhor momento na temporada para o jovem jogador de 23 anos foi entre os meses de agosto e outubro, quando ele disputou seis finais seguidas.

Medvedev conquistou dois títulos seguidos de Masters 1000, em Cincinnati e em Xangai. Ele também alcançou sua primeira final de Grand Slam, no US Open, onde foi superado por Rafael Nadal. O russo ainda seria campeão jogando em casa, em São Petersburgo, e ficou com vices em Washington e Montréal. Já na reta final do ano, perdeu na estreia em Paris e foi eliminado ainda na fase de grupos do ATP Finals.

Sharapova, Kerber e Muguruza caem no ranking
Ao mesmo tempo em que novas jogadoras apareceram na disputa pelas primeiras posições, outras ex-líderes do ranking não tiveram a mesma sorte em 2019. Atletas experientes como Angelique Kerber, Garbiñe Muguruza e Maria Sharapova perderam espaço.

Kerber não chegou a fazer um ano ruim, mas começou a temporada na vice-liderança e terminou na 20ª posição. Ela não conquistou títulos, apesar de ter alcançado três finais. Muguruza conseguiu defender o título em Monterrey, mas caiu do 15º para o 35º lugar do ranking. Ambas terão novos treinadores em 2020, a alemã com Dieter Kindlmann e a espanhola ao lado de Conchita Martinez. Já Maria Sharapova operou o ombro em fevereiro, disputou só oito torneios e despencou do 27º para o atual 131º lugar do ranking.

Novas polêmicas de Nick Kyrgios
Como de costume, Nick Kyrgios se envolveu em uma série de polêmicas ao longo da temporada. A primeira confusão foi com Rafael Nadal em Acapulco, quando o australiano venceu uma batalha de 3h03 salvando um match point. O jogo ficou marcado por um saque por baixo que deu o que falar... Semanas depois, em Miami, discutiu com um torcedor durante a partida contra o sérvio Dusan Lajovic. 

Já na temporada de saibro, acabou desclassificado da partida contra o norueguês Casper Ruud pelo Masters 1000 de Roma. Na ocasião, o australiano acumulou infrações disciplinares, sofrendo antes com a perda de um ponto e de um game, e ainda arremessou uma cadeira em quadra. Ainda na capital italiana, deu uma polêmica entrevista ao jornalista norte-americano Ben Rothenberg, em que atacou Nadal e Djokovic.

Meses depois, Kyrgios voltou a aprontar das suas. Em jogo contra o russo Karen Khachanov pelo Masters 1000 de Cincinnati, o australiano teve discussões ríspidas com o árbitro Fergus Murphy, quebrou raquetes e foi punido com a perda de um ponto. Após os incidentes, a ATP deu pesada multa e anunciou que o australiano ficará sob observação nos próximos seis meses e corre o risco de ser suspenso do circuito.

Colombianos se destacam nas duplas
Os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal foram merecidamente reconhecidos como a melhor dupla da temporada. Em 2019, Farah e Cabal conquistaram seus dois primeiros títulos de Grand Slam, em Wimbledon e no US Open. Eles acumularam cinco títulos na temporada e conseguiram 49 vitórias no circuito.

Ano agitado nos bastidores
Fora das quadras, o ano também foi bastante agitado. Ainda no mês de março, foi definido que o então presidente da ATP Chris Kermode não teria seu contrato renovado ao fim da temporada. A decisão desagradou Rafael Nadal, que pedia a permanência do mandatário. O novo presidente será o italiano Andrea Gaudenzi. A Itália também será o país sede do ATP Finals a partir de 2021. O evento sai de Londres e vai para Turim.

Houve também um desentendimento sobre a permanência do ex-jogador Justin Gimelstob no quadro diretivo da ATP, já que ele respondia por graves acusações de violência física e homofobia na justiça dos Estados Unidos. Mesmo fora do Conselho, Andy Murray e Stan Wawrinka deram declarações firmes e que contribuíram para o desligamento do dirigente.

Ao mesmo tempo, jogadores Jamie Murray, Sergiy Stakhovsky e Robin Haase deixaram o conselho. As vagas foram ocupadas por duas estrelas do esporte, Roger Federer e Rafael Nadal, além do veterano austríaco Jurgen Melzer. Federer e Nadal se juntaram ao conselho atualmente presidido por Novak Djokovic e que tem como vice o sul-africano Kevin Anderson.

Outra briga envolveu a ATP e Federação Internacional de Tênis (ITF). A Copa Davis teve sua primeira edição após uma mudança radical no formato de disputa. Os direitos da centenária competição foram comprados pela empresa do jogador de futebol Gerard Piqué, que promoveu uma fase final entre 18 países ao longo de uma semana em Madri. A anfitriã Espanha ficou com o título. Coube à ATP criar sua própria Copa do Mundo. A ATP Cup será disputada a partir de 2020 na Austrália e dará pontos no ranking mundial.

Outra polêmica da Federação Internacional diz respeito ao chamado circuito de transição, que engloba os torneios de menor premiação do tênis profissional. O modelo de reestruturação do circuito foi bastante criticado pelos tenistas de ranking mais baixo, já que alguns acabaram ficando sem pontos nas listas da ATP e da WTA, e treinadores renomados abraçaram a causa. A solução foi voltar a computar os pontos a partir de agosto.

Despedidas de Ferrer, Berdych, Wozniacki e irmãos Bryan
Tenistas que marcaram época ao longo dos últimos anos, encerraram suas carreiras profissionais ou definiram quais serão seus últimos torneios. O espanhol David Ferrer recebeu merecidas homenagens após o último jogo de sua carreira, em Madri. Os ex-top 10 Tomas Berdych e Marcos Baghdatis também se despediram. Quem também pendurou as raquetes foi o dominicano Victor Estrella Burgos, aos 39 anos.

Entre as mulheres, duas ex-top 5 acabaram se despedindo no mesmo jogo, Lucie Safarova e Dominika Cibulkova, durante partida de duplas em Roland Garros. A tcheca já havia feito o anúncio com antecedência, enquanto a eslovaca guardou segredo. A ex-número 1 do mundo Caroline Wozniacki irá parar de jogar no Australian Open, palco da conquista de seu único Grand Slam. Já a ex-top 10 Carla Suárez Navarro tentará fazer uma turnê de despedida.

Caso parecido é o da vitoriosa parceria dos gêmeos norte-americanos Bob e Mike Bryan, vencedores de 16 Grand Slam, 118 títulos e donos de mais de 1.100 vitórias jogando juntos. Eles pretendem encerrar a carreira no US Open do ano que vem.

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