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Aos 35, Rogerinho supera drama e segue motivado
05/12/2019 às 08h00
Felipe Priante

A temporada de 2019 não foi das melhores para o paulista Rogério Silva, que viveu momentos difíceis fora das quadras e acabou jogando bem menos do que o planejado. Sua sogra viu se agravar um câncer com o qual já convivia há tempos, fazendo com que Rogerinho deixasse momentaneamente o tênis de lado para concentrar forças na família. O drama do tenista de 35 anos terminou no fim do ano com o falecimento da sogra.

Depois de passar por momentos conturbados, Rogerinho se mostra mais sereno e preparado para mais um retorno ao circuito. “O objetivo agora é estar trabalhando no dia a dia, algo que não consegui fazer nesse ano que passou. Sei que não vai ser fácil, a idade te limita um pouco mais, mas me sinto muito bem”, afirmou o atual 238 do mundo em entrevista exclusiva ao TenisBrasil realizada na segunda edição do Pro-Am de Tênis JHSF.

Mesmo com todos os contratempos deixou o ano com o título do challenger de Playford, na primeira semana de 2019, e boas campanhas nas duplas, brilhando com o paulista Thomaz Bellucci nos ATP nacionais, fazendo semifinal no Brasil Open e terminando com o vice-campeonato do Rio Open. “Se eu consegui fazer isso apesar de tudo que estava acontecendo, acho que agora com a cabeça fresca posso ter uma boa temporada”, observou.

Rogerinho ainda falou sobre os planos para o futuro e revelou já planejar a transição para o pós-tênis. Ainda sem cravar nada, ele acredita que possa jogar uma ou duas temporadas a mais e garante que irá seguir trabalhando com a modalidade quando deixar o profissionalismo.

Veja a entrevista completa com Rogerinho:

 
 
 
 
 
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Campeão 🏆 Agradecer a Deus,minha família,principalmente minha esposa e minha filha por estar sempre ao meu lado. A toda minha equipe, Fran yunis,Esteban gimenes (muneco),matti rizo, @marianogaute por estarem fazendo esse trabalho fantástico comigo... @babolat @lottosport 🔜 #australiaopen

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Qual sua avaliação da temporada que passou? O que tira de positivo e de negativo de 2019?

Essa temporada foi totalmente diferente, algo que eu nunca tinha vivido e não esperava viver. Foi um ano muito difícil fora da quadra e a gente tem que aprender com essas situações. Não pude jogar muito e em muitos momentos estava jogando, mas infelizmente não estava 100% psicologicamente. Além disso, tive bons resultados. Joguei 14 ou 15 torneios só e venci um challenger, isso é um ponto positivo. Mas não pude ter sequência e quando isso acontece fica difícil fazer milagre. Foi um momento que precisava estar mais em casa com a família e essa foi a escolha certa.

Para o ano que vem você acredita que conseguirá deixar tudo o que passou para trás e se focar de novo no tênis?

Com certeza, porque o que aconteceu nesse último ano é que não tinha continuidade. E também porque mesmo quando estava jogando tinha muita coisa acontecendo fora. Agora já passou um tempo e as coisas estão mais calmas. Acredito que 2020 possa ser um ano de uma retomada legal.

Um dos reflexos de não ter jogado tanto acabou sendo o ranking, caindo de 134º no começo do ano para o atual 238º lugar. Quanto isso te preocupa ou interfere no calendário?

Nunca me preocupei com ranking, graças a deus. Claro que se você está no top 100 e jogando os melhores torneios é positivo, mas é uma consequência de estar bem no dia a dia. Como não estava 100% focado, decidi encerrar a temporada antes, pois quando não estou assim não desfruto. A parte do ranking eu acho que consigo recuperar depois.

Você disputou apenas 15 torneios, mas nos poucos que jogou teve alguns bons resultados. Dá ao menos para tirar isso de positivo?

Se você olhar assim dá para ver que foi um bom ano, foram duas semifinais e um título, fiz uma final de ATP 500 nas duplas e outra semifinal em ATP 250. Se eu consegui fazer isso apesar de tudo que estava acontecendo, acho que agora com a cabeça fresca posso ter uma boa temporada.

 
 
 
 
 
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BRASIL NA FINAL! 🇧🇷 @belluccioficial e @rogeriodutrasilva disputam o título de duplas do #RioOpen neste sábado, contra @machigonzalez1 e @nicojarry. Garanta já seu ingresso em tudus.com.br/rioopen!

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Todos os afastamentos foram por questões familiares ou também por causa de lesão?

Tudo vai no mesmo caminho, quando você não tem uma constância e não está jogando todo tempo, você acaba sentindo alguma coisa. Mas não tive nada de grave. Como não tinha uma sequência, acabava sentindo dores pontuais por causa de a preparação não ter sido a ideal.

Em fevereiro você vai completar 36 anos. Quanto o peso da idade tem sido um fator? E como está a motivação para seguir competindo?

Eu me sentindo bem fisicamente e com a cabeça boa, vou continuar jogando. Fiquei um tempo em casa e pude ver como é o lado de fora, como é a ‘vida real’. Graças a Deus nunca fui um jogador de ter muita lesão e por isso acho que ainda dá para tirar algo mais.

Mesmo seguindo no circuito, imagino que por causa da idade você já pense no pós-tênis. Há alguma coisa em mente para isso ou é questão de esperar as coisas acontecerem primeiro?

Estou vendo ainda, mas quero seguir trabalhando com o tênis. É o que faço desde os cinco anos de idade e gostaria de passar isso para os mais novos: as experiências que eu tive, o jeito que eu vejo o tênis e poder ajudar as gerações futuras. Não sei se isso vai ser possível no Brasil, essa é a única questão que está em aberto. Pode ser aqui ou em algum lugar como os Estados Unidos.

Você já tem um plano para o fim da carreira ou vai esperando ver como as coisas andam para tomar uma decisão?

Acho que o próximo ano vai ser uma coisa de sentir como eu estou. Até hoje nunca tive problemas em voltar, sempre consegui voltar rápido. Vamos ver se consigo fazer isso de novo, recuperar aquela vontade de estar viajando o tempo todo e buscar os resultados. Será um ano bem para ver mesmo. A ideia é jogar por mais um ou dois anos, mas esse próximo vai ser importante para ver como as coisas andam, se estarei em um nível bacana de tênis. Às vezes você está jogando bem e o resultado não vem, mas isso sinaliza que você está no caminho certo.

E como estão suas metas para 2020?

O objetivo é estar trabalhando no dia a dia, algo que não consegui fazer nesse ano que passou. Sei que não vai ser fácil, a idade te limita um pouco mais, mas me sinto muito bem. A principal meta é conseguir uma sequência de torneios para aí sim ver o que acontece com os resultados.

 
 
 
 
 
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Que final de semana incrível , rever os amigos,tênis ,muitas risadas em um lugar incrível... Obrigado @grupotry @jhsfinstitucional @lotto 🏆

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