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Stakhovsky: 'Interesses pessoais ruíram o Conselho'
01/11/2019 às 08h44

Kiev (Ucrânia) - Os bastidores políticos da ATP ganharam bastante destaque na temporada de 2019, que teve a polêmica mudança de presidente da entidade, o desligamento do norte-americano Justin Gimelstob do Conselho de Jogadores e saída em massa de representantes do mesmo conselho, que logo em seguida viu o retorno de peso do suíço Roger Federer e do espanhol Rafael Nadal. Um daqueles que resolveu deixar sua posição no controle da ATP, o ucraniano Sergiy Stakhovsky não poupou palavras e foi enfático ao analisar o atual momento político.

Em entrevista para o portal Tênis da Ucrânia, ele disse que os interesses pessoais estavam corroendo o Conselho, acusou Gimelstob de tentar manter sua influência mesmo afastado do cargo e ainda destacou a importância do retorno de Federer e Nadal, alfinetando também a posição do sérvio Novak Djokovic, que segundo Stakhovsky estava alinhado com o norte-americano.

“Alguns dos participantes começaram a tomar decisões acordadas entre eles mesmos e tudo isso foi orquestrado por uma pessoa que não estava mais no Conselho (refere-se a Gimelstob). Ele foi forçado a largar sua posição, mas deixou tudo pronto para que continuasse influenciando o Conselho através de seu substituto e assim poder retornar no futuro”, declarou o ucraniano, que em seguida falou sobre como se deu a polêmica escolha do substituto do norte-americano.

"Se não me engano eram 15 candidatos e alguns não se enquadravam nos nossos critérios porque trabalhavam na USTA e eles não poderiam trabalhar nas federações. Depois de ficar com apenas seis, na minha opinião havia três deles muito destacados: Austin Nunn, Nicolas Lapentti e Mark Knowles. Knowles fez uma apresentação maravilhosa e parecia o mais forte com ideias interessantes, mas os mais votados foram Lapentti e Weller Evans”, contou Stakhovsky, apontando o último como o fantoche de Gimelstob.

 
 
 
 
 
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O ucraniano revelou que então houve uma divisão no Conselho e a metade que apoiava Evans estava irredutível. “Tudo começou a apodrecer, tomamos uma decisão errada, na minha opinião, e aceitamos Evans até o final do ano. Daí (Robin) Haase, (Jamie) Murray e eu saímos, porque estávamos cansados dessa bobagem”, afirmou o atual 147 do mundo, que estava no cargo há mais de seis anos e nunca antes tinha visto um momento tão ruim.

“Acho que a última composição do Conselho foi criada exclusivamente para perseguir alguns interesses pessoais e nos últimos sete meses não fizemos absolutamente nada”, disparou o ucraniano de 33 anos, que vê como positiva a volta de Federer e Nadal. “Eles anunciaram oficialmente seu desejo de retornar e ninguém poderia recusar suas propostas”, comentou Stakhovsky.

“Uma coisa é alguém dizer para mim: ‘sabemos mais do que você’, mas será que farão o mesmo com Federer e Nadal? Claro que não, e por isso os dois foram escolhidos para retornar. Se eles não tivessem aceitado a volta de Roger e Rafa uma explosão teria ocorrido. Aqueles que diziam que eram mais espertos que eu e que poderiam fazer melhor agora não podem dizer o mesmo a Federer”, finalizou o ucraniano.

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