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2030: saiba como será jogado o tênis do futuro
14/10/2019 às 20h05

Discussões entre juiz e tenista serão reduzidas com o uso das marcações totalmente eletrônicas no tênis

Foto: Arquivo
José Nilton Dalcim*

Quando o tênis profissional começou, em 1968, as raquetes de madeira ainda eram pesadas, as cordas feitas basicamente de tripa de carneiro, as trocas de bola estavam cadenciadas ao longo dos cinco sets de qualquer torneio, em que raramente um saque masculino passava dos 150 km/h. Os tenistas ainda se vestiam totalmente de branco, camiseta dentro do calção, e o circuito via o domínio das quadras de grama comparadas ao saibro.

Meio século depois, o esporte mudou radicalmente. O grafite tirou peso e deu flexibilidade às raquetes, vieram as cordas sintéticas e esse conforto acelerou notavelmente o jogo até para um simples amador. O saque dos homens supera em média os 200 km/h. Os uniformes ficaram coloridos, o piso sintético ocupa 70% do calendário e algumas regras importantes mudaram, com destaque especial para a chegada do tiebreak em 1970. Mais fortes e mais velozes, os tenistas agora têm carreiras cada vez mais longas.

Onde o tênis irá chegar? Em cinco, dez anos? Vejamos uma perspectiva para 2030.

Equipamento
Especialistas acreditam que os fabricantes de raquete estão chegando ao limite da criatividade. Formato um pouco mais quadrado, cabeça entre 100 e 110 polegadas e uso do grafeno, uma substância ainda cara porém extremamente resistente e flexível, são as tendências. Dispositivo eletrônico para análise de golpes em tempo real será incluído nas raquetes e assim tenistas poderão analisar seu desempenho minuto a minuto. As cordas devem continuar evoluindo, com material sintético cada vez mais flexível. O padrão de encordoamento '16x19' será mantido e a tensão voltará à casa das 54 libras.

O jogo
Saque e forehand continuarão a ser a base do tênis profissional, mas espera-se que os golpes de fundo fiquem mais 'retos', com menor uso do topspin, para acelerar o jogo. O movimento de saque em que se unem os pés para ganhar impulso e altura dominará o circuito de vez. Os forehands terão preparação cada vez mais curta, com cotovelo levantado, o que no entanto exigirá maior aceleração de braço. Os pontos passarão a ser mais curtos, com enfoque na explosão muscular.

As regras
A necessidade de limitar a duração dos jogos para o máximo de duas horas empurra o tênis a mudar o sistema de contagem para cinco sets de quatro games, com tiebrek no 3/3, sem vantagem no 40-iguais (no-ad) e sem a 'queimada' no saque. As modificações farão com que os sets tenham em média 20 minutos. A instrução será permitida com o treinador em quadra.

Tecnologia
Em vigor no tênis desde 2006, o hawk-eye será utilizado em todas as marcações da quadra e em todas as superfícies para os torneios de primeira linha (os atuais ATP 500, 1000 e Slam). Assim, haverá apenas o juiz principal para determinar questões mais subjetivas. Os tenistas profissionais terão a sua disposição uma central de atendimento médico com capacidade de análise e cura para principais tipos de lesão em tempo real, o que permitirá retorno imediato ao jogo com mínima interferência humana.

O tênis profissional
Há duas tendências para o tênis profissional: o surgimento de um quinto Grand Slam e o crescimento dos torneios por equipes (ou países) no formato misto, ou seja, com homens e mulheres

Comodidade
A entrada do público será por reconhecimento facial e a venda de ingressos acontecerá em tempo real, conforme vagas disponíveis em cada jogo e em cada estádio. O público estará livre para se movimentar o tempo inteiro.

* Com a colaboração e consultoria de André Lima, Fabrízio Tivolli, Ludgero Braga Neto e Patrícia Medrado.

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