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Tenistas da Síria relembram guerra e vivem no exílio
26/09/2019 às 16h16

Pierre Djaroueh (de costas) e Taym Alazmeh fazem parte da equipe síria da Copa Davis Júnior

Foto: Susan Mullane/ITF

Lake Nona (EUA) - Vindos de um país devastado por uma guerra civil que já dura quase uma década e que causou uma grave crise humanitária, jovens tenistas da Síria têm a oportunidade de buscar uma vida nova por meio do esporte. Eles estão na disputa da Copa Davis Júnior, Mundial para atletas de até 16 anos, realizada nesta semana nas quadras de har-tru (saibro verde) em Lake Nona, na Flórida.

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Esses jovens jogadores sírios já tiveram que treinar em áreas de conflito e hoje vivem longe do país. Ainda assim, defendem suas cores com orgulho. A Síria disputa a competição pela primeira vez e está no Grupo B, ao lado de França, Hong Kong e Ucrânia.

"É uma sensação incrível vestir uma camisa com a bandeira da Síria e o nome do meu país nas costas", disse Pierre Djaroueh, jogador de 16 anos e que hoje treina no Canadá. "Minha mãe esteve lá na Síria e me disse que as antigas quadras, onde eu costumava jogar, estão com balas e marcas de tiros por toda parte".

Mohamed Yaman Naghnagh, de 15 anos, diz que até jogou no meio do fogo cruzado em Damasco, capital de seu país. "É muito perigoso. Você vê foguetes pelo céu e uma bala já passou do lado da minha perna, mas continuei jogando. É isso o que nós fazemos", afirmou.

Também de 15 anos, Taym Alazmeh está há sete anos sem visitar seu próprio país. Ele vive há três meses na Alemanha, e antes estava em Doha, no Qatar: "Vivi sete anos na Síria. Saí de lá porque a situação estava ficando muito difícil e não era seguro".

Em entrevista ao site da ITF, o capitão sírio Wassim Zinnia destacou a experiência que seus jovens jogadores terão nesta semana. "Estou muito orgulhoso de meus jogadores. Taym, Pierre e Yaman são todos muitos bons. Nós vivendo esse sonho juntos e estou muito feliz em vê-los competindo aqui entre os 16 melhores times do mundo". 

O treinador espera que o esporte transforme a vida desses jovens e de outros no país. "Nossa missão é fazer com que o tênis continue existindo na Síria. Só se vive uma vez e você tem que lutar. Nós lutamos no tênis porque é o que amamos".

"Acho que meus jogadores aprenderam muito enfrentando alguns dos principais favoritos deste torneio. Jogamos contra um dos melhores times daqui e foram placares apertados”, refletiu Zinnia depois do confronto contra a França na estreia. "Podemos competir em alto nível. Eu disse aos meninos que eles podem fazer muito melhor e espero que eles consigam".

Vitória solitária em partida duplas
Durante a fase de grupos da competição, os sírios perderam os três jogos que fizeram contra a França e também diante de Hong Kong. Já nesta quinta-feira, comemoraram uma vitória nas duplas, apesar da derrota na série contra a Ucrânia.

Nos jogos de simples, foram duas vitórias dos ucranianos. Viacheslav Bielinskyi marcou 6/2 e 6/0 contra Taym Alazmeh, enquanto Mykhailo Mossur bateu Yaman Naghnagh por duplo 6/2. Já na partida de duplas, Taym Alazmeh e Pierre Djaroueh venceram Illya Maksymchuk e Mykhailo Mossur por 6/3 e 6/4. Como não conseguiram se classificar para as quartas de final, resta ao sírios a disputa do playoff que define do 9º ao 16º lugar na classificação final.

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