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Tivolli festeja 20 anos de trabalho e nova era do tênis
19/08/2019 às 17h02

Fabrizio Tivolli em Roland Garros

Foto: Arquivo pessoal

São Paulo (SP) - Um dos mais renomados especialistas em equipamentos para tênis do Brasil, Fabrizio Tivolli está completando 20 anos de experiência na área e 12 de parceria com TenisBrasil, como colunista de Equipamentos. Encordoador oficial do Aberto da Austrália em 2017 e do Brasil Open em três ocasiões, Tivolli é o proprietário e responsável pela área de tênis do grupo Tivolli Sports/ Raquetemania, no bairro de Alphaville, em Barueri.

“Nesse tempo todo, desde que comecei a escrever para TenisBrasil, acho que consegui divulgar mais o encordoamento. Eram tempos em que os jogadores não ligavam muito para isso", conta ele em entrevista exclusiva. "Hoje em dia, principalmente os jogadores amadores enxergam muito mais a sua importância, como uma peça essencial, e acho que ajudei muito nisso”.

Membro da Associação Europeia de Encordoadores, Tivolli também atuou em torneios e acha que a profissão ganhou status no país. “Trabalhar em torneios da ATP me mudou de patamar como encordoador, mundialmente falando. Vieram outros, o encordoamento foi profissionalizado. Acho que fui um dos precursores em fazer os encordoadores irem atrás das coisas e os tenistas a procurarem saber mais sobre o assunto e sobre equipamentos. Acredito que conseguimos colocar os encordoadores brasileiros no mapa mundial.”

O papel de sua coluna no site TenisBrasil, há cerca de 20 anos, também foi uma mudança de paradigma. Tivolli lembra que o começo da sua carreira coincide com o início da internet no país e que o TenisBrasil foi lançado em outubro de 1998. “A preocupação do TenisBrasil em destacar a área de equipamentos dentro de sua editoria Instrução foi essencial. Os jogadores amadores passaram a se informar mais sobre o assunto”.

Veja os principais pontos da entrevista.

Como evoluíram os equipamentos nos últimos 20 anos? Tanto no material das cordas como na chegada do encordoamento eletrônico?
Quando iniciei em 1999 o que dominava o mercado e o circuíto eram as cordas em nylon e tripas sintéticas (multifilamentos mais macias) Em máquinas manuais, as tensões usadas eram bem maiores por conta disso. Outro fator também era o número de cordas, já que o tamanho da cabeça ser menor. Praticamente não existiam o padrão 18 x 20 de cordas, o que deixa a raquete mais dura. A partir de então, começaram a vir as primeiras cordas de poliéster, e isso revolucionou de uma maneira avassaladora o mercado. O Guga teve papel importantíssimo nisso, sendo um dos primeiros jogadores de ponta a aparecer usando uma corda totalmente nova: as Luxilon, que ainda dominam o circuíto profissional. Essas cordas ofereceram uma forma diferente de se jogar e sentir a bola, mas também acabou com o braço de muita gente, pois a corda era mais desconfortável e muitos usavam as mesmas tensões altas, em máquinas mais precisas e em raquetes mais exigentes, demoraram alguns anos para entenderem que adaptações tinham que ser feitas... E então apareceram os encordoamentos híbridos e revolucionaram novamente, com milhares de variações e diferentes resultados, oferecendo alta versatilidade ao jogador, dando ao encordoador especializado um papel cada vez mais importante na ajuda da escolha do encordoamento adequado a cada cliente (seja amador ou profissional).
Por fim, as máquinas eletrônicas também ajudaram a revolucionar o encordoamento, já que são bem mais precisas e entregam raquetes mais tensionadas do que na máquina manual. Acredito que todos os equipamentos de tênis evoluíram, e muito, mas acredito que o encordoamento e tudo que o envolve evoluiu em um compasso bem maior do que o das raquetes, que também mudaram bastante para acompanhar a nova forma de se jogar tênis, que é bem diferente de 20 anos atrás.

Ser encordoador no Brasil já é uma profissão?
Antigamente eram poucos que davam a devida importância para o encordoamento, muito disso também era pelas poucas opções que tinham. A meu ver, para muitos o encordoamento era apenas algo que precisaria estar na raquete e se dava bem menos valor ao encordoador. Hoje isso mudou muito. Um bom encordoador precisa ter uma relação com seu cliente quase como um mecânico de carro de F1 com o piloto. Hoje existem cursos de profissionalização e certificados internacionais e muito mais informação. Há 20 anos, praticamente não existia internet! Acredito que para ser um bom encordoador hoje no Brasil, o profissional tem mais meios, mas precisa se dedicar bem mais. É sim uma profissão, com um nível de importância bem maior. Necessita de paixão e de dedicação.

Você foi convidado a encordoar no Australian Open. Como é trabalhar num Grand Slam?
Indescritível, o ponto alto dos meus 20 anos de carreira. Já tive a oportunidade de trabalhar em vários outros torneios ATP e tenho enorme carinho por todos, pois foram importantes para me habilitar a trabalhar em um Grand Slam. Para quem trabalha com tênis, o ponto máximo que você pode chegar é um Grand Slam, estar lá de certa forma simboliza estar entre os melhores do mundo no que você faz, seja um encordoador, um árbitro, um treinador ou um jogador. Tenho enorme orgulho de poder ter esse ponto no currículo. No mesmo ano que fui encordoador oficial no Australian Open, que teve uma final épica entre Federer e Nadal, tive também a oportunidade de estar dentro da sala de encordoamento de Roland Garros e pude me capacitar ainda mais com os melhores do mundo. Trabalhar nesses torneios também ajudam no dia a dia na loja, onde trazemos os aprendizados e experiências vividos por lá.

Quais as dúvidas mais frequentes que surgem na sua loja?
Conforme afirmei, hoje o diálogo dos clientes com o encordoador são bem maiores, pois o interesse cresceu muito. Cada pessoa que entra em minha loja tem uma prioridade diferente e precisa de decisões diferentes. Em geral, todos querem melhorar seu jogo (risos). Então eu e minha equipe, que é altamente treinada e capacitada para dar o melhor atendimento possível, precisamos entender exatamente o que cada tenista busca, e nem sempre o que ele realmente quer é exatamente o que ele está conseguindo expressar... Então diria que não tem uma dúvida principal, e sim o grande desafio de traduzir as expectativas de cada cliente em um kit de equipamentos adequado, e para isso é necessária muita informação e conhecimento.

Diminuir a tensão é uma tendência no tênis atual? Os profissionais também reduziram?
Sim, é uma tendência, mas diria que já foi mais. Pelas razões citadas anteriormente (materiais das cordas, máquinas e novas configurações das raquetes) foi necessário diminuir bem o parâmetro de tensão. Curiosamente hoje mesmo veio um cliente que não jogava há muitos anos e quer retomar. Ele pediu 58 libras em uma raquete 18x20 (o que é pouco usado hoje). Não que seja errado, nada é completamente certo ou errado no tênis, mas era óbvio que não era o que precisava no momento que vive. Então conversamos e ele saiu com 52 libras. Claro que depende muito da raquete e da corda escolhida, mas hoje, com o avanço das cordas, muitos modelos de poliéster (monofilamentos) oferecem bem mais conforto. Portanto, já é possível subir mais a tensão. Com as cordas antigas, o normal há 20 anos era se colocar entre 58 a 60. Depois, caiu para 50 a 52. Mas hoje, com o avanço tecnológico das cordas, dá para usar 54 sem problemas. O tênis é muito dinâmico, é preciso estar atento a isso.

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