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Bellucci: 'Tive uma das lesões mais graves da carreira'
28/06/2019 às 18h06

Bellucci segue em recuperação de entorse no tornozelo e planeja retornar em challenger italiano

Foto: Fotojump

por Mário Sérgio Cruz 

Depois de quase dois meses afastado das quadras para curar uma lesão no tornozelo esquerdo, Thomaz Bellucci prepara a sua volta ao circuito para o challenger italiano de Perugia, que começa no dia 8 de julho. O jogador de 31 anos não disputa uma partida desde o dia 25 de abril, quando abandonou seu jogo nas oitavas de final do challenger de Francavilla, também na Itália, onde enfrentava o alemão Oscar Otte.

Diferentemente dos primeiros prognósticos apresentados, que indicavam uma recuperação rápida, Bellucci acabou ficando fora dos qualificatórios de Roland Garros e Wimbledon. Em entrevista ao TenisBrasil, o ex-número 21 do mundo acredita que teve "uma das lesões mais graves de sua carreira".

Vencedor de quatro torneios da ATP e dono de seis vitórias contra top 10 no circuito, Bellucci aparece atualmente apenas no 257º lugar do ranking mundial. Ele lamentou o fato de ter se machucado justamente quando começava a ter uma sequência de vitórias na temporada, já que vinha de semifinais em Santiago e em Túnis, e segue confiante de que poderá voltar a lutar por títulos importantes.

"O que me motiva hoje é saber que eu ainda tenho potencial de conseguir resultados como os que eu sempre fiz nos torneios grandes. Acho que se eu não acreditasse nisso, eu já teria parado", disse Bellucci ao TenisBrasil. "É uma coisa normal ter esses altos e baixos. Isso não me faz pensar em parar ou fazer outra coisa da vida".

Bellucci viveu nos Estados Unidos durante pouco mais de um ano, no período em que treinava com André Sá e o espanhol Hermán López. Agora trabalhando praticamente o tempo integral com o técnico Thiago Alves, ele deve permanecer a maior parte do tempo treinando no Brasil. Os dois embarcam para a Europa na próxima quinta-feira, dia 4 de julho. A série de torneios passará por Amersfoort, Praga, Liberec, Augsburg e Meerbusch. Posteriormente, o objetivo será jogar o quali do US Open.

Confira a entrevista completa com Thomaz Bellucci. 

Quando você sofreu a lesão, havia a perspectiva de que você poderia voltar a jogar já no quali de Roland Garros. O que acabou acontecendo para o tempo de recuperação ser mais longo que o previsto?
Logo depois que eu machuquei lá em Francavilla, que eu torci o pé, fiz uma bateria de exames no dia seguinte. E como tinha sido uma lesão meio grave, não deu para visualizar muita coisa nos exames pela quantidade de edema que tinha nas imagens. Foi difícil dar um diagnóstico preciso.

Depois, quando eu voltei, comecei a fazer fisioterapia e passei no médico para refazer alguns exames. Vimos que a gravidade da lesão era um pouco maior do que a gente esperava e que ia demorar um pouco mais de tempo para eu voltar a jogar. O prognóstico ia ser mais longo que aquele de três ou quatro semanas. Teria no mínimo mais umas quatro ou cinco semanas, que é o tempo que já deu. Vai dar dez semanas agora. Na verdade, a partir do momento que a gente soube exatamente o que tinha acontecido, a recuperação foi exatamente como a gente tinha planejado.

Hoje, em qual estágio está sua recuperação? Você trabalha com uma data prevista para o retorno?
Eu já estou na fase final da recuperação. Já faz duas ou três semanas que eu entrei na quadra. Estou progredindo, logicamente. Nas primeiras semanas, eu não conseguia me movimentar muito bem, em decorrência da dor. Essa semana eu consegui treinar melhor, consegui fazer algumas simulações de jogos. A nossa previsão é de a gente voltar em Perugia, que é daqui a dez dias. Ainda não estou 100%, mas estou bem próximo. Acho que até Perugia eu vou estar em um nível físico bom para voltar competitivo.

Depois de um começo de temporada muito difícil, o quanto é frustrante ter sofrido uma lesão justamente no momento em que você conseguiu uma sequência de vitórias e boas atuações?
Sim, realmente. Eu estava num momento crescente. Talvez tenha sido o pior momento para eu acabar machucando, mas acontece. Não foi a primeira vez que eu tive uma lesão e tive que parar. Talvez essa tenha sido uma das lesões mais sérias que eu tive na minha carreira. Mas, independente disso, estou confiante que posso voltar ao nível que eu estava na temporada, já que eu estava jogando bem e vencendo jogos. Tenho que encarar com otimismo, não posso baixar a cabeça e, independente se eu perdi um pouco de ranking e perdi um embalo, é questão de tempo para eu conseguir voltar ao ritmo que eu estava antes e retomar a confiança que os resultados virão naturalmente.

Você costuma ter bons resultados nessa época do ano, tanto em challengers quanto naqueles últimos torneios da ATP no saibro em julho. Desta vez, tem o problema da falta de ritmo. O que pretende fazer para poder fazer valer esse bom histórico de novo?
Realmente, eu sempre tive bons torneios nessa época do ano. Principalmente em Gstaad [onde conquistou dois títulos de ATP]. Mas agora estou em um momento diferente, voltando de lesão. Então meu objetivo é voltar a jogar sem dor, voltar a estar competitivo nos torneios. E, como eu disse, tenho que ir ganhando ritmo torneio após torneio e acreditar que posso voltar a jogar em bom nível. A gente fez tudo o possível para que eu volte da mesma forma que eu parei no momento da lesão, que era um momento crescente. Então, estamos bem tranquilos quanto a isso. Acho que agora não é um momento de cobrança de resultados, mas sim de otimismo de estar voltando a jogar. O mais difícil sempre é recuperar o ritmo e a confiança aos poucos.

Para um jogador que já conquistou títulos de ATP, esteve bem colocado no ranking e venceu caras do top 10, o que o motiva a continuar jogando mesmo com resultados tão abaixo do que já conseguiu?
Acho que independente do momento que eu vivo hoje, o mais importante é estar feliz dentro de quadra, me divertindo, e estar confiante de que posso voltar a estar entre os 100 ou entre os 50 para disputar os torneios que são bons de jogar, os Grand Slam e os ATP.

Eu encaro esse momento como uma passagem, como uma fase que eu estou passando, de estar disputando torneios menores e competindo com jogadores mais novos que estão vindo com bastante força. Cada jogo que eles fazem contra mim, é o jogo da vida deles. Então muitas vezes eu pego caras que estão 200, 300, mas que estão evoluindo e jogando bem. Então são jogos difíceis. Mas eu sei que é um estágio que eu tenho que passar, que não é fácil, e que a gente está fazendo tudo para passar por isso.

O que me motiva hoje é saber que eu ainda tenho potencial de conseguir resultados como eu sempre fiz nos torneios grandes. Acho que se eu não acreditasse nisso, eu já teria parado. Vou fazer 32 anos em dezembro, então eu tenho muita bagagem para me conhecer e para conhecer o circuito de hoje em dia. A maioria desses caras que estão no top 30 ou top 40 eu já enfrentei e ganhei de alguns. Isso me faz acreditar que eu posso vencê-los novamente e estar onde eles estão. Eu mereço por tudo o que eu trabalho e por tudo o que eu treino.

Qual o tamanho da frustração pela falta de resultados desde o problema com o antidoping? [Bellucci ficou suspenso por cinco meses, entre 1º de setembro de 2017 e 31 de janeiro de 2018, após testar positivo para hidroclorotiazida].
Acho que os altos e baixos são comuns em qualquer carreira de atleta. Acho que tive muitos baixos mais fora da quadra do que dentro. E foram esses episódios que aconteceram fora da quadra que me tiraram um pouco o foco de estar treinando e jogando. Logicamente acabei tomando algumas decisões erradas que me fizeram aumentar o caminho que eu tenho que percorrer agora para voltar onde eu sempre estive. Mas isso também me fez crescer como jogador e amadurecer como pessoa, e me fez acreditar que eu tenho que continuar jogando. Acho que é normal ter esses altos e baixos. Isso não me faz pensar em parar ou fazer outra coisa da vida.

O que mais de motivou na decisão de morar nos Estados Unidos? É mais a estrutura de treinamento ou algo relacionado às condições de vida e à violência no Brasil?
O que mais me motivou foi a estrutura que eu ia encontrar lá. Eu conhecia e sabia que era uma estrutura muito boa. Acho que lá eu também sempre tive parceiros de treino muito bons. Quando você treina com caras do nível que vai enfrentar nos torneios, a adaptação fica um pouco mais fácil. Às vezes, nos torneios, eu tinha dificuldades para me adaptar ao peso de bola e ao nível dos jogadores.

Também na época, eu estava começando um trabalho com o Cassiano (Costa), que era meu preparador físico. Ele já morava lá há algum tempo e me incentivou. Na época eu também estava começando a treinar com o André (Sá), que estava morando em Blumenau. Não faria diferença eu estar morando em São Paulo ou nos Estados Unidos, porque o André era um 'travelling coach', só viajava comigo para os torneios. Então, acabei conhecendo o Germán López, o técnico espanhol que morava lá em Bradenton. Juntou tudo isso para eu tomar a decisão de ir para lá.

Hoje, trabalhando com o Thiago (Alves), é muito provável que eu mude a minha estrutura de treinos para o Brasil. Acho que não tem mais sentido ficar lá, já que eu não trabalho mais com o Cassiano e não trabalho mais com o Germán. O Thiago tá viajando muito comigo, tá ficando a maioria das semanas juntos. Então é muito provável que a gente volte a basear a nossa estrutura aqui no Brasil e pegue outros profissionais daqui também para me auxiliar.

Quais os objetivos para o restante da temporada?
A curto prazo, acho que o mais importante para mim agora é voltar a jogar sem dor e me sentir competitivo nos treinos. Tenho o quali do US Open no final de agosto, que é importante eu conseguir jogar. Gosto de jogar nos torneios grandes, então vou precisar de bons resultados nos primeiros torneios. Acho que isso também motiva a gente a voltar para o circuito nas próximas semanas. Acho que para o final da temporada, a gente tem que ir avaliando também. Mas tenho que voltar próximo do top 100. É uma zona confortável para a gente beliscar os torneios grandes.

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