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Federer: 'Se quisesse fugir do Nadal, não jogaria'
04/06/2019 às 20h10

Federer está de volta ao saibro depois de três anos e não disputava Roland Garros desde 2015

Foto: Arquivo

Paris (França) - Depois de conquistar cinco vitórias em sua volta a Roland Garros e garantir vaga na semifinal do Grand Slam francês, Roger Federer terá a missão de desafiar o onze vezes campeão Rafael Nadal na próxima sexta-feira. Vencedor do torneio em 2009 e ausente da competição desde 2015, o suíço está ciente de todas as dificuldades que terá contra o espanhol e diz que já esperava cruzar o caminho do grande rival em algum momento.

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"Chegar até o jogo contra o Rafa não foi simples. Precisei vencer cinco jogos aqui. É por isso que estou muito feliz em jogar contra ele. Se você quer ganhar um título importante no saibro, você vai ter que passar por Rafa em algum momento. Porque ele é muito forte e vai chegar nas fases finais", disse Federer, que ficou três anos sem jogar no saibro, desde maio de 2016 até o mês passado.

"Eu sabia disso que quando eu me inscrevi para jogar no saibro e esperava que esse jogo acontecesse. Se eu estivesse pensando em evitar o Nadal, então eu nem deveria ter jogado no saibro. Então eu acho que foi essa a mentalidade que me ajudou jogar tão bem até agora neste torneio", acrescenta o suíço, que só perdeu um set na campanha até a semifinal em Paris.

Os números do confronto são favoráveis a Nadal. O espanhol lidera o histórico de 38 partidas por 23 a 15. Ele também venceu 13 dos quinze jogos disputados entre eles no saibro e defende uma invencibilidade de dez anos, desde a final do Masters 1000 de 2009. Nadal também venceu os cinco jogos que fez contra Federer em Roland Garros e levou a melhor em nove dos doze encontros em Grand Slam.

"Sempre há uma chance contra qualquer jogador. Caso contrário, ninguém estaria no estádio para assistir, porque todos já saberiam o resultado com antecedência. Eu acho que o esporte faz isso com você. Há um jogo para ser disputado", disse Federer, que levou a melhor nos últimos cinco duelos contra Nadal, todos em quadras duras. Além de ter vencido os últimos sete sets disputados entre eles.

"É exatamente nisso que todo mundo acredita ao enfrentar Rafa. Eles sabem que vai ser difícil, mas você nunca sabe o que vai acontecer. Ele pode ter um problema, ele pode estar doente. Nunca se sabe. Você pode estar jogando muito bem ou, por algum motivo, ele sofrer um pouco mais. Talvez esteja ventando muito ou o jogo pare dez vezes por chuva. Você simplesmente não sabe. É por isso que você precisa se colocar nessa posição", emendou o atual terceiro colocado no ranking.

Com dois dias sem jogos antes de seu próximo compromisso, Federer já muda os treinos e fará mais experimentos contra jogadores canhotos. "Contra o Rafa, particularmente no saibro, você tem que estar ciente dos pontos fortes dele e do que ele traz para o jogo. E além disso, como ele é canhoto, muda tudo. Eu tenho dois dias para treinar. Acho que isso é uma coisa boa. É melhor que ter apenas um, ou às vezes até nenhum. Então, desse ponto de vista, posso treinar muito mais contra adversários canhotos".

"Acho que já joguei contra cinco caras que são destros. Então para mim é uma mudança completa. Desde quando a bola sai das cordas, ela já vem com uma rotação diferente. Então você tem que se acostumar muito rápido com isso. Não tenha muito tempo a perder. É por isso que você não pode ter medo das bolas com spin, das bolas que deslizam muito e das bolas que quicam mais alto. É isso que eu vou fazer na sexta-feira", acrescentou o veterano de 37 anos.

Federer avaliou seu desempenho na vitória sobre Stan Wawrinka por 7/6 (7-4), 4/6, 7/6 (7-5) e 6/4 nesta terça-feira. "Sabia que seria um jogo difícil, tivemos uma interrupção por chuva, mas consegui me manter calmo. Não foi um jogo super explosivo, especialmente porque ele joga longe da linha de base no saibro e eu decidi fazer o mesmo. Então nós encontramos um ritmo, o que talvez tenha sido bom para nós dois".

"Eu não sei se seria tenho sido melhor para mim jogar mais na frente e pegar a bola mais cedo, mas funcionou e estou feliz com isso", acrescenta o suíço, que também destacou a recuperação de Wawrinka no circuito depois de duas cirurgias no joelho. "Não estou surpreso que ele tenha atingido esse nível, porque sabemos o quanto ele é forte mentalmente e fisicamente".

Vencedor de 20 títulos de Grand Slam, Federer alcançou sua 44ª semifinal em torneios deste porte. É a primeira desde a campanha vitoriosa no Australian Open do ano passado. "Estou muito feliz de estar em outra semifinal de Grand Slam. Isso não acontecia há mais de um ano passado. Eu tive algumas derrotas duras em oitavas e quartas de final. Então, desse ponto de vista, superei minhas expectativas aqui. Depois de ficar tantos anos longe de Roland Garros, é bom estar de volta às semifinais. É uma ótima sensação".

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Faberg
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