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Carta de 670 jogadores exige mudanças no circuito
21/02/2019 às 16h02

A croata de 34 anos Ana Vrljic, 460ª do ranking, redigiu a carta à Federação

Foto: Rowland Charles Goodman/ITF

Londres (Inglaterra) - Uma carta de oito páginas e assinada por 670 jogadores foi enviada à Federação Internacional de Tênis (ITF) exigindo mudanças no plano de reestruturação do circuito profissional, que entrou em vigor a partir deste ano e provocou mudanças na pontuação, listas de entradas e premiação dos torneios menores. O jornal britânico Metro teve acesso à lista de reivindicações.

Uma das líderes do movimento é a croata de 34 anos Ana Vrljic, 460ª do ranking e que tem como recorde pessoal a 180ª posição. Ela tem sido responsável por coletar as críticas por demais jogadores de ranking mais baixo e é uma das administradoras de um grupo privado no Facebook com mais de 1.600 integrantes que criticam as mudanças no circuito.

Lembrando que a partir deste ano, apenas os resultados em torneios válidos por torneios da elite do circuito masculino, nos challengers e nas fases finais de ITF de US$ 25 mil passam a valer para o ranking da ATP. Já na WTA, valem os pontos do primeiro escalão e dos ITF a partir de US$ 25 mil. Os torneios de US$ 15 mil já não valem mais pontos para a ATP e WTA e os resultados obtidos no ano passado em eventos deste porte foram convertidos em pontos de um ranking de profissionais da ITF, que pode facilitar a entrada em torneios maiores.

"Nós não podemos aceitar esse novo sistema, e a raiva, tristeza e as frustrações estão consumindo a maior parte dos jogadores", escreveu Vrljic. "Esta carta está vindo de todos nós. Cada jogador tinha uma palavra, pensamento ou ideia que eu tentei reunir. Então, não sou apenas uma jogadora expressando tristeza, confusão e frustração. Somos todos nós".

"Acredito que nós jogadores somos, de certo modo, uma família. Todos nós compartilhamos muitas experiências e alguns altos e baixos. Esta carta chegou até mesmo a jogadores top, que apesar de não serem diretamente afetados por essas regras, eles querem nos apoiar para melhorar o esporte e não estragá-lo", comentou a croata, que tem 17 anos de carreira profissional no circuito.

Oito são os principais pontos da carta escrita pelos jogadores:
1) Rediscutir a existência de dois rankings concomitantes;
2) Dar aos torneios a chance de aumentar o número de jogadores no quali (atualmente são 24 nos ITF e apenas quatro nos challengers);
3) Exigir que os jogadores do quali não precisem disputar rodadas duplas no mesmo dia;
4) Retirar o match tiebreak e reestabelecer o terceiro set em partidas do quali de ITF;
5) Permitir que um jogador se inscreva apenas para as duplas em um ITF e não seja 'forçado' a jogar simples;
6) Evitar que jogadores utilizem o ranking de simples para entrar nas chaves de duplas em ITF;
7) Acabar com o 'ITF Autorization Code', em que o tenista paga uma multa à Federação Internacional caso desista de um torneio para o qual estava inscrito e entre em um ATP ou WTA na mesma semana
8) Estabelecer um limite no valor das diárias cobradas pelos hotéis oficiais dos torneios

O texto também cita o fato de não haver nenhum trabalho de transição ao profissionalismo de jogadores vindos do circuito universitário norte-americano e as dificuldades para jogadores que estão abaixo do top 200 para se manter financeiramente.

"Apenas jogadores que recebem apoio de federações, agentes, pais e patrocinadores terão a possibilidade de viajar e competir. Essa falta de incentivo vai tornar o tênis um esporte ainda mais elitista e discrimina a maioria dos atletas! Em vez de desenovlver o esporte e fazê-lo crescer, essas mudanças limitam a modalidade apenas para os indivíduos independentemente ricos".

Além da carta assinada por quase 700 jogadores, há também uma petição na internet escrita pela jogadora canadense de 22 anos Maria Patrascu. Aberto ao público, o texto já coletou mais de 13 mil assinaturas e visa chegar a 15 mil.

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