Notícias | Dia a dia | Australian Open
Federer diz entender opção por tiebreak no 5º set
16/01/2019 às 09h06

Suíço disputou dois tiebreaks em seu jogo de segunda rodada

Foto: Divulgação

Melbourne (Austrália) - Depois de disputar dois tiebreaks em sua segunda vitória pelo Australian Open, Roger Federer falou sobre a mudança de regulamento para esta edição do evento. A partir de 2019, os jogos chegam ao último set empatados por 6/6 não têm mais o set longo, mas sim um match tiebreak de até dez pontos para a definição do vencedor. O suíço lamenta pela tradição, mas diz entender a escolha por conta da maior exigência física do esporte atualmente.

"Eles nos disseram que nos últimos cinco anos, apenas dois por cento dos jogos terminaram assim no Australian Open. É muito pequena quantidade de jogos que realmente precisa disso. Já disse no passado que se você chegar a 6/6 no quinto, é porque você já teve suas chances, e assim seu adversário já teve as chances dele", disse Federer depois de vencer o britânico Daniel Evans por 7/6 (7-5), 7/6 (7-3) e 6/3 nesta quarta-feira.

"Eu gosto da tradição, gosto dos sets longos. Antes acontecia em todos os sets e não apenas no quinto set. Deste ponto de vista, é um pouco decepcionante. Ao mesmo tempo eu entendo para onde o jogo está indo. Está ficando cada mais exigente do ponto de vista físico. Nós não jogamos mais duplas ou duplas mistas mais como a geração antiga fazia", complementou o ex-número 1 do mundo.

Com uma também recente mudança de regulamento em Wimbledon, que terá um tiebreak final quando o último set das partidas estiver empatado por 12/12, cada um dos quatro Grand Slam terá um modelo diferente nos momentos decisivos. Roland Garros mantém a tradição do set longo, enquanto o US Open tem um tiebreak tradicional quando o placar apontar empate por 6/6. "Eu acho muito engraçado termos quatro finais diferentes para os Grand Slam. Mas está tudo bem do meu lado. Espero não estar lá de qualquer maneira (sorrindo)".

O veterano de 37 anos também falou sobre como fez para prolongar sua carreira. Ele se lembra de uma conversa que teve com o preparador físico Pierre Paganini, quando chegou ao topo do ranking pela primeira vez. "Lembro-me bem de uma conversa que tive depois de me tornar o número 1 do mundo em 2004. Voltei para a Suíça e conversei com Pierre Paganini, meu preparador físico. Ele disse: 'Apenas me faça um favor, e não busque os cachês para jogar todos os torneios'".

"Eu apenas respondi: 'Não, eu não vou fazer isso. Vou tentar fazer o melhor calendário possível. Eu sempre vou te dizer se alguém me oferecer uma garantia incrível e que talvez eu queira de jogar, ou que seja algum lugar legal, para podermos resolver isso de antemão'", relembrou o suíço.

"Eu tinha 23 anos na época e não sabia quanto tempo ficaria no topo. Você não sabe por quanto tempo vai receber essas garantias e não sabe quanto por tempo vai ser bem sucedido. É por isso que penso na vida de um tenista é um planejamento de curto prazo. Isso dificulta, porque não temos um contrato de cinco anos em algum clube, como esportes coletivos", complementa o atual número 3 do mundo.

A respeito do duelo contra o britânico Daniel Evans, 189º do ranking, Federer aprovou seu desempenho e também elogiou o rival de 28 anos e ex-número 41 pela grande atuação.
"Acho que ele é um bom jogador. Eu o vi fazer bons jogos ao longo dos anos e sei que ele pode causar dificuldades aos adversários. Ele tem um bom slice, se defende bem e tem variação, o que é sempre uma coisa difícil de enfrentar", disse Federer, que enfrentou Evans pela segunda vez na carreira.

"Era meio como um duelo entre gato e rato. Muito interessante. Eu gostei desse jogo. Acho que ele estava jogando bem", comenta o suíço. "Eu nem sabia de seu ranking atual. Para mim ele é um top 100. Uma vez que você chega a 80 ou 60 ou 40 do mundo, você sempre pode ir além. Acho que ele pode ser top 50 novamente", complementa o ex-líder do ranking, que enfrentará o jovem norte-americano de 21 anos e número 50 do mundo Taylor Fritz.

Comentários
Faberg
Roland Garros Series