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Para Murray, dirigentes não aproveitaram seu nº 1
16/01/2019 às 06h56

Britânico lamenta falta de estrutura e redução no número de praticantes

Foto: Ben Solomon/Tennis Australia

Melbourne (Austrália) - Antes de deixar a Austrália depois de encerrar sua participação no primeiro Grand Slam da temporada, Andy Murray falou sobre o momento do tênis britânico. O ex-número 1 do mundo acredita que os dirigentes locais não aproveitaram tão bem sua fase vitoriosa no circuito ao longo da última década para difundir melhor o esporte e possibilitar uma maior estrutura.

"Não sei se a Grã-Bretanha realmente capitalizou os últimos sete ou oito anos de sucesso que tivemos. Seja comigo, ou com meu irmão [Jamie], a Jo [Konta], o Kyle [Edmund], o título da Copa Davis [em 2015], entre outras coisas. Não tenho certeza do quanto foi feito lá", disse Murray, em entrevista ao jornal The Times. "Talvez seja algo que eu deveria ter pensado mais enquanto estava jogando, mas nunca senti que era meu trabalho fazer isso. É um pouco decepcionante".

Nascido na Escócia, Murray citou um exemplo das dificuldades encontradas para a prática do tênis em sua terra natal. "Eu sei que na Escócia não há muitas quadras cobertas construídas nos últimos dez anos. Isso parece uma loucura. Você precisa colocar as crianças para jogar, mas precisa ter as facilidades que lhes permitem fazer isso".

Ao todo, oito jogadores britânicos atuam nas chaves principais do Australian Open, participação que é a maior no torneio desde a edição de 1988 com 15 atletas da Grã Bretanha. Ainda assim, Murray entende que esse número não é suficiente. "Ter oito britânicos na corrida principal não chega a ser incrível, mas é um número decente. Existem alguns jogadores que têm potencial para continuar e evoluir, mas obviamente estamos falando sobre topo da pirâmide".

"O que é mais preocupante, pelo que entendi, é que o número de praticantes está caindo. Não entendo como nos últimos oito a dez anos esse número está caindo. Eu não entendo", comenta o britânico. De acordo com o estudo da Sport England, divulgado pelo The Times, cerca de 487 mil britânicos jogavam tênis semanalmente em 2008, enquanto a contagem de 2016 era de 398 mil.

Em sua temporada de despedida do circuito profissional, o britânico de 31 anos ainda não se decidiu se irá fazer uma segunda cirurgia no quadril. No entanto, ele parece cada vez mais propenso a realizar a operação, ainda que isso não o permita realizar os planos de se despedir apenas em Wimbledon.

"Provavelmente eu farei a operação", respondeu o britânico. "Se eu tivesse perdido feio na segunda-feira, eu pensaria. 'Que droga, eu não quero que este seja o último jogo da minha carreira'. Mas eu não poderia ter feito mais do que o que fiz", comenta o ex-número 1, que perdeu um duelo de cinco sets para o espanhol Roberto Bautista Agut, após 4h09 de disputa. "Eu seria capaz de lidar com aquele sendo meu último jogo, eu acho".

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