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Nadal celebra retorno, mas critica conselho da ATP
14/01/2019 às 06h58

Espanhol diz não ter sido consultado pelo conselho sobre mudanças no comando

Foto: Divulgação

Melbourne (Austrália) - A boa vitória de Rafael Nadal em sua estreia no Australian Open marcou a primeira apresentação do espanhol em um jogo oficial desde setembro, quando abandonou a semifinal do US Open. Depois de um longo período inativo, o vice-líder do ranking mundial celebrou o retorno às quadras e espera recuperar gradualmente seu ritmo.

"É normal que os começos sejam difíceis, mas a cada dia eu me sinto melhor e mais confiante", disse Nadal depois de vencer o australiano James Duckworth por 6/4, 6/3 e 7/5 em 2h15 de partida. "Foi uma vitória importante, porque é a primeira vez que eu jogo em bastante tempo e também porque isso me dá a chance de estar na quadra novamente. E é disso que eu preciso hoje".

O jogo desta segunda-feira também foi o primeiro que Nadal disputou desde que fez algumas mudanças em sua mecânica de saque. O espanhol acabou sofrendo duas quebras, mas venceu 72% dos pontos disputados em seus games de serviço.

"As quebras não foram por causa do saque. Joguei contra um adversário super agressivo. Hoje ele entrou na quadra fazendo uma coisa que provavelmente funciona bem para ele e isso lhe deu algumas chances", comenta Nadal, que enfrentou apenas três break points na partida.

"E ele jogou um tênis inteligente e jogou bem. Quando você enfrenta um jogador que ele quer acertar todos os tiros, é claro que você pode ter quebras, porque às vezes você está nas mãos dele", explica o espanhol, que terminou o jogo com 38 winners contra 40 de Duckworth, mas cometeu só 11 erros diante de 40 do rival.

"Mas de qualquer maneira, meu saque funcionou bem. Não sei o meu percentual, mas estava muito bem posicionado após o primeiro saque e me senti sólido com o segundo. E, em termos gerais, estou feliz com a vitória de hoje contra um adversário muito difícil de enfrentar", complementa o vice-líder do ranking, que terá pela frente á mais um australiano, o 47º do ranking Matthew Ebden.

Perguntado sobre as recentes queixas de jogadores de ranking mais baixo ao presidente da ATP Chris Kermode e se ele seria favorável a uma troca no comando da entidade, Nadal cita que nenhum representante do conselho de jogadores o procurou para discutir o assunto. O grupo que representa os atletas é presidido por Novak Djokovic e Kevin Anderson, e tem nos quadros os duplistas Jamie Murray e Bruno Soares, além de John Isner, Sam Querrey, Robin Haase, Yen-Hsun Lu e Vasek Pospisil (que criticou a entidade publicamente, por meio do Twitter).

"Sendo honesto, eu não estou mais no conselho e, ao mesmo tempo, ninguém do lado do conselho veio até mim e me perguntou a minha opinião", afirmou o número 2 do mundo. "Então não posso ter um palpite real sobre tudo isso, porque nenhum dos meus representantes veio até mim e perguntou se eu estou feliz com o presidente ou não".

"Acredito que Chris provavelmente fez um bom trabalho e eu não o vejo fazendo coisas negativas o suficiente para não continuar na posição", avalia o vetetano de 32 anos. "Hoje, provavelmente, ele conhece toda a situação do mundo do tênis melhor que uma nova pessoa que possa chegar".

Ainda sobre a situação dos jogadores de ranking mais baixo, Nadal reconhece que o tênis ainda não consegue ser justo para os atletas nessa situação, mas explica que o cenário tem mudado positivamente nos últimos anos, não apenas para os atletas, mas também para outros profissionais do esporte.

"O esporte não é justo para todos, e a verdade é que a vida não é justa para todos. É difícil consertar isso, mas em algum momento, na minha opinião, do lado dos jogadores, nós criamos muitos empregos no nosso esporte nos últimos 10 anos", comenta o espanhol. "Não é apenas quando os caras top ganharem muito dinheiro que o esporte vai crescer. Ele fica maior se mais pessoas viverem do esporte também. Meu sentimento é que está acontecendo mais hoje do que dez anos atrás. Isso é uma boa notícia, e os torneios entendem que é importante pagar mais nas primeiras rodadas, nos qualificatórios, e os torneios menores também estão crescendo".

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