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Pinto-Bravo busca o 14º título em Porto Alegre
29/11/2018 às 18h31

Chileno de 79 anos só perdeu uma vez em Porto Alegre para Koch.

Foto: Gustavo Werneck

Porto Alegre (RS) - Uma carreira profissional de sucesso e quase 35 anos disputando o circuito seniors. Depois de estar ausente nas duas últimas temporadas, o chileno Jaime Pinto-Bravo retornou com vitória na estreia na categoria 75 anos da 33ª edição do Seniors Internacional de Porto Alegre - Copa Yone Borba Dias -, uma das maiores competições do mundo entre veteranos e com a maior graduação em pontos para o ranking mundial. O torneio tem 224 atletas de 20 países, contando com quatro líderes do ranking e 24 top 10.

Pinto-Bravo, de 79 anos, derrotou em sua estreia o italiano Enzo Migliorini por 6/1 e 6/0 e vai encontrar o brasileiro João Silvestre, que venceu o francês Robert Antonuccio por 6/1 e 6/3. Ele joga pela 15ª vez na capital gaúcha e tentará a 14ª conquista, tendo perdido apenas uma vez para o amigo Thomaz Koch.

"Venho há muito tempo aqui, é o 15º ano, conheço tudo. Vou buscar meu 14º título. A quadra é muito boa, estou feliz de estar aqui novamente, o torneio é muito bom, pessoas amáveis", apontou o superveterano que foi um profissional de peso, pegou a transição do circuito amador para o profissional, jogou por 14 anos e bateu nomes como a lenda romena Ilie Nastase, em 1967, no torneio de Alexandria, no Egito, com 7/5 no quinto set. Na época não existia ranking mundial, mas Nastase era considerado o número 1. O romeno viria a ser o primeiro líder do ranking oficial em 1973.

“Fiquei 14 anos no circuito, ganhei alguns torneios, como o torneio internacional de Paris, o segundo maior da França, Alexandria, no Egito, ganhei do Ilie Nastase que era número 1 do mundo na época, ganhei 7/5 no quinto set umas quatro horas de partida, ganhei em Madri, perdi de Jimmy Connors em Cincinnati, fiz um bom papel eu acho", disse Pinto-Bravo. O chileno defendeu seu país por 15 vezes na Copa Davis e tem como maior recordação duas vitórias contra o Brasil de Thomaz Koch em 1975, no Chile, e em 1972, no Rio de Janeiro, onde superou o hoje amigo Koch em três sets. "Minhas maiores recordações foi uma vitória contra o Brasil na Copa Davis quando vocês tinham Thomaz Koch, Edison Mandarino, Ronald Barnes."

Pinto-Bravo, que hoje comanda um clube em Santiago, mostra-se animado com o futuro do tênis chileno, que deu um salto de qualidade nesta temporada com Nicolas Jarry como o 43º do mundo e Christian Garin como o 85º. "Para nós é muito importante ter dois tenistas no top 100. Fazia um tempo que não tínhamos dois assim, pois os últimos foram Fernando Gonzalez e Nicolas Massú. No Chile ,cada vez mais aparecem bons jogadores. Eles e mais dois que jogam bem nas duplas, tenho certeza que vamos lutar na Copa Davis contra a Áustria (em fevereiro, valendo vaga para as finais em novembro)."

Para ele, as figuras de Nicolas Massú como capitão da equipe e Marcelo Ríos como auxiliar são fundamentais, mesmo com as seguidas polêmicas com a imprensa do ex-número 1 do mundo Ríos. "Nicolas Massú é um bom capitão, incentiva muito os jogadores, tem caráter para ser um bom capitão. Quanto a Marcelo Ríos, sempre a polêmica vem em primeiro lugar. Não sei se é uma posição incômoda para o capitão ou federação. Ríos quer ajudar, mas não é remunerado, é difícil às vezes que vá ou não vá, mas tem um aporte importante aos jogadores ver uma figura que foi número 1 do mundo."

Pinto-Bravo é uma das estrelas do Seniors. Foi número 1 do mundo em 2016 quando venceu o Campeonato Mundial em Umag, na Croácia. Hoje, ocupa o sétimo posto, mas se vencer em Porto Alegre vai ficar bem perto novamente da liderança. O circuito seniors, além da competição, lhe traz bem-estar, ainda mais com o apoio de sua mulher Ana Maria Arias, que joga o circuito e o acompanha nos eventos. "Comecei no Seniors aos 45 anos, estou com 75 e nunca parei. Estou feliz, sigo me mantendo bem e dou graças a Deus por isso. Disputei dois Mundiais, ganhei um deles. Neste ano não fui à Croácia para o Mundial. Se ganhar aqui, fico número 2 do mundo. Quando ganhei em 2016 o Mundial, fiquei 1 do mundo. Sigo desfrutando, minha esposa que também está no top 10 segue jogando e me acompanha no circuito. Encontrei o Thomaz Koch aqui, isso é impagável", apontou.

Na rodada desta quinta-feira, nos 60 anos masculino os dois principais favoritos venceram. O colombiano Carlos Behar, quarto do mundo, passou com tranquilidade pelo brasileiro Eduardo Peixoto por 6/1 e 6/0 e na semifinal encara o brasileiro Eduardo Izoldi, que derrotou o austríaco Markus Stauder por 7/6 (7/5) e 6/4. O brasiliense Amadeu Façanha, oitavo do ranking e atual campeão, marcou 6/0 e 7/5 sobre o chileno Patrício Rabba.

"Primeiro set tranquilo, no segundo abri 4 a 0, mas escorreguei na quadra, caí, machuquei o joelho e perdi o ritmo, o foco. Só ralei o joelho, mas saí do jogo; ele fez cinco games seguidos. No tênis isso não é anormal, qualquer coisa que tira um pouco o foco muda o jogo", disse Façanha. "Mais complicado, muita gente boa na chave. O colombiano é o melhor colocado, perdi dele no Sul-americano em Santa Cruz de la Sierra, na final." Na semifinal, ele pega o brasileiro Roberto Calvet, quarto favorito.

Nos 70 anos masculino, os dois favoritos avançaram e os brasileiros ficaram de fora das semifinais. Atual campeão, o boliviano Ramiro Benavides superou o francês Christian Coudassot por 6/0 e 6/2 e mede forças contra o lituano Petras Vozbutas, que suou contra o brasileiro Sérgio Bonn, marcando 5/7, 7/5 e 6/4. Segundo favorito, o colombiano naturalizado espanhol Jairo Velasco derrotou o americano Jan Kofol com parciais de 6/1 e 6/0 e encara o austríaco Johanes Muehlemburg, que passou pelo italiano Roberto Nazzareno por 6/2 e 7/5. A rodada segue em andamento até a noite.

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