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MP 841 atrapalha calendário da CBT e ameaça empregos
21/06/2018 às 19h02

Westrupp acredita em solução rápida

Foto: Arquivo

Sâo Paulo (SP) - A Medida Provisória 841 publicada pelo Governo Temer pode trazer impactos negativos de peso para o tênis brasileiro. Essa é a avaliação feita pelo presidente da Confederação, Rafael Westrupp, para quem a retirada de verba do esporte nacional irá refletir em dois pontos cruciais para o tênis: a paralisação do Interclubes Juvenil e a ameaça de demissão de técnicos e professores em diversos clubes do país, que deixarão de receber a verba do Comitê Brasileiro de Clubes.

"Desde que a MP foi promulgada, os recursos do Comitê estão estancados. Com isso tivemos de suspender de imediato as três etapas ainda previstas do Interclubes, em Minas, Rio Grande do Sul e Paraná", explica Westrupp. "Vamos aguardar duas semanas, mas acredito que o segundo semestre já esteja comprometido. Em termos de calendário, não haverá prejuízo aos tenistas, já que a CBT terá de retomar o modelo do Brasileiro anterior. No entanto, irá prejudicar diretamente os juvenis e o nosso trabalho de ampliação da base".

Segundo Westrupp, a CBT saiu na frente e conseguiu valioso convênio com o Comitê no ano passado. "A CBT foi a primeira confederação a desenvolver um projeto junto ao Comitê Brasileiro de Clubes, porque tínhamos um formato pronto. Com isso, estabelecemos o Interclubes com seis etapas anuais até 2020, com o benefício de os jogadores e os técnicos que representem clubes tivessem passagem e hospedagem pagos pelo convênio. Uma ajuda enorme. Estamos falando portanto em algo que impactou 92% dos inscritos", explica o dirigente.

"Essa parceria tem sido extremamente importante para a base do tênis competitivo. Veja que houve um crescimento de quase 50% no número de participantes nas etapas, saltando da média de 320 em 2017 para a faixa de 450 neste ano, com recorde de 490 numa única etapa", revela Westrupp. "Portanto, o convênio tem sido muito importante para o tênis. Podemos peneirar e dar oportunidade mais ampla para alguém se destacar e atingir o programa de alto rendimento, esse com recursos da parceria com os Correios".

A maior preocupação de Westrupp, no entanto, é com os professores e treinadores recentemente contratados junto a diversos clubes. "A folha de pagamento desses clubes está pautada nos recursos que vêm do Comitê Brasileiro. Desde que essa parceria surgiu, os clubes puderam regularizar o emprego para dezenas de professores, que passaram a ter carteira assinada. Há agora o risco de demissões, porque clubes de médio e pequeno portes não terão como arcar com os salários e encargos. É uma questão social, que envolve famílias. Sem falar que o técnico de clube tem papel gigantesco na formação de atletas. A MP pode afetar o tênis lá na sua raiz".

O presidente está otimista em sua solução rápida, graças ao engajamento de toda a comunidade esportiva contra a MP. "Dias atrás houve uma reunião na Câmara dos Deputados e já se fala em solucionar o problema da verba de R$ 500 milhões ao se mexer na comissão que a Caixa Econômica Federal recebe das loterias, que era de 10% e passou a 19,2% recentemente. Se voltar aos 10%, haverá a verba extra para a segurança. Acredito que o Governo Federal não esperava tamanha repercussão. O lado positivo dessa polêmica foi mostrar que o esporte está unido. Até mesmo o Ministério do Esporte se posicionou contra o Governo".

Westrupp enfatiza que a entidade máxima do tênis nacional está com sua parte financeira equilibrada, mesmo após a redução de 80% que sofreu no contrato com os Correios e o fim dos repasses após os Jogos Olímpicos. "A sede própria permitiu reduzir drasticamente os custos operacionais. Estamos equilibrados, mantendo um bom calendário até mesmo de torneios internacionais, além da recente parceria firmada com Roland Garros para um evento nacional amador". O dirigente conta que o Brasil foi convidado para apresentar seu trabalho na convenção da Federação Internacional de Londres, durante Wimbledon. "O presidente da ITF veio ao país e ficou impressionado com o trabalho que realizamos com orçamento tão reduzido. Ele considera um 'case' e quer mostrar ao mundo como conseguimos isso".

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