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Sell tenta regularizar visto para seguir carreira
14/03/2018 às 09h16

Sell está voltando às competições depois de cinco semanas longe do circuito

Foto: Reprodução/Instagram
por Mário Sérgio Cruz

Exatamente quando vive o melhor momento de sua carreira profissional, Karue Sell tenta regularizar seu visto de permanência nos Estados Unidos para dar continuidade ao momento de evolução no circuito. O jogador de 24 anos conquistou seu primeiro título profissional de simples em Claremont, na Califórnia, em setembro do ano passado. Já no início de 2018, repetiu a dose em future disputado em Los Angeles, e deu um salto no ranking. Inscrito nesta semana para o future de Bakersfield, também na costa oeste americana, Sell volta às competições depois de cinco semanas e tem um calendário de torneios reduzido por conta dos compromissos extra-quadra.

Sell se destacou em competições juvenis entre 2009 e 2011, quando chegou a ser 33º no ranking mundial da categoria, antes de seguir para o circuito universitário norte-americano. O catarinense estudou Economia e Desenvolvimento Geográfico durante quatro anos na UCLA, em Los Angeles, encerrando o ciclo em 2016. Desde então, segue morando nos Estados Unidos.

Quando retomou a carreira no circuito profissional já aos 23 anos, o catarinense de Jaraguá do Sul tinha como melhor ranking profissional o 1.243º lugar. A marca anterior foi facilmente superada com os dois títulos na Califórnia. Desde a última segunda-feira, Sell aparece com o melhor ranking da carreira, ao ocupar 511ª posição, e tem a defender apenas 30 pontos até o final da temporada.

Em entrevista ao TenisBrasil, Sell comentou sobre o andamento do processo para a obtenção do visto, sobre suas experiências no circuito universitário e sua volta aos torneios profissionais. O catarinense também falou sobre desafio de se manter financeiramente no circuito, já que precisou dar aulas de tênis, atuar como técnico assistente em uma universidade, sparring de jogadoras da WTA e disputar torneios que oferecem apenas premiação em dinheiro.


Confira a entrevista com Karue Sell.


Tenho acompanhado suas postagens nas redes sociais sobre a dificuldade em obter o visto. Como está a situação atualmente e o quanto isso o inviabiliza de montar um calendário de competições?

Eu solicitei uma mudança de visto no ano passado, ainda em setembro. É um processo que é longo mesmo, não é fácil, ainda mais com a nova administração aqui. Teoricamente eu estou tentando o visto de coach, e com ele eu também posso trabalhar aqui. Na época, meu advogado falou que o visto de atleta profissional estava difícil pegar, e então eu pedi esse.

E o meu caso foi bom. Eu tenho tudo feito com o advogado, mas é um processo que demora. Eu tenho que esperar dois ou três meses para conseguir uma resposta. Recebi a primeira em dezembro, eles pediram mais informações. A gente mandou e agora está levando mais dois ou três meses. Eu imagino que eu devo escutar alguma coisa nas próximas duas semanas.

Em termos de calendário, eu não posso no momento sair dos Estados Unidos. Posso viajar para qualquer lugar aqui dentro. Na verdade, eu até poderia sair, mas o meu problema é voltar. Eu moro aqui, treino aqui e praticamente minha vida é aqui. Eu quero poder voltar. Estou esperando, e como já esperei por cinco ou seis meses, outras duas ou três semanas não serão problema. Aqui nos Estados Unidos tem muito torneio, mas não posso fazer um calendário super longo. Eu jogo três ou quatro torneios, vejo o que vai ter e aí me planejo. Então eu tive que esperar praticamente um mês sem jogar e agora começo a jogar de novo.


Tem alguém que o auxilia nessa questão e você saberia algum prazo para uma solução do caso?

Como eu falei, tenho um advogado aqui. Um advogado de imigração. Tive que pagar do meu bolso quando fiz. É um processo meio caro, custou mais ou menos 5 mil dólares para fazer. Só que chega um momento que não está mais na minha mão ou na mão do advogado, está mais na mão de quem lê o meu caso e decide se vai dar o visto ou não.


Você chegou a comentar que surgiu a oportunidade de integrar a equipe brasileira na Davis na República Dominicana e teve que declinar. Como foi o contato com a Confederação?

O [Eduardo] Frick me contatou sobre talvez para ir lá e treinar com eles. Como era na quadra rápida o confronto, quem sabe eu jogasse. Não era necessariamente um 'Você está no time', mas era para estar com o time e ver no que dava. Ele até me contatou de novo para ir para o confronto contra a Colômbia, que também é na quadra rápida, mas acho que eu também não vou estar com o visto ainda. E acho que mesmo se eu estiver com o visto eu ainda vou estar jogando os torneios daqui.

Como faz muito tempo que eu não jogo, meu foco agora é subir no ranking para jogar mais challengers. Por causa do meu negócio com o visto, eu não estou podendo fazer muitas coisas, mas como estou na mesma situação faz tanto tempo eu já estou acostumado.

O que eu tenho postado também no Instagram também é mais para não parecer que eu estou só jogando quando dá ou quando eu quero. Eu realmente estou querendo jogar profissionalmente, mas isso tem me dado um pouco de problema, porque não estou podendo viajar quando não tem torneio nos Estados Unidos.


Nas campanhas para seus dois títulos, você veio do quali e também foi campeão de duplas. Imagino que você teve muito pouco tempo para treinar e descansar, já que já que jogava praticamente todos os dias. Como foi seu trabalho de recuperação?

Nas semanas seguintes que eu tive que jogar, foi duro porque o corpo estava meio acabado. Em um torneio eu até joguei contra o Igor Marcondes, estava ganhando por set e quebra, mas minhas costas travaram e tive que desistir. Depois desse future que eu ganhei este ano, eu também tava morto na outra semana, mas faz parte. Acho que estar cansado de uma semana que você ganhou é um bom problema para ter. Não é algo que me perturba muito. Se eu for bem numa semana e na outra talvez não poder ir tão bem, para mim tá valendo.

Mas para me recuperar fiz o que eu sempre fazia quando eu estava na faculdade, banho de gelo e descansar mesmo e não bater muito naqueles dias. No final das contas também, também não tem como se preocupar muito. Acho que se eu tiver que ganhar um torneio e não jogar tão bem na outra semana, eu escolheria essa opção.


No período em que estava na Universidade, você disputou poucos torneios profissionais. Como surgiu o desejo de retomar a carriera no circuito?

Quando eu vim para a faculdade, eu gostei muito de como que era, do aspecto de time, de estar na faculdade e de viver uma vida não só restrita ao tênis. Eu tinha que me preocupar com mais coisas como a escola, o dinheiro, com pagar o aluguel... com coisas de gente normal. E tinha aquele aspecto de time, de camaradagem, de ter vários amigos e todo mundo querer o mesmo objetivo. Para mim foi uma transição muito legal.

Na época quando eu comecei na faculdade eu não sabia se eu iria jogar tênis depois. Eu sabia que jogaria nos quatro anos e, se depois disso, eu estivesse num nível legal eu iria tentar. Se não estivesse jogando num nível legal iria fazer outra coisa. Durante esse tempo, não tinha muita coisa no Brasil e fiquei mais aqui nos Estados Unidos jogando. No final das contas, cada temporada que eu joguei na UCLA tinha de 35 a 40 jogos por ano, então você está jogando até mais do que o pessoal que está no tour e eu estava sempre bem de ritmo.

Aí quando eu terminei o meu último ano, eu estava jogando super bem, mas na minha cabeça não estava que eu queria jogar profissionalmente ainda. Queria ficar nos Estados Unidos e começar minha vida aqui, sem apoio. Quem é Karue Sell? Quem que vai me apoiar? E aí eu comecei a trabalhar, fui assistente técnico voluntário em Pepperdine que até tem um treinador brasileiro, o Marcelo Ferreira. Fiquei lá um ano, entre o final de 2016 e o meio de 2017. Ao mesmo tempo eu comecei a ser sparring partner das meninas da USTA, a Shelby Rogers e a Bethanie Mattek-Sands, e fui para a Fed Cup com elas. Estava fazendo um pouco de tudo.

Eu comecei a ver que o pessoal do College estava indo bem, porque se parar para olhar hoje em dia, quem ganha future e challenger, principalmente nos Estados Unidos, é sempre alguém que jogou College. Comecei a ver meus amigos indo bem. Com o tempo, só deu saudade, queria competir de novo e eu estava jogando bem. Quando eu estava trabalhando na Pepperdine, sem treinar, eu cheguei nas quartas de um future, ganhando do cabeça 2. Só que eu estava pensando 'O que eu faço, sem apoio, sem nada?'. Tava meio difícil essa decisão até o momento que eu falei: 'Dane-se, eu vou e o que der, deu'. E aí meu primeiro torneio de volta foi em Claremont e eu ganhei. Agora eu tinha que ir, né? (risos)

Uma das atividades de Sell nos Estados Unidos foi como parceiro de treino de jogadoras profissionais como Bethanie Mattek-Sands (Foto: Reprodução/Instagram)


A partir do ano que vem, os torneios de nível future não darão mais pontos no ranking da ATP. Acredita que isso pode atrair mais jovens jogadores para o tênis universitário norte-americano?

Se a gente começar a falar de tênis universitário aqui, a entrevista vai ficar longa, porque eu sou o cara que mais apoia o tênis universitário possível. Acho que o nível de amadurecimento e o nível que as pessoas estão jogando nos Estados Unidos é muito alto. E para toda essa molecada que está no top 50 da ITF e tá pensando em jogar no profissional, você tem que jogar tênis universitário. Você aprende jogar bem dupla, aprende a jogar bem na quadra rápida e você vai para um lugar bom, porque os top 50 podem escolher qualquer lugar para ir jogar. Eu acho que é o caminho. Se um dia você quiser fazer uma entrevista só sobre tênis universitário, a gente pode falar uma hora, porque é incrível.

Não tem uma pessoa que foi e se arrependeu. Eu só conheço pessoas que não foram e se arrependeram. E o pessoal que está saindo do College, está chegando a 300 ou 400 muito mais rápido que o pessoal que está ficando lá no circuito com 18, 19 e até 21 anos. Você sai do tênis universitário com 22 anos. E se quiser pode sair até antes.

Acho que esse novo ranking vai dar uma peneirada e vai poder mandar mais gente para o College. Eu espero que mande mais gente, principalmente do tênis brasileiro. Porque a gente vê como falta talento na quadra rápida e acho que falta muita coisa. Você tira da CBT esse momento de transição e pode jogar o tênis universitário. No verão, você pode jogar torneios profissionais toda hora, depois volta para o College. Você vai amadurecer muito. Acho que esse Transition Tour vai ser bom. Vai ser meio esquisito no começo e eu até vou começar a jogar mais challengers para tirar esses pontos de future do ranking.

Do Brasil até que vem bastante gente para o College, mas geralmente é um pessoal que não é top 50 da ITF e já sabe que virão para os Estados Unidos desde cedo. Mas acho que ainda falta um pouco de conhecimento para os treinadores e para quem gere o tênis no Brasil sobre o tênis universitário e para onde mandar o pessoal. As pessoas ainda veem como algo negativo e não tem uma pessoa que eu conheço que diga que não deveria ter ido jogar o College, porque é incrível a experiência e seria incrível para a maioria dos brasileiros irem pra lá.


Você citou essa galera que é top 50 na ITF. Na semana passada eu pude conversar com muitos juvenis e praticamente todos pensam em fazer a transição nos futures. Talvez isso tenha a ver com isso que você falou de faltar informação para os técnicos.

Sim, isso é falta de conhecimento. No Brasil, quando você vai falar com os técnicos, eles acham que ir para a faculdade é final de carreira. Vai olhar os resultados. Cameron Norrie acabou de sair da faculdade e já é 110 do mundo, Mackenzie McDonald jogava comigo na UCLA e perdeu por 8/6 no quinto set contra o Dimitrov na Austrália. Vai olhar no circuito challenger ou circuito de US$ 25 mil nos Estados Unidos, que é sempre ganho por alguém que jogou College. Eu posso achar a estatística, porque até já escrevi um artigo para o TenisBrasil no ano passado sobre quantos futures e challengers eles tinham ganhado.

Não digo que é o único caminho, mas se você está fazendo uma final de future na Turquia com 18 anos, você não está preparado. Se você está ganhando challenger com 18 anos, aí beleza, aí você jogar no profissional. Você precisa de muito mais preparo se você for um molecão de 18 anos, a não ser que você seja um desses Next Gen. Eu falo, se você não é um Next Gen, se não está ganhando challenger, se não está indo bem em challenger, se está fazendo uma final de future aqui ou uma final de future ali, dá na mesma.

Eu falo isso porque todos os caras que eram da minha idade não foram pro College, só eu fui. E no final das contas, a gente está tudo na mesma situação agora. Eu estou 500, eles estão 350. E eu joguei quatro anos de College e parei um ano. Acho que é falta de conhecimento, eles não sabem para onde mandar os meninos. Moleque top 50 pode escolher e falar: 'Quero ir para esse lugar'. Manda um e-mail lá para a faculdade, que eles olham o ranking e falam: 'Opa! Vamos pegar esse moleque!' . Se precisasse, poderiam falar até comigo, que eu entendo tudo disso.

Eu não entendo porque ainda acham que isso é final de carreira. Isso me queima, me queima muito. Tem caras que eram ruins, ou mais ou menos, e que talvez nem virem profissionais, mas melhoraram tanto no College que eles vão jogar num nível que jamais eles esperavam jogar. No final das contas, é falta de conhecimento. Eu não sei por que isso acontece no Brasil, mas falta informação e isso eu vou criticar mesmo. Muito cara bom veio do College, como Kevin Anderson, Steve Johnson, John Isner. Esses caras são top hoje. Não é a maioria, mas mas é mais um caminho. Hoje os caras estão chegando no top 100 ou no top 50 com 28 ou 29 anos. Dos 18 até essa idade é muito tempo. Se eu estivesse jogando futures desde os 18 anos que eu tinha, quando eu vim pra faculdade, até os 24, eu já teria parado de jogar faz muito tempo. (risos)


A gente sabe que o circuito de futures tem um custo muito alto para o jogador e pouco retorno financeiro imediato. Como você tem feito para se manter? Dá aulas, treina os mais jovens, atua na sua área de formação? Recebe algum apoio da CBT ou de patrocinadores?

Essa foi a primeira coisa, o custo. Eu não tenho coach. Eu ainda vou na UCLA e os coachs me ajudam um pouco, mas eu não tenho técnico, não tenho preparador físico e não tenho uma pessoa para viajar comigo. Para pagar as viagens, eu pago tudo do meu bolso, nem dos meus pais é. Então para me manter, eu dou aula numa academia quando estou em Los Angeles. E como vocês sabem, estou sem visto e não posso viajar para muito longe. Tenho jogado muito aqui na Califórnia. É bom ter a base aqui nos Estados Unidos porque tem muito torneio, mesmo para viajar até a Flórida não sai tão caro, então alguma maneira eu tenho manejado para pagar as minhas viagens. As vezes eu vou bem num future e isso paga um ou dois meses de viagens, mas é duro, porque eu pago meu aluguel e minhas contas para viver aqui. Realmente tem sido meio duro. De alguma forma eu tento bloquear esse problema de dinheiro e tento jogar. E o resto que venha com os meus resultados. Se eu estiver indo bem, as coisas vem.

A CBT agora vai começar a me ajudar com um pouco de dinheiro. Acho que serão R$ 1.500 por mês, o que virando dólar também não é muito, mas para mim qualquer coisa já ajuda. Então o que puderem me ajudar, eu sou agradecido. Algumas outras pessoas estão tentando achar algum dinheiro para me ajudar, mas para me manter tem sido com aulas, tem sido com o dinheiro que eu ganho nos futures, às vezes eu jogo torneio de grana aqui para ganhar uma grana extra.

E assim vai indo, você vai arranjando um jeito e eu tenho arranjado um jeito. Meus pais [que moram em Jaraguá do Sul, Santa Catarina] me ajudam como eles podem, mas também hoje em dia como o dólar está tão alto não é mais tão fácil. Não é que eu tenha tanta dificuldade, porque eu consido ter meu carro e minhas coisas aqui, mas vou seguindo pelo amor ao esporte. O dinheiro depois vem. Sempre vou poder parar e dar aula, entou eu tento não me preocupar tanto com isso e mais com o que estou fazendo na quadra. Tem funcionado.

Quero poder ter fisioterapeuta, que é o mais importante hoje em dia. Como eu também fui coach, eu consigo me "coachear", mas com fisioterapia e preparação física já é mais difícil manejar. E eu tenho que dar aula, tenho que treinar... Aí você está cansado. Então é difícil manter totalmente o profissionalismo, eu tenho manejado bem até o momento, mas sei que vai afunilar em algum momento e eu vou precisar de mais apoio.


Por último, queria que você comparasse o Sell que saiu ainda muito novo do país depois do circuito juvenil com o Sell de hoje.

As pessoas que me treinaram sempre diziam: 'Ah, o Karue Sell tem talento, mas é meio parreiro [alguém que não trabalha duro]'. E eu não era parreiro, parecia até, mas eu era um molecão de 17 anos que morava em Balneário Camboriú. É aquela coisa de molecão, adolescente e tal... E no final das contas, você amadurece na faculdade. Você está jogando por um time, então você não pode ser egoísta e não treinar. Você muda o seu sistema em quatro anos. Hoje em dia eu sou muito mais maduro, muito mais profissional. Eu mesmo posso falar isso.

O Sell de hoje é totalmente diferente. Hoje em dia eu acredito muito mais na minha capacidade, porque eu tenho jogado um tênis de alto nível e estou fazendo tudo isso de paixão. Eu gosto muito do esporte, adoro assistir. E quando eu terminei a faculdade, vi muita gente jogando e indo bem, principalmente esses meninos de College, porque eu acompanho muito quem virou profissional e veio do universitário. Eu falei: 'Cara, o que eles estão fazendo, eu quero fazer' e queria provar para mim mesmo que eu não era só talento, mas que nunca iria ganhar. Eu queria ganhar e poder competir em qualquer nível, que fosse de future ou que fosse de challenger, e dizer: 'Eu fui e tentei'.

Até o momento eu tive bons resultados, tenho jogado no nível que eu quero e sou maduro o suficiente para saber que eu não vou ganhar toda semana, e que muitas vezes vai ser difícil ganhar, mas eu entendo muito o meu jogo. Eu entendo muito do que eu tenho que fazer e do que eu tenho que melhorar. São coisas que a gente vai aprendendo muito sobre tênis. O corpo amadurece também, você não é mais um molecão de 18 anos, e para mim é bola frente. Só jogar e ver no que dá.

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