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Sensação no Rio tenta recolocar o Chile no mapa
24/02/2018 às 07h00

Jarry vai disputar sua primeira semi de ATP

Foto: Fotojump
Felipe Priante

Rio de Janeiro (RJ) - Depois de viver anos dourados com Marcelo Ríos, Fernando González e Nicolás Massú, o Chile viveu um hiato de alguns anos sem jogadores de destaque no circuito, mas se depender de Nicolás Jarry, sensação nesta edição do Rio Open com vitórias sobre o espanhol Albert Ramos e o uruguaio Pablo Cuevas, esse período sem nomes de destaque pode acabar.

Atual 94 do mundo, o chileno de 22 anos deu passos importantes para despontar na ATP nesta semana. Semifinalista no torneio carioca, Jarry garantiu uma boa subida no ranking e deve saltar pelo menos 22 colocações até então, podendo melhorar ainda mais o que será a sua marca mais alta da carreira.

Neto de Jaime Fillol, um dos grandes nomes do tênis em seu país na década de 1970, conquistando sete títulos como profissional e chegando ao 14º posto no ranking, Jarry tem o tênis como paixão desde os tempos de criança graças ao incentivo do avô, que lhe deu sua primeira raquete. "Todo meu começo foi graças a ele, que todo o fim de semana me levava para jogar tênis e vários clubes diferentes", lembrou.

"Além disso ele tinha um ATP no Chile ao qual me levava todos os anos e estar junto dos grandes jogadores, onde no futuro eu queria estar, também ajudou bastante. São coisas que foram somando", comentou o chileno, que colecionava bolinhas autografadas. Ele também aproveitou a importância do avô no meio tenístico para ter contato com o circuito desde muito cedo, viajando para alguns dos principais torneios do mundo.

"Wimbledon sempre foi o que eu gostei mais, achava bonito ver todos de branco. Nesta época haviam vários chilenos e às vezes eu ficava pegando as bolas ou os acompanhava nos vestiários. Aproveitei para tirar fotos com Rafa, com Roger. Tenho uma com Rafa na qual não dá nem para me identificar de tão pequeno que era. Poder ver o tênis de dentro te motiva muito mais", contou.

Nadal e Federer não fora os únicos tietados por ele, que revelou inclusive ter feito o mesmo com o francês Gael Monfils. "Treinei uma vez com Gael em Quito. Depois pegamos um voo juntos e mostrei uma foto minha com ele de oito anos atrás, quando ainda não sabia direito o que ia fazer", falou o tenista de Santiago, que lamenta seu país ter perdido o único torneio ATP que tinha.

"Quando não há um campeonato de tênis em seu país as pessoas ficam sabendo menos do esporte e ele vai ficando menos popular. Também ajuda aos jogadores ter mais experiência e nestes três últimos três anos eu e meus colegas perdemos essa oportunidade de jogar ao menos um ATP por ano", analisou o chileno, que é profissional desde 2014 e agora está deixando os challengers para trás para disputar cada vez mais torneios de maior grandeza.

"Meu nível já estava bom no ano passado, ganhei algumas partidas de top 100 e o que precisava melhorar era a cabeça. Neste nível de ATP, 90% é cabeça e só 10% é tênis. O primeiro ano é o mais difícil e estou preparado parado", comentou Jarry, que teve uma carreira de juvenil sem o mesmo brilho do compatriota Christian Garin, que conquistou o título de Roland Garros em 2013.

Jarry acredita que de certa forma tudo isso acabou não sendo tão ruim para ele, uma vez que assim acabou enfrentando uma pressão bem menor no começo do profissional. "Fiquei à sombra de Garin e consegui manejar melhor. Com certeza a expectativa da imprensa chilena é muito maior sobre ele. Acham que vai ser número 1 do mundo, mas para chegar lá as coisas não são assim. Minha equipe me ajudou muito", finalizou.

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Faberg
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