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Sucesso em duas gerações é raridade no tênis
10/10/2017 às 16h15

Tal como sua mãe, Vera, a tcheca Helena Sukova foi finalista de Grand Slam

Foto: Arquivo
por Mário Sérgio Cruz

Poucas missões são mais difíceis no mundo do tênis quanto repetir os feitos de familiares que fizeram história neste esporte. Receber a herança de um pai ou mãe que se tornou uma lenda das quadras nem sempre é sinônimo de sucesso para os filhos e são raras as ocasiões que duas gerações da mesma família puderam ter carreiras de destaque.

Introduzidos ao tênis durante a infância, alguns filhos de campeões seguiram outro caminho. Brett Connors, filho de Jimmy Connors, chegou a disputar torneios juvenis até os treze anos, quando foi apresentado ao golfe, esporte que praticou durante o high school e na Universidade do Arizona. O golfe também foi a escolha de três das cinco filhas de Ivan Lendl, sendo que Isabelle e Daniela tentam seguir carreira, enquanto Marika pratica o esporte, mas atua como relações publicas na IMG. As outras duas filhas de Lendl, Caroline e Nikola, optaram por competições equestres.

Os filhos de Andre Agassi e Steffi Graf, o menino de 15 anos Jaden Gil e a menina de 14 anos Jaz Elle, também não pretendem seguir carreira no tênis. Na mesma situação estão os três filhos de Chris Evert: Alexander James, Nicholas Joseph e Colton Jack, que têm 25, 23 e 21 anos, respectivamente.

Exemplos bem sucedidos - Um dos raros casos de sucesso em duas gerações data do início do século passado e envolve mãe e filha. A britânica May Sutton Bundy foi bicampeã de Wimbledon em 1905 e 1907 além do U.S. Nationals em 1904 e entrou no Hall da Fama do Tênis em 1956. Já sua filha Dorothy "Dodo" Bundy Cheney foi campeã do Australian Open de 1938 e chegou a outras sete finais de Grand Slam, sendo incluída no Hall da Fama em 2004.

Há ainda um caso de mãe e filha vice-campeãs de Grand Slam. No fim da fase amadora do tênis, Vera Sukova foi finalista de Wimbledon em 1962, mas perdeu o título para Karen Susman. Vera ainda foi semifinalista de Grand Slam mais duas vezes e tem um título de duplas mistas em Roland Garros.

Filha de Vera, Helena Sukova foi número 4 do mundo e disputou quatro finais de Slam, duas no Australian Open (em 1984 e 1989) e outras duas do US Open (em 1986 e 1993), mas sempre ficou com o vice. Helena também foi número 1 de duplas, modalidade em que conquistou nove troféus de Slam e ainda venceu quatro títulos de duplas mistas com o irmão Cyril Suk.

Filho do campeão de Roland Garros Andres Gomez, o equatoriano Emilio Gomez sequer chegou ao top 200. (Foto: Cristiano Andujar/CBT)

Um estudo do jornal New York Times de 2014 revelou que apenas quatro casos de pai e filho chegando ao top 100 do ranking mundial foram constatados na Era Aberta. Os primeiros datam dos australianos Fred e Sandon Stolle, e dos suecos Leif and Joachim Johansson. O francês de 33 anos Edouard Roger-Vasselin, que hoje se dedica apenas às duplas e já foi 35º do ranking de simples em 2014, é filho de Christophe Roger-Vasselin, semifinalista de Roland Garros em 1983. Já o norte-americano Taylor Dent, que foi 21º do mundo em 2005 e se aposentou cinco anos depois, é filho do ex-top 20 Phil Dent, finalista do Australian Open 1974.

No circuito atual, destaque para o equatoriano Emilio Gomez. O jogador de 25 anos e 537º do ranking tem como melhor marca da carreira o 254º lugar, obtido em setembro de 2015. Emilio é filho de Andres Gomez, que foi número 4 do mundo e campeão de Roland Garros em 1990, além de acumular 21 títulos de nível ATP entre 1981 e 1991.

Outro caso na atualidade envolve os irmãos alemães Alexander e Mischa Zverev. Mas diferentes de outros citados, o pai e treinador Alexander Zverev Sr. não foi uma lenda no tênis e tem como melhor ranking o 175º lugar depois de ter defendido a União Soviética durante a década de 1980. Seus dois filhos superaram de longe suas marcas. O mais velho Mischa tem 30 anos e aparece atualmente na 27ª posição, já o promissor Alexander (ou Sascha) é o número 4 do mundo com apenas 20 anos.

O jovem norte-americano Brandon Holt, de 19 anos, é filho da ex-número 1 Tracy Austin. (Foto: Marcello Zambrana)

Dois jovens jogadores norte-americanos que buscam espaço na elite do circuito também carregam herança de pais campeões. Um deles é o já profissional Brandon Holt, de 19 anos e 709º do ranking, que é filho da ex-número 1 do mundo e bicampeã do US Open Tracy Austin. Já Sebastian Korda, de apenas 17 anos e top 30 no ranking juvenil da ITF, é filho do tcheco Petr Korda que foi número 2 do mundo e campeão do Australian Open em 1998.

Ainda mais jovem, o sueco Leo Borg vem dando os primeiros passos em competições juvenis e disputou em janeiro o prestigiado torneio francês Les Petits As, evento para atletas de até 14 anos e que tem nomes como Rafael Nadal, Richard Gasquet, Kim Clijsters e Martina Hingis em sua galeria de campeões. Leo é o filho caçula de Bjorn Borg, que ainda foi pai de Robin Borg, hoje com 32 anos, que chegou a jogar tênis pela Universidade de Wisconsin-Whitewater e hoje atua no mercado financeiro. 

Sucesso em outros esportes - Há ainda dois casos de filhos de campeões de Grand Slam que se destacaram em outros esportes. Catherine Lacoste, filha do dono de sete troféus de Slam René Lacoste, venceu o US Open de golfe em 1967. Já Joakim Noah, que jogou nove temporadas da NBA pelo Chicago Bulls antes de se transferir para o New York Knicks, é filho do francês Yannick Noah, campeão de Roland Garros em 1983 e membro do Hall da Fama desde 2005.

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