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Teliana celebra jogar sem dor e realização do irmão
10/03/2017 às 06h50

Por conta de seu histórico de lesões no joelho, Teliana sempre priorizou competições no saibro

Foto: Eric Visintainer/Divulgação
por Mário Sérgio Cruz

Principal nome do tênis feminino nacional nas últimas duas décadas, Teliana Pereira concedeu uma longa entrevista ao TenisBrasil durante sua participação no Circuito Feminino Future de Tênis, em São Paulo, em que abordou temas sobre sua temporada, a carreira, o circuito da WTA, o momento atual do tênis brasileiro e seus planos para o futuro.

Neste trecho da conversa, Teliana celebra o fato de poder jogar sem dores no joelho direito, que já foi operado duas vezes e fez com que ela ficasse mais de um ano parada por lesões. Em um circuito cada vez mais exigente do ponto de vista físico, a vencedora de dois torneios WTA também comentou sobre a opção que algumas jogadoras têm de viajar com rebatedores fixos na equipe para treinar com bolas mais pesadas que as das adversárias.

A jogadora de 28 anos ainda destaca a realização do sonho de seu irmão e técnico, Renato Pereira, que abriu sua própria academia de tênis no Paraná. "Eu fico muito orgulhosa porque é um sonho que ele sempre teve e pôde realizar. Sinto que eu fiz parte disso", comemorou a tenista pernambucana que é radicada em Curitiba.

Confira a entrevista com Teliana Pereira.

Primeiro eu queria que você falasse sobre sua pré-temporada. Foi mais longa que nos outros anos, com quase dois meses. Em que você mais trabalhou e em qual ponto você acha que conseguiu evoluir mais?
Primeiro que eu fiz uma pré-temporada maior porque eu parei bem antes do que a gente tinha planejado, até porque eu poder descansar um pouco, eu estava bem cansada porque nunca tinha tirado férias de verdade, então foi muito importante para a minha cabeça. Em relação ao que a gente trabalhou, não foi nada de novo, o que a gente mais trabalhou foi motivação que era o que estava realmente faltando.

Acho que isso foi o mais importante e eu consegui fazer bem, tanto que eu tive um início de ano muito bom. Normalmente meu início de ano nunca é muito bom na Austrália, mas este ano eu consegui ganhar jogos e acho que isso foi muito importante para a minha confiança, até para dar aquela alegria maior. É claro que a gente não pode se basear apenas nos resultados para poder estar feliz ou poder gostar do nosso trabalho, mas ajuda. Eu estava precisando disso, estava precisando fazer bons jogos, precisando fazer jogos longos e foi o que aconteceu. Então eu comecei o ano bem, a pré-temporada com certeza ajudou, fisicamente eu estou super bem e quase não tenho dores, quase 100%, porque o 100% é difícil de alcançar.

Acho que não teve nada que a gente tenha trabalhado de muito diferente. Eu só mudei um pouco a técnica do saque, é uma coisa que ajudou bastante, era algo que a gente já queria fazer há algum tempo.

Você disse recentemente que já não sente tanto o incômodo no joelho quando você treina na quadra dura. O quanto isso ajudou a fazer essa pré-temporada maior e contribuiu para você furar aquele quali e jogar bem no começo do ano?
Sim, o fato de eu não ter mais dores ajudou demais, mas um fator que foi chave é que foi a primeira vez que eu tive uma quadra rápida de verdade. Meu irmão está construindo a academia dele e fez uma quadra rápida. Então eu pude fazer minha pré-temporada inteira ali, o corpo acostumou, a quadra é muito boa e acho que isso facilita muito. E fisicamente eu tenho feito um bom trabalho, ano passado fiz um trabalho de prevenção que me ajudou bastante e esse ano eu continuo e acho que é uma das coisas que mais melhoraram no meu jogo.

Como está o projeto da academia do seu irmão?
Ela se chama Pereira Tennis, mas não fica em Curitiba, fica em Campo Largo. Tipo a quinze minutos de Curitiba. A academia é dele, o sonho sempre foi dele, e é claro que está tudo no começo mas está muito legal. Tem duas quadras de saibro, uma quadra rápida e uma quadra coberta e agora ele tem duas quadras de beach tennis também. Eu fico orgulhosa porque é um sonho que ele sempre teve e pôde realizar. Sinto que eu fiz parte disso e ajudei muito ele, assim como ele me ajudou muito. Foi uma troca e eu torço muito para que dê muito certo.

Caso ele queira se dedicar à academia, você teria que procurar um novo técnico?
Faz seis anos que a gente trabalha junto, desde que eu voltei de lesão. Acho que ele vai passar a se dedicar à academia no momento que eu parar de jogar, mas eu entendo que ele tenha suas obrigações. É claro que sou prioridade hoje, mas a gente vai se ajudando. Quando eu parar de jogar, ele vai poder se dedicar 100% e vai ficar ainda melhor. 

 

Treino 🎾🎾🎾👍🏼💪🏼👊🏼

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A gente vê algumas jogadoras top treinando com rebatedores muito fortes. Um exemplo clássico é o Sascha, que já treinava com Serena e Azarenka e agora está com a Wozniacki. Você acha que trazer alguém que bate mais forte na bola que a maioria das adversárias pode ser um diferencial em um circuito cada vez mais físico?
Eu não acredito muito. Eu treino com meninos também e a bola masculina é muito mais pesada, mas eu sinto falta de ter meninas para treinar também. Não falando em bola, mas no diferencial de fazer um treinamento para as meninas, ter é aquela pessoa à disposição para fazer qualquer coisa. Isso sim é um diferencial.

Acho que muitas meninas viajam com rebatedor pela facilidade, para não ter que ficar correndo atrás de alguém para treinar, e outra porque as jogadoras são muito competitivas e individualistas e às vezes preferem ficar reservadas no cantinho delas e fazer o trabalho. Então acho que é essa junção.

Normalmente quem treina com você é o seu irmão e quem mais?
Tem um menino, o Anderson Meyer, que dá aula na academia do meu irmão e estou sempre treinando com ele. Tem um outro menino que está jogando torneio juvenil que bate bola comigo. Quando eles não estão, eu treino com o Renato mesmo que é meu técnico, o Zé raramente, porque ele operou o ombro no final do ano e está voltando agora. Então é um pouquinho escaço, mas é o suficiente.

Quando você disputou os torneios grandes, você chegou a treinar com uma jogadora desse nível e com quem tinha aprendido bastante?
Eu fiz um treino muito bom com a Azarenka em Roland Garros no ano passado, foi uma experiência muito boa. Por mais que na época eu estivesse também com um ranking muito alto, é muito bom aprender. Então quando eu vou aos torneios grandes eu tento sempre observar o que eles fazem na quadra, fora dela, e na musculação, porque a gente sempre tem a aprender. E se eles estão fazendo aquilo é porque algo de bom tem, então eu tento sempre estar colhendo para poder fazer também. É importante observar o que os outros fazem.

Você falou da Azarenka, que parou de jogar para ter um filho e pretende voltar. Você acredita que ela pode voltar a ser número 1 do mundo.
Com certeza. Acho que ela vai ter que ralar bastante, isso eu não tenho dúvida. Acho que vai depender dela se ela vai querer pagar o preço de novo. Ela está se espelhando na Clijsters, que fez isso. Eu não sei de outras mulheres que fizeram isso, mas a Clijsters logo depois ganhou o US Open, ela deve querer tentar isso.

Tem a Casey Dellacqua e a Bondarenko...
É tem a Casey Dellacqua, a Bondarenko e a Tatjana Maria também. Todas essas foram mães e voltaram a jogar.

Se acontecesse com você, você tentaria voltar a jogar?
Jamais. Eu pretendo jogar mais um pouquinho e quando parar construir uma família. Quando eu ficar grávida, eu vou querer me dedicar aos meus filhos, não vou querer voltar a jogar de jeito nenhum.

 

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